Johnny... O bom detetive
84 Parte 07: Zawaski // Capítulo 06: Rechaço
Lucas continuou a fazer os serviços domésticos, porém o apartamento era grande demais para apenas uma pessoa limpar. Estava na hora de arranjar uma empregada. Com um tablet na mão, o rapaz procurava algum anúncio pela internet.
— Cheguei.
— Como foi?
— Não foi tão ruim como pensei. Eu tive que encarar novamente papai e Bia, mas tudo saiu como planejei.
Johnny beijou Lucas e foi ao quarto imediatamente.
— Precisamos falar sobre a possibilidade de termos uma empregada.
— Depois falamos disso. Preciso me deitar um pouco.
Lucas sequer imaginou o que passava na cabeça do namorado. Não fazia ideia sobre o filho. E Johnny se sentia culpado por esconder o bebê.
...
Dias se passaram desde que Johnny se divorciou. Finalmente ele se reunirá com Paulo Loyola para falarem sobre um possível trabalho.
Ainda no hotel, o homem se arrumava elegantemente. Terminou de vestir o terno quando a campainha soou.
— Quem é?
— Serviço de quarto, senhor.
Sem entender muito, observou pelo olho mágico uma mulher de cabelo preto e óculos escuro. Abriu a porta e surpreendeu-se quando a camareira entrou de uma vez.
— Puxa vida. Devia ser mais agradecido com os amigos, Paulinho — Bia retirou a peruca e o óculos.
— A que nível se rebaixou. Vai arrumar a minha cama?
— Não sou bem-vinda aqui no hotel. Esqueceu que me divorciei esses dias?
Ela percebeu a elegância do homem. Era um exagero de tão elegante para um simples encontro com Johnny.
— Seja rápida
— Que roupa é essa? Parece até um membro da realeza britânica. Vai se encontrar com o Johnny, não é? Mas deixa eu te avisar que se chegar a ele vestido assim, não vai ter o que quer. Johnny não é nada conservador e formal. Por isso escolheu aquele detetive para ser o seu namorado. Seria melhor uma roupa mais casual.
— Já acabou? Agora saia e procure o seu rumo. Enquanto eu não conquistá-lo, não darei um centavo a mais.
— Isso magoa. Bem, vou sair. Apenas saiba da aliada que sou e da dica que te dei.
Na manhã daquele dia, Johnny esperou Paulo num restaurante popular. Não era nada elegante pois era uma churrascaria.
— Johnny?
O detetive, que olhava o celular, viu um homem alto, forte e bonito aparecer. Ele estava vestido de camisa polo preta, calça jeans e sapato. Ambos e cumprimentaram.
— Vamos comer? Já é quase a hora do almoço e estou desejando muito comer carne.
— Claro. Eu vim aqui não só falar contigo mas também comer na compainha do melhor detetive.
O garçom trouxe um grande espeto com carne bovina fincada nele. Era o churrasco gaúcho.
— Em que posso te ajudar, senhor Loyola.
— Na verdade eu menti quando disse que havia um caso a ser tratado. — Ele segurou a mão de Johnny. — Sou herdeiro da construtora Loyola de São Paulo e estou em busca de um novo amor. Johnny, podemos...
Paulo fez uma cara de deboche para o alfa. Aquilo deixou Paulo desconcertado.
— Não tenho interesse. Eu sou comprometido. O meu intuito aqui é exclusivamente profissional.
— Desculpa. É que achei que poderíamos...
— Achou errado! Desde quando nos conhecemos, hein? Nunca te vi na minha vida. E é melhor se calar, pois não quero deixar a mesa e a picanha deliciosa no meu prato. Seria desperdício.
— Certo.
O clima ficou tenso. Paulo nunca imaginou ser rechaçado de primeira daquele jeito.
Na saída, Johnny se despediu e saiu imediatamente da churrascaria. O alfa segurou o seu braço repentinamente.
— Por que não podemos?
— Porque eu já namoro alguém. Sinceramente você é bonito e tem cara de modelo, mas não faz o meu gosto. Para mim não é tudo isso.
O CEO liberou seus feromônios e revelou ser um alfa dominante. Johnny segurou a mão do alfa e fez um movimento de luta em que colocou a mão do homem para trás. Paulo sentiu dor.
— Ai, ai, ai, ai. Vai quebrar o meu braço.
— Cachorro! Liberando feromônio achando que sou qualquer um. Filho de uma quenga.
— Desculpa. Eu tive a melhor das intenções.
O ômega largou o outro na calçada da churrascaria e entrou em seu carro. O motorista de Paulo foi ajudá-lo.
— Senhor?
— É assombroso. Pela primeira vez na minha vida eu fui dispensado. Isso me dá mais vontade de ganhar o seu coração.
...
Um dia antes de viajar, Hugo resolveu se embriagar em casa. A governanta não fez questão de impedi-lo.
— Traga-me outra garrafa de vinho.
A mansão estava solitária desde o dia em que Júlia resolveu sair de casa. A solidão fez compainha ao homem durante esses dias. Dormir e acordar sem ninguém ao lado era horrível. Por isso ele bebia todos os dias para esquecer tudo.
A mulher pediu ao segurança que levasse o chefe ao quarto, haja vista ele sequer conseguia ficar em pé.
...
Na agência, Johnny teve a desagradável surpresa de ver Bia na entrada.
— O que faz aqui?
— Continuar a nossa conversa. Falamos aqui na frente da recepcionista?
Ele puxou a ex pelo braço. Ambos estavam do lado de fora.
— Fala.
— Eu quero dinheiro para que eu me silencie acerca do aborto.
— Cobra! Quanto você quer?
— A metade da sua fortuna.
O homem a segurou violentamente pelos braços e a escorou na parede. A recepcionista tentou separá-los.
— Não vou te dar nada mesmo com essa sua chantagem barata. Dar metade do meu dinheiro para você? Nunca.
— A não? Então você não se importa de eu agora mesmo contar tudo para o Lucas sobre o seu plano de abortar o filho sem o conhecimento dele? — Sussurrou.
Lucas apareceu diante dos dois sem entender o que passava. A presença dele surpreendeu Johnny que pediu para a Bia sair dali. Falou baixo que conversariam um outro dia.
— O que ela queria?
— Nada. Apenas falar sobre o acordo do divórcio. Acabei me alterando.
— Não fica assim por causa dela. O que essa mulher mais quer é te tirar do sério.
A ameaça de Bia era perigosa pois a atitude de Johnny era muito egoísta, e não sabia como Lucas reagiria ao saber do seu encontro com um ginecologista abortista.
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