Johnny... O bom detetive
73 Parte 06: Flashback // Capítulo 02: Francisco
O ponto de encontro dos nobres cavalheiros era um bar histórico no centro de Fortaleza. Apenas varões eram convidados ao local onde reuniam-se empresários, políticos e filantropos. Nestor era um membro antigo e o que dava mais contribuição. Entretanto, após a morte de Noêmia, ele passou meses sem ir.
Os demais estranharam a presença repentina do viúvo e a roupa que usava. Explicou que estivera numa festa de bodas de um político amigo da família, por isso a roupa típica.
— Obrigado por não me golpear, amigo. Mas é sério o que eu disse. Seu aspecto é horrível. Quem sabe um novo amor esquenta esse seu coração gélido hehehe.
— Eu não vim aqui para ser aconselhado por ti, Wagner, como se fôssemos dois universitários.
Outros colegas do fazendeiro entraram na conversa. Os varões bebiam licor e fumavam charutos tal como antigamente, no começo do século XX. Todos eram pessoas de certa importância desde fiscais do governo até empresários.
— O que você precisa é de uma garota de programa. Sexo sem sentimentos. E não me venha com sentimentalismos, Nestor. Somos alfas e sabemos que nossos corpos precisam do sexo para prover uma necessidade básica.
— Espera, Joseph. Você não é casado com a secretária de urbanização de Caucáia? Que bicho safado! — Exclamou Wagner.
— Nosso casamento é praticamente por conveniência. O sexo é ruim, por isso eu prefiro minhas "primas".
— Rapazes, deixem o Foster respirar. Nenhum de vocês perderam a esposa num acidente trágico. Respeitem o seu luto.
— Obrigado, Sidney, mas eu vim para afogar a saudade e encontrar alguma solução para essa solidão. Preciso espairecer um pouco.
No balcão, um homem ouviu tudo o que o empresário disse. Terminou de beber, aproximou-se e fez uma breve apresentação.
— Você deve ser Nestor Foster, certo? Não me reconhece? Sou Ciro Maldonado. Fomos colegas de classe na universidade.
— Ciro? Agora me lembrei. Rapazes, a reunião termina agora. Estou de saída. — Saiu do bar e foi para fora. — Senhor Maldonado. Você é aquele que sofria bulliyng por ser pequeno?
— Sim, você me salvou. Eu sou alfa, porém minha estatura é pequena. Não passei de 1,68. Isso é tão frustrante. Mudando um pouco de assunto. Eu te ouvi naquela conversa com os seus amigos. Sinto muito pela sua esposa.
— Tudo bem. É a vida. Milhões de pessoas morrem no mundo todos os anos.
— Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de você procurar uma distração e sair do luto. Eu sei, eu sei que soei meio repentino agora, mas posso te ajudar nesse aspecto. Não tem nada a ver com esse negócio de fazer sexo com prostitutas. É algo muito melhor.
— E o que seria?
— Aqui está o meu cartão com o meu número. Não posso falar aqui numa via pública, pelo telefone é mais apropriado. Fique à vontade para me ligar no tempo apropriado.
Maldonado saiu a pé enquanto Foster entrou no carro. Olhou por um tempo o cartão simples com o nome e o número. Guardou no bolso do blazer.
...
Dias se passaram desde o inusitado encontro com Ciro. A vida do fazendeiro não mudou em absoluto. Seguiu comandando as coisas tanto na fazenda quanto na fábrica.
Na horta, trabalhadores colhiam todo o tipo de legumes e verduras. Um fiscal do governo estadual visitou as hortaliças e averiguou se a fazenda usava ou não agrotóxicos. A licença com a venda ao governo estadual ficou estagnada por 30 dias até ser retomada. A produção e colheita foram afetadas pela decisão. Assim Nestor viajou à Brasilia para um encontro com o ministro da agricultura.
O avião aterrissou na pista de pouso da fábrica. Nestor não esperou para voltar ao trabalho.
Numa reunião tensa com outros diretores da fábrica, quase surtou diante de todos. Sua secretária aconselhou para cuidar da saúde e da mente, haja vista o aborrecimento extremo poderia ser prejudicial a ele.
— Eu pensei que havia desistido, Nestor. Deduzo que é quase um milagre você ligar para mim.
— Quero saber sobre esse lugar que citou dias antes. Não pergunte, apenas me diga.
— Tudo bem. Eu direi em forma de código pois é um lugar que também possui atividade ilegal. Anote.
O homem citou a sigla BBV e o número da localização do seu clube. Foster passou um bom tempo quebrando a cabeça para decifrar tudo. Mais tarde ele guardou o papelzinho dentro da lista telefônica.
Boate Boca de Veludo
Era a primeira vez que ele entrava numa boate. Não era do seu feitio, pensou ir embora, mas Ciro apareceu para levá-lo ao seu escritório no último andar.
— Eu te subestimei, Maldonado.
— Todos dizem isso na primeira vez que põem os pés aqui. Ah, esse é o meu filho Nilo.
O jovem Nilo cumprimentou Nestor.
— Vamos deixar essas formalidades de lado, Ciro. Eu vim aqui para conhecer um dos seus ômegas. Quero o melhor.
— Você é um puta visionário, meu amigo. — Ciro ligou para alguém. — Pronto. Você tem 1 hora com o nosso melhor. Francisco da Silveira é o mais top e também é maduro.
— Eu pensava que seria alguém novinho.
— Não julgue o livro pela capa. Francisco já tem 40 mas ainda é fogoso como se fosse um adolescente. Vá e veja se eu estou errado.
Na boate, Nestor presenciou Francisco iniciar um espetáculo de striptease para todos ali. Ele era o centro das atenções com o seu show erótico. Ao som de uma música caliente, ele começou a se despir de sua roupa de bombeiro. Assim que tirou todas as peças, exceto a cueca, Nestor viu o quão lindo era o corpo daquele ômega. Para a idade dele era incomum manter o corpo esbelto e com algum músculo. Seu bumbum era arrebitado.
Após o show, o fazendeiro permaneceu no bar quando Francisco apareceu.
— Então eu tenho uma hora contigo? Que tal se eu fazer o mesmo show que eu fiz ali, mas em particular?
— Não preciso. Já vi de tudo, meu caro. Continue vendendo o seu corpo por aqui, e eu trabalhando por aí.
O fazendeiro saiu, deixando Francisco sem reação.
CONTINUA
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