Johnny... O bom detetive
75 Parte 06: Flashback // Capítulo 04: Rivalidade de irmãos
Com a descoberta do parentesco do seu amante e o mordomo, Nestor pediu que a sua relação amorosa permanecesse em segredo até um dia revelar tudo para os seus filhos. Francisco assentiu, sabia que a relação entre padrasto e enteado podia ser intensa, sobretudo quando a mãe estava morta. Respeitou o tempo proposto por Foster. Entretanto, Jacques ficou indignado com aquela relação, apesar de esconder o descontentamento ao patrão.
Dias se passaram, Olavo chegou à fazenda depois de se formar na universidade de Fortaleza. Encontrou apenas os irmãos na fazenda.
— Papai saiu de viagem. — Respondeu o menino Rodrigo.
— Bem-vindo de volta, irmão. Vejo que está mais bonito do que antes. Nem parece o filhinho de papai mimado. — Brincou Nathália, apertando as bochechas do primogênito.
— Papai não precisa mais se preocupar com o trabalho. Estou aqui para substituí-lo como o dono legítimo da fazenda.
A relação entre Olavo e Nathália não era tão amistosa. Os irmãos mais velhos eram alfas e sempre brigavam por quererem a cadeira presidencial do seu pai.
Um dia chuvoso e cinzento, uma dúzia de fotos chegou às mãos de Olavo. Elas mostravam Nestor entrando no clube e beijando uma pessoa não identificada. Tais fotografias acendeu a ira dos mais velhos que pediram ao patriarca que parasse de ver o prostituto.
— Não podemos nos casar. Eu sinto muito. Não virei mais ao clube.
— O quê? Mas por quê? O que eu fiz de mau?
— Você não teve culpa. Alguém tirou a nossa foto e revelou aos meus filhos. Dois deles ameaçaram sair de casa se eu levá-lo à fazenda.
— Entendo.
— Mas eu não quero perdê-lo de vista. Só preciso mais de tempo até eu me aposentar e deixar a fazenda aos meus filhos. Você pode me fazer esse favor?
— Nos veremos escondidos?
Foster ofereceu dinheiro ao amante, porém este se negou. Prometeu esperar o quanto fosse até um dia estarem prontos para se casarem.
...
De 2010 a 2012, a relação entre Nestor e Francisco era unicamente fora do clube. O ponto de encontro era sempre um hotel perto da praia.
Enquanto isso, Leandro, que era apaixonado por Jacques, desistiu dele após tantos rechaços. O argumento do ômega era que estava muito velho para paqueras. Porém, o caseiro gostou de ter tido sexo com um homem mais velho e sempre que podia insistir, insistia. Até um dia cansar e parar de ir atrás do velho.
Jacques sempre permanecia com a cara amarrada, testa franzida, calado e de pouco humor. Foi num desses encontros na cozinha da casa que ele descobriu a verdade sobre a relação secreta do patrão com o irmão mais jovem do mordomo.
— Há quanto tempo sabe disso?
— Uns dois anos. Não acha isso uma pouca vergonha, hã? Um homem do calibre do seu Foster saindo com um prostituto. É asqueroso. — Respondeu de maneira fria enquanto cortava batata.
— Ué? Eu pensei que você tomaria partido do seu irmão.
— Eu não. Não somos tão próximos como imagina. Eu mal o vejo. De vez em quando me pedia dinheiro pois nunca foi bom procurando emprego. Aquele vagabundo decidiu usar o corpo para ganhar grana. Foi assim que o seu Foster conheceu Francisco. Não respeita nem a memória da dona Noêmia.
— Hahaha. Velho, parece que está com ciúme do patrão.
— Fala besteira. Eu com ciúme do seu Nestor? Apenas o vejo como se fosse um irmão mais novo.
— Sei...
Mais tarde Jacques serviu o café de Nestor enquanto este seguia trabalhando na biblioteca. Sua servidão chegava a ser obsessiva. Na mesa, o porta-retrato de Noêmia Foster.
— Que foi, Jacques? Parado feito um poste. Estou lhe chamando pela terceira vez.
— Desculpa?
— Fiquei pensando um bom tempo. Decidi trazer o seu irmão para viver na fazenda.
Jacques deu um sobressalto ao ouvir tais palavras inacreditáveis saírem dos lábios de Foster.
— Mas... mas senhor...
— Claro que os meus filhos discordariam se eu trouxesse o meu namorado pra cá. Entretanto, não quero que Francisco continue trabalhando num lugar daquele. Andei pensando, decidi que trarei ele como se fosse um empregado da fazenda. O que acha?
— Isso é muito arriscado, senhor.
— Por quê? Só nós sabemos, não? Jacques. Você contou pra mais alguém?
— Perdão. Disse tudo para o Leandro.
— Depois eu falo com ele. Não quero que os meus filhos nem outros empregados saibam. Certo? Pode sair.
Na mesma semana, Francisco deixou de trabalhar no clube para ir à fazenda.
A relação entre irmãos era puramente profissional. Na fazenda o clima ficou estranho entre eles. Jacques não suportava a presença do próprio irmão e da relação secreta com o chefe da casa.
Por cinco anos o romance de Nestor e Francisco era puramente de dois amantes que se amavam profundamente e sem qualquer tipo de laço que visava o futuro. No entanto, esse relacionamento mudou quando Foster resolveu ter um filho com Francisco.
O mordomo, abismado, pediu ao patrão que reconsiderasse. Ter um quarto herdeiro era inadmissível, sobretudo pelo legado de dona Noêmia e tudo o que ela representava na casa.
— Não sei por que estou discutindo isso com um empregado. Jacques, há quanto tempo trabalha para a minha família?
— Trinta anos, senhor.
— Você foi ajudado pelo meu pai e, após eu herdar a fazenda, quem me ajudou foi você. Mas não confunda uma coisa com a outra. Não tem total liberdade para se referir a mim nesse tom. Amo o seu irmão e isso é tudo. Esperei muito tempo, portanto teremos um filho sim.
...
Decidido a ir adiante com o seu relacionamento de oito anos, Nestor pediu para Francisco ter um pouco mais de paciência. Contar a verdade requeria tato e coragem.
Nesse ínterim, Olavo recebeu pelo correio fotos compremedoras entre o seu pai e o atual empregado. Por meio de cartas escritas por colagem de letras, descobriu o relacionamento secreto de Nestor. Para acabar de vez com o relacionamento deles, o primogênito contratou Leandro para dar em cima do ômega. Infelizmente o caseiro se apaixonou por Francisco, que rechaçava-o frequentemente. Num dia, nesses rechaços, Nestor viu os dois juntos no estábulo.
CONTINUA
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