Johnny... O bom detetive
83 Parte 07: Zawaski // Capítulo 05: Megera
— As duas parem de brigar como se fossem duas faveladas — repreendeu Hugo já sentado à cabeceira da mesa. — Por mais que se odeiem, pelo menos poupem a imagem da empresa com um escândalo. Vamos começar.
O rito do divórcio iniciou tão pronto quando Bia chegou. Era o que todos queriam.
Segundo o advogado dela, o acordo mais provável ficou em 10% da fortuna de Johnny para ela. Hugo decidiu ser testemunha dela enquanto Júlia a do filho. Ambas as partes assinaram.
Enquanto isso, Paulo subiu ao andar da presidência quando viu a sala de reuniões fechada.
— O Hugo ainda está reunido com os empreiteiros?
— Não, senhor. Ele está com a família dele resolvendo assuntos pessoais — respondeu Patrick.
— Certo. Por acaso o filho dele também está aí?
— Sim. O Johnny está com a esposa tratando do divórcio. Quer deixar recado?
— Não, eu volto mais tarde. Melhor não forçar a barra. Até logo.
Por fim o divórcio se consolidou e Johnny se tornou um homem livre. Bia foi a primeira a sair da sala.
— Não acredito que essa mulher veio com a joia que eu dei. É o cúmulo.
— Calma, mamãe. Pode ter certeza de que a senhora recebeu um presente maior ao se livrar dela. Eu vou sair.
Após os advogados saírem após Johnny, apenas Hugo e Júlia ficaram na sala. Ela tentou sair, mas o marido a segurou pelo braço.
— O que houve? Não foi você quem disse para eu não me preocupar?
— Eu disse, mas você me conhece muito bem quando as palavras saem da boca pra fora. Preciso que volte.
— Não. Não até você admitir que errou com o seu filho e pedir perdão a ele.
— A tá. Eu me rebaixar a isso? Eu não vejo nada de errado na minha conduta. Espere sentada.
Júlia saiu raivosa da sala, deixando o marido para trás.
— Não quero que ninguém venha à minha sala, Patrick.
— Sim, seu Hugo.
No térreo do hotel, ambos foram abordados por Bia Lemos. A atitude da mulher deixou Júlia furiosa, porém Johnny pediu calma a mãe.
— Quero conversar contigo no restaurante, Johnny.
— Não tenho mais nada para tratar com você. Já me bastou a humilhação de ser corno.
— Posso chamar um segurança, filho.
— Não, mamãe. Vamos.
Bia correu até ele, puxou-o pelo braço e sussurrou que sabia de um segredo que acabaria com a vida dele. Imediatamente Johnny parou.
— Vai na frente, mamãe. Tenho que falar com ela um minuto.
Eles andaram para o restaurante do hotel e pediram uma mesa.
— Vão querer algum coisa? — perguntou o garçom.
— Nada. — Respondeu ele.
O garçom saiu de perto deles e foi atender outros. Ela sorriu e achou incrível a mudança do ex-marido.
— Vai direto ao ponto. Não enrola.
— Voltei há pouco tempo de São Paulo e te vi sair de uma farmácia com uma caixa na mão. Essa caixa é um teste de gravidez, não é?
Johnny foi pego de surpresa.
— Você está grávido do Lucas. Mas parece que esconde dele. Por quê?
— Ficou louca, mulher? Não sei do que está falando.
Ela retirou cópias das fotos de dentro da bolsa e colocou sobre a mesa.
— Pega essa ironia da vida, meu amor. Eu contratei um detetive particular para te seguir. Ele te viu e fotografou você entrar e sair da clínica ginecológica do doutor Camargo Rêgo. Eu conheço esse médico. Ele faz aborto. O aborto no Brasil é um crime, mas, mesmo se não fosse, você não disse ao Lucas que tenta abortar o filho dele. Acertei?
Pela primeira vez Johnny estremeceu. Realmente pensou em abortar o filho, porém ainda estava a pensar se o faria ou não.
— Você engravidou do Lucas, não disse a ele e agora quer tirar o feto sem o conhecimento dele. Não posso imaginar como o seu namorado reagiria se soubesse da sua covardia.
— O que você quer?
Ela se levantou da mesa.
— Depois a gente conversa. Não precisamos de pressa.
Bia saiu do restaurante completamente altiva e confiante em si. Ela realmente conseguiu fisgar o seu segundo alvo: Johnny Zawaski.
...
A campainha soou na suíte de Paulo. Assim que ele abriu a porta, viu uma mulher parada na entrada. A sua mãe havia retornado de Paris assim que soube que o seu filho queria conquistar o herdeiro dos Zawaski. A cinquentona era baixinha, porém imponente com a sua roupa executiva totalmente branca em contraste com o seu cabelo curto e preto que deixava-lhe um aspecto masculino. Seus olhos eram tão azuis quanto os de uma felina.
— Vejo que papai já foi correr contar sobre o meu interesse matrimonial com o filho do dono desse hotel. Quer um martini?
— Sim, obrigada. Normalmente eu não aprovo que a nossa família tenha relações com ômegas de quaisquer estirpes. Não é bom para a nossa linhagem alfa. No entanto, estamos no meio de uma encruzilhada. Eu simplesmente não posso rechaçar o filho de um bilionário como futuro genro. Obrigada, querido.
— Sente-se. Fique à vontade. Agora é interessante que papai ainda te procure para falar de mim. Há anos vocês se divorciaram.
— O César é um amigo. Ele sempre será. Sobretudo quando o assunto são os nossos filhos.
Marion bebericou o martini, colocando a taça quase cheia sobre a mesa de centro.
— Eu vou te ajudar a se casar com esse rapaz. Afinal eu sou a sua mãe.
— Nossa, obrigado. Até que enfim resolveu me dar atenção.
A mulher era extremamente manipuladora e narcisista. Prometeu veementemente que casará o filho com Johnny não importava o quê.
— Eu tenho que ter cuidado, mamãe. Ele tem namorado.
— Namorado? O que importa? Namorado não é cônjuge. Ele se casa contigo e forma a sociedade Zawaski-Loyola, e ao mesmo tempo ele se encontra com o concubino. Ele é um ômega e todos são promíscuos.
— A senhora é assombrosa. E se ele fosse casado?
— Para isso tem o divórcio. Não há futuro para esse Johnny com esse pobretão. Meu filho, ânimo. Para tudo existe um jeito, exceto a morte.
Paulo e Marion brindaram seus martinis e formaram uma sociedade perversa.
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