Johnny... O bom detetive
85 Parte 07: Zawaski // Capítulo 07: Um dramático reencontro
Faltando um dia para Hugo viajar. Terça-feira. E a viagem foi adiada pois o empresário passou mal de tanto beber. Ninguém da família ligou para perguntar sobre a sua saúde, apenas o médico.
Júlia e Cecília jantavam num restaurante quando foram abordadas por Marion.
— Marion Loyola?
— Júlia Zawaski.
Ambas se cumprimentaram com beijos no rosto.
— Sente-se. Essa é a minha sobrinha, Cecília.
— Encantada em conhecê-la, Cecília.
As três se sentaram.
O teor da conversa manteve-se de uma forma quase formal até Marion tocar no assunto dos filhos. Cecília preferiu manter-se calada, deixando as duas mães dialogando.
— Você devia conversar com o seu filho, Júlia. Paulo está louco para conhecê-lo.
— Sinceramente, Marion. Não vejo o porquê de pressionar o Johnny para ver o seu filho. Ele acabou de sair de um casamento arranjado, acabou de desvendar um caso criminal e está desfrutando o tempo com o novo namorado.
— Que por sinal é um alfa alto e sarado. Pense num pecado que é aquele moreno — completou Cecília.
Mas para a megera nada disso importava. Ela insistia em organizar um encontro entre os dois. Um incômodo pairou no ar, deixando Júlia sem palavras. Retirou-se da mesa com a sobrinha e foram embora.
...
Ainda naquela noite, Johnny reencontrou Rodrigo e Fredd numa reunião de casais num bar apenas para homens.
Assim que os viu, Rodrigo abraçou os dois. Logo os casais encontraram uma mesa.
— E quando vão abrir o testamento? — perguntou Johnny com uma latinha de cerveja.
— Daqui a um mês — respondeu Rodrigo.
— Quanta demora. Já faz um tempo que terminamos a investigação e nada. O Johnny aqui até se divorciou da bruxa.
Fredd pegou o copo de vidro e botou cerveja dentro. Ofereceu a bebida ao namorado enquanto cortava a carne.
— Não me diga que você se divorciou? Que loucura.
— Pois é. Não dava para continuar com uma mulher que te usou e te traiu todo o tempo. Estou melhor agora.
Lucas aproveitou a conversa para pedir ajuda a Rodrigo a encontrar uma empregada para trabalhar na sua casa. Johnny explicou que até pediria uma empregada da mansão, mas não se humilharia novamente ao seu pai.
— O Jacques. O mordomo. Ele deixou de trabalhar na fazenda para fazê-lo na minha casa. Mas a gente já tinha uma empregada, por isso ele ficou sem emprego e hospedado lá. Eu posso conversar com ele para trabalhar para vocês.
— Tá feito. Quero conversar com o mordomo. Ele sempre nos tratou bem durante a investigação — disse Johnny ainda bebendo.
Marion, na suíte do filho, debochou da conduta de Júlia durante o seu encontro no restaurante. Soltou uma série de piadas preconceituosas pelo fato de ela não ser alfa, insinuando isso ser o motivo principal do filho ter nascido ômega.
— Você está me ouvindo?
— Eu já me encontrei com o Johnny, mamãe.
— E...?
— Ele me dispensou. Não fui homem suficiente para ele. Mas isso me deu mais vontade de tomá-lo para mim.
...
Na quarta-feira pela manhã. Horas antes da viagem de Hugo à Colômbia.
Jacques chegou ao apartamento de Johnny e Lucas pela manhã. Havia aceitado a proposta de emprego dos detetives.
Lucas ajudou-o a carregar as malas e explicou as suas funções. Basicamente o velho seria o copeiro.
— Estou aos seus serviços, senhores.
O homem foi guiado ao seu quarto. Johnny explicou a ele que ainda contrataria outra empregada para fazer serviços de limpeza.
— Por enquanto Lucas e eu vamos nos virar por aqui. Você limpa apenas a cozinha e a varanda, ajude-nos durante o almoço e jantar e atenda a porta ou telefone. Será como nosso secretário. Tudo bem pra vocé?
— Tudo sim, senhor Zawaski.
Enquanto isso, Júlia chegou da sua caminhada matinal quando encontrou Hugo tomando café com Zoraide.
— Desculpa, filha. Eu não pude mandá-lo embora. Vou deixá-los a sós.
— Obrigado pelo café, dona Zoraide.
— O que você quer aqui? Pensei que havia viajado. Não quero falar sobre o nosso filho.
— Não vim falar dele. O assunto aqui somos nós dois. Eu já te pedi para voltar. Quantas vezes quer que eu peça?
— Você vai agora pedir perdão ao seu filho pelas maldades que fez a ele?
— Não posso me humilhar dessa forma! Entende, mulher. Esse lugar não é pra você. A sua casa não é aqui. Sabe que eu nunca te traí e que por isso tenho contato quase nulo com ômegas.
— Mas esse não é o motivo de você odiar o seu filho! Eu sei que você evita os ômegas para assim continuar fiel a mim, mas essa é apenas a sua escolha. Há outro motivo que faz você colocar a culpa na sua amargura no seu filho.
— Júlia...
— Mas isso não é motivo para odiar o Johnny a esse ponto. A história da sua família é trágica, mas não lhe dá o direito de tratar o seu próprio filho como se fosse o causador da sua tragédia.
Repentinamente ele beijou a mulher. Ela quase cedeu, empurrando-o em seguida.
— Melhor sair. Volto para casa quando o seu filho te perdoar.
Hugo saiu, praguejando baixinho toda aquela situação. Dentro do apartamento, Zoraide for acolher a filha.
...
Poucas horas antes de viajar, Hugo preparou os documentos com Diógenes e outros acionistas. Após a reunião, voltou para a sala.
— Patrick, vem aqui. — O secretário entrou na sala. — Achou o novo endereço do meu filho?
— Sim, seu Hugo. Aqui está o endereço.
— Quanto tempo falta para a viagem?
— Duas horas, senhor.
Ele pediu ao secretário avisar ao piloto que suspendesse o helicóptero pois sairia de carro. Desceu ao térreo.
— Senhor Zawaski, aonde quer que eu o leve?
— Onde estão os documentos da limusine?
— No porta-luvas.
— Dê-me as chaves. Eu mesmo vou dirigir.
Os funcionários do hotel acharam estranho o comportamento do chefe.
Lucas ficou apenas com Jacques no apartamento depois de Johnny sair ao supermercado fazer compras. O moreno jogava algo no celular, deitado no sofá. A campainha soou. O mordomo atendeu a porta.
— Quem é, Jacques?
— Há quanto tempo não te vejo, rapaz.
Depois daquele fatídico dia na delegacia, Lucas e Hugo ficaram cara a cara.
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