Johnny... O bom detetive
74 Parte 06: Flashback // Capítulo 03: Da Silveira
— Ora o que foi aquilo, homem? Você mesmo me procurou, foi ao meu clube, pediu o melhor ômega do catálogo e, no pega pra capar, desiste. — Ciro praticamente surtava pelo telefone.
— Eu te disse que queria alguém novo. Eu tenho mais de quarenta anos. Por que me interessaria um garoto de programa com quarenta? Procurei uma distração com pelo menos uma década a menos do que eu.
— Sei muito bem disso, mas eu falei com antecedência a idade dele. Você foi porque quis. E o Francisco é o melhor ômega do clube, apesar da idade. Sabe o quão foi difícil persuadi-lo a sair de uma casa noturna requisitada para o meu clube? Sabe o sacrifício que eu fiz para pagar um cachê gordo a ele?
— Tudo bem. Voltarei.
— Agora ele se nega a tê-lo como cliente. Infelizmente você terá que escolher outros.
Naquela mesma noite, Nestor visitou outra vez o clube. Entre bebidas e diversão, escolheu um ômega para ir para a cama. No entanto, o acompanhante não era tão bom quanto ele imaginava. Francisco continuava a fazer as suas apresentações no Boca de Veludo, atendendo a outros cliente e se negando quando o assunto era Foster.
Esse cenário durou anos. Uma vez por mês o fazendeiro visitava o clube para beber, divertir-se e procurar um ômega para ir à cama. A única pessoa que ainda se negava a atendê-lo era Francisco.
Em meados de 2008, uma proposta tentadora chegou ao dono do clube. Um amigo dele faria uma parceria para abrirem um cassino em Macau. Era a oportunidade de ouro para Ciro ganhar muito dinheiro. Essa informação foi dada no bar de cavalheiros no Centro.
— Em breve sairei do Brasil para China. Especificamente em Macau.
— E quem ficará responsável pelo clube? — perguntou Nestor.
— Obviamente o meu filho Nilo Maldonado. Ele é ômega, mas é um garoto inteligente.
— Você deixar o seu clube para ir assim. A proposta deve ser mesmo tentadora.
— A sua vida no campo deve ter adormecido o seu cérebro. Macau é simplesmente o maior pólo de cassinos do mundo. Supera até mesmo Las Vegas.
— E quando sairá?
— Ano que vem.
O clube passou para o nome de Nilo, e o jovem se apresentou formalmente aos clientes mais importantes, inclusive o Nestor. Eles acharam curioso o fato do novo dono ser um ômega dominante, paquerando-o para ter mais benefícios no cassino. No entanto, o secretário Régis, seu amigo de longa data, sempre carregava um revólver para caso algum cliente tentasse forçar o dono.
...
Francisco sentiu o peso do envelhecimento ao completar 44 anos. Nesse ano deixou o espetáculo na boate pois seu corpo já não suportava os movimentos de striptease. Nilo agradeceu ao mais velho pela longa contribuição.
— Quero parar o serviço de acompanhamento. O último cliente era violento e me deixou marcas.
— Tudo bem. Eu vou reconduzi-lo ao cassino. Você fará parte da equipe de crupiês.
— Obrigado.
O mesmo cliente continuou importunando Francisco até mesmo quando ele deixou de fazer o serviço de acompanhamento. Isso durou dias até um certo dia em que Francisco foi segurado pelo braço quando estava para sair do clube.
Há tempos Nestor não ia para a cama com um ômega. Sua única diversão era beber e jogar. Nessa noite ele bebeu e apostou pouco. Na saída do clube, ao esperar o seu motorista com o carro, viu uma discussão entre um cliente e um empregado. Assustou-se quando o homem empurrou Francisco para o chão, ameaçando a bater nele. Nestor segurou o braço dele.
— Que merda. Quem é você?
— Violência não resolve nada, meu caro. Peço que pare com o seu showzinho.
— E quem você pensa que é? Eu trabalho no Fórum...
— Ótimo. Eu tenho contatos no fórum e posso dar detalhes do que ocorreu aqui. Você é o quê? Advogado ou Juiz?
— Merda. Faça bom proveito dele.
O homem estendeu o braço ao ômega para levantá-lo. Em pouco tempo Francisco agradeceu o gesto de boa vontade, mas que ainda lembrava da humilhação de quatro anos atrás.
— Você é muito persistente quanto a mim. Faz tanto tempo que até me esqueci desse dia. Mas vamos fazer o seguinte: que tal começarmos de novo? Naquele dia eu tava irritado e era a minha primeira vez no clube. Hoje é diferente. Meu nome é Nestor Foster.
— Francisco Lulia da Silveira.
— Francisco. Podemos trocar números dos celulares? Calma, eu não sou como aquele cachorro que te tratou mal há pouco. Não recorro à violência para resolver os meus problemas.
O ômega assentiu e deu o seu número ao alfa. Eles se falaram por algum tempo fora e dentro do clube até um dia ambos se embebedarem e irem para o quarto andar do clube pela primeira vez. O sexo com Francisco foi muito melhor do que das outras vezes com os outros ômegas. Logo Nestor pediu exclusividade de Francisco a Nilo.
— Bom, se ele está de acordo com isso, não posso fazer nada. Francisco é bem caro pois sempre foi o melhor. Todavia, seu corpo está envelhecendo, por isso que menos gente se interessa nele agora. É o momento para ele repensar na vida — disse Nilo ao fazendeiro.
O ritmo de Foster ao clube aumentou para uma vez por semana até que em 2010 aumentou três vezes por semana. Assim que entrou no clube, viu Francisco e o seu mordomo, Jacques, conversando na boate.
— O que eles tanto falam?
Nestor seguiu os dois ao banheiro masculino.
— Vai continuar nessa vida promíscua de merda? O que pensa em fazer ao seduzir o meu chefe?
— Eu seduzir? Por quê? Tá com ciúme dele? Olha pra você, irmão. Já completou 60. Tá velho e acabado. Nunca foi atrativo. Nunca será dominante como eu.
Nestor apareceu diante dos dois, surpreendendo-os. Jacques explicou ao patrão que Francisco era o seu meio-irmão mais novo por parte de mãe.
O alfa afastou Jacques e abraçou francisco. Explicou que ambos estavam numa relação romântica.
O mordomo ficou boquiaberto.
Sem duvidar, Nestor revelou que o seu maior sonho era se casar com Francisco.
CONTINUA
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