Johnny... O bom detetive
82 Parte 07: Zawaski // Capítulo 04: Divórcio
Às 19 horas, Hugo saiu do trabalho diretamente ao restaurante do hotel. Encontrou-se com alguns amigos e todos beberam. Foram várias rodadas de uísques.
Bia tomava um drinque no balcão quando viu o homem tomar um verdadeiro porre. De todos os empresários ali, Hugo era o que mais estava alterado. Pensou numa coisa para se vingar plenamente da humilhação que sentiu.
Na conversa entre amigos, Hugo lamentava o fato de estar vivendo sozinho. Seu desejo maior era ver a esposa acordar ao seu lado da cama. Os colegas pediram para ele se acalmar e não beber mais.
— Vou... beber sim... vou... porque eu tô pagando. Hehehehe.
Disfarçada com uma peruca preta e vestida com um belo vestido vermelho decotado, a megera se aproximou e pediu licença aos homens. Sem nenhum escrúpulo, seus amigos convidaram-na a se juntar a eles. Bia, disfarçando até mesmo a voz, pediu para ficar sozinha com Hugo.
O empresário bebeu muito a ponto de ser ajudado pelos seguranças.
— Não! Não me segurem... como se fosse... um Zé Ninguém... Eu vo com a dama aqui... já que num tenho mais esposa e nem filho heeheheh.
Os seguranças não reconheceram Bia pois eram da empresa, não da casa. A mulher ajudou a levá-lo até uma das suítes. Ela o jogou na cama e tirou o seu paletó.
— Humm... não. Eu num saio com putas de luxo... Eu so casad... casado ainda. Me deixa dormir.
Ela sempre achou a fidelidade do homem irritante. Apesar de ser cruel com todos, Hugo pelo menos tinha uma virtude. Porém, ela apenas queria uma chance para se vingar, e aquele era o momento certo. Aproveitando-se do sono pesado dele, Bia retirou a sua roupa e deixou-o de cueca boxer. Realmente o coroa era bem saudável para um homem com mais de cinquenta anos. Era um praticante nato de academia. Mas Bia sequer gostava dele ou do seu corpo.
— Você comerá na minha mão, velho.
Ela também retirou o vestido e a peruca, ficou de lingerie ao lado dele e tirou várias selfies. Depois vestiu-se e saiu com os seguranças ainda na frente da porta.
— Opa. O chefe ali foi forte como um touro. Até eu fiquei com as pernas bambas. Boa noite, rapazes.
E assim Bia fisgou o seu primeiro alvo: Hugo Zawaski.
...
De volta à normalidade, o casal de detetives retornou a frequentar a academia, sobretudo a musculação. Johnny se interressou ainda mais em exercitar os glúteos.
— Cheguei. — Disse ao entrar no apartamento com a bolsa da academia no ombro.
Lucas estava na cozinha. Preparava um delicioso almoço para ambos.
— Johnny, vá tomar um banho. O almoço está quase pronto. — Avisou ainda com um avental rosa floral.
— Que cheiro bom, amor. Ganhei uma esposa muito melhor do que a anterior — Abraçou o moreno por trás. — O que tá fazendo aí, hein?
— Salmão grelhado com legumes no azeite. Agora vai logo pois tá todo suado.
Ambos se beijaram e Johnny foi. Despiu-se no banheiro, entrando em seguida no box. Olhou-se no espelho com um semblante triste.
— O almoço está pronto. Vou por na mesa e depois você lava.
— Tudo bem. — Johnny apareceu só de bermuda e chinelo. — Gostou do meu trampo?
— Eu sempre vou gostar desse corpo e desse cu macio que tem. — Deu um tapa na bunda do ômega.
Ambos almoçaram normalmente. No entanto, a consciência de Johnny pesava já que antes de ir à academia, foi a outro lugar.
Durante uma garfada e outra, o nome do próximo cliente de Johnny surgiu. O alfa não via com confiança o tal homem de sobrenome Loyola.
— Confia em mim. Está tudo sob controle. Mas agora estou preocupado é com o divórcio amanhã. Finalmente me livrarei daquela mulher.
À noite num restaurante, Bia se encontrou com um informante contratado que havia seguido Johnny. Pagou pelas fotografias. Ambos entraram num acordo logo depois que ela vira o ex-marido sair da farmácia. Seu checkmate será enorme.
— Amanhã terei que chegar radiante.
...
No fim da tarde do outro dia, Hugo terminou uma reunião com empreiteiros. De volta à sala, apenas o secretário e o diretor de operações, Diógenes, se reuniram.
— Não é possível! Esse relatório da compra do terreno de Santos até agora não veio? Desde semana passada não recebo nenhum relatório! Cadê esse relatório que não aparece na tela do meu notebook?
— Seu Hugo, essa demora faz parte de um protocolo. A tesouraria está prestes a receber o relatório...
— Não quero saber dessas desculpas! Porra! Quando eu penso que não recorri ao caixa dois para pelo menos diblar a merda do fisco...
— Hugo, calma. Essa demora é comum quando uma das empreiteiras é investigada pela Operação Lava Jato. Não é tão simples assim. O governo de Santos está obedecendo uma liminar do juiz para suspender a obra por 30 dias. Melhor acatarmos a decisão judicial.
— Que acatar o que, Diógenes! Eu sou Hugo Zawaski. É pra esse povinho beijar o chão que eu piso. Sou superior que 99% dos seres humanos. Malditos. Salafrários!
Diógenes pediu calma mais uma vez até Patrick entrar com o assunto do divórcio do seu filho.
— Merda. Ainda tenho que me preocupar com isso. Os problemas de um filho ômega e a sua ex-esposa que lhe chifrava. Quanta humilhação. Patrick, adiante a minha viagem para Bogotá. Eu pensei daqui a sete dias, mas farei isso em uns três. Essa cidade está me sufocando demais.
— Sim, seu Hugo.
Após toda a discussão e a alteração, Hugo foi para a sala de reuniões. Lá estavam os advogados, Júlia e Johnny.
— Você parece exausto. Está dormindo bem? — perguntou Júlia.
— Não preciso da sua preocupação. Pelo menos não hoje — respondeu seco.
Johnny suspirou.
— Mas cadê a garota? Aquela golpista por acaso fugiu ou algo? — indagou Júlia.
Ana Beatriz apareceu deslumbrante. Com um vestido branco bastante decotado nas costas. Em seu pescoço usava o colar de esmeraldas.
— Mas isso é um ultraje! A joia da minha família no pescoço dessa ordinária!
— Você me presenteou, sogrinha. Não me culpe por você ser mais esperta do que uma mula.
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