Johnny... O bom detetive
72 Parte 06: Flashback // Capítulo 01: Nestor Foster
O delegado Jarbas invadiu o estábulo sem se importar com o fogo. Encontrou os dois amarrados. Pegou um canivete e cortou a corda. Tanto ele quanto Fredd carregaram o jovem Foster para fora do estábulo antes que o fogo se alastrasse. Jarbas pegou um pano molhado, colocando no rosto de Rodrigo enquanto fazia uma respiração boca à boca. O rapaz acordou, tossindo e engasgando.
Os capatazes fizeram uma barricada com feno e atacaram os policiais a tiros.
Dentro da casa, as coisas também ficaram quentes no confronto entre Johnny e Olavo.
— Você contratou o Fernando para matar o seu pai por causa de ambição. Hoje pela manhã o Francisco e o Leandro relataram tudo o que sabiam pois ontem à noite um assassino tentou matá-los no hospital municipal de Jati. Nós estivemos lá. Eu te gravei confessando o esquema todo com eles horas antes da viagem. Apenas foi um golpe de sorte o Francisco ter dado à luz ao seu irmão naquelas condições.
— É fim da linha pra você, doutor. — Disse Lucas. — Nós temos todas as provas para colocá-lo na prisão por vários anos.
Mas Olavo permaneceu quieto e sem expressar nenhum sentimento de medo.
— Vai ficar calado? Quer saber como descobri o verdadeiro assassino do seu pai? Pois bem. Eu desconfiei do Fernando desde aquele dia em que a polícia federal deu uma batida na tua fábrica. Enquanto eles se apropriaram dos computadores, Lucas e eu fomos até o depósito de carga falarmos com o supervisor da parte da tarde chamado Fernando Silva de Melo. Ele me contou sobre o dia da morte do senhor Foster. Contou sobre o namorado do Rodrigo e do outro supervisor, Kevin Aguiar, seu amigo. À noite, Rodrigo, Lucas e eu entramos na fábrica, clandestinamente, no mesmo dia. Falamos com o tal Kevin, ele desconversou e saímos. Decobrimos depois que o cara fora assassinado com um tiro no peito dado por alguém misterioso. A polícia quebrou o sigilo telefônico do tal Kevin e descobriu que segundos antes de morrer ele mandou uma mensagem para o Fernando, confirmando que o viu na noite da morte do seu Nestor. Essa informação coincide com um print tirado da gravação do pendrive que eu adquiri da tua irmã. Numa das filmagens mostra o Kevin olhando para uma direção — um ponto cego da câmera — e se surpreendendo com o que viu. Ele testemunhou Fernando, fora do seu horário de trabalho, subir a escada que dá para a passarela superior externa e que dá para a área administrativa. Após isso descobrimos que ele havia se mudado, mas por sorte o elemento morava numa casa no meio do nada no Rio Grande do Sul. Que burro ele, não é?
O semblante de Olavo mudou completamente. A sua autoconfiança se foi assim que ouviu tudo o que o detetive disse. Cada fato narrado realmente aconteceu. Era assombroso como Johnny falava cada momento da história como exatidão.
— E sabe o papel do Francisco e Leandro? Ele me contou que você descobriu o caso dele com o seu pai ainda na época em que ele trabalhava na fazenda. Para evitar que o seu pai se casasse com ele e trouxesse um bastardo ao mundo, você pediu ao Leandro para se aproximar e ter relações com ele. Leandro e Francisco eram amigos, mas a amizade acabou quando Nestor descobriu que o caseiro dava em cima do amante. Foi por isso que o Francisco se mudou da casa para o hotel. O velho Foster ficou ciumento e botou o amante para trabalhar na serra. Meses depois você pediu ao seu caseiro para encontrar alguém para matar o seu pai. Fernando é primo do Leandro. Você pagou dinheiro ao seu empregado a fim de dá-lo ao primo dele e assim matar o seu pai, porque você sabia que a qualquer momento a herança seria dividida para mais um. Sua intuição sussurrou no seu ouvido que a qualquer momento o Nestor faria filho no Francisco. E sabe como o velho Chico soube? Ele me contou que um dia o Leandro surgiu bêbado e tentou atacá-lo. Contou sobre você ser o mandante do crime. Sabe qual foi esse dia? Naquela segunda-feira depois do domingo do enterro. Eu senti os feromônios do Leandro e passei mal no restaurante. Depois senti os mesmos feromônios quando voltei à fazenda para falar com a tua irmã. Toda essa história se encaixa, doutor Foster. As pontas soltas se amarraram. Você mandou matar o seu pai por medo de cortarem ainda mais a fatia da sua herança. Mas não adiantou muito pois o filho que o Francisco teve é do seu pai.
Olavo sentou no sofá. Por alguns segundos ficou calado até voltar a ver o detetive.
— Eu nego. Continuo negando. Vamos aos tribunais e sempre direi que sou inocente. Esse é o meu direito.
— Sim, eu sei. Mas deixe-me explicar um pouco mais dessa história complicada que é a vida do seu pai.
Cemitério Municipal, 2005
O padre fazia a oração enquanto o caixão descia à cova. Cerca de oitenta pessoas assistiram ao enterro de Noêmia Foster.
Sentados à frente, Nestor e os seus três filhos. Após o enterro, voltaram para os carros. Olavo já era um homem de vinte e poucos anos, Nathália uma adolescente e Rodrigo uma criança de sete para oito anos.
— Senhor Foster, vai direto para a fazenda ou para a fábrica? — perguntou Jacques que dirigia o carro.
— Vamos para casa. Não tenho a mínima vontade de trabalhar. — Respondeu enquanto mantinha Rodrigo com a cabeça em suas pernas.
Meses se passaram. Após concentrar 100% da vida ao trabalho, ele sentiu vontade de acabar com o luto. Na reunião entre nobres cavalheiros em Fortaleza, conversou com amigos acerca de encontrar um novo amor.
— Sério. Você perdeu peso, Nestor. Está na hora de partir para outra, amigo.
Trajado com terno de festa, com um copo de uísque na mão e um charuto em outra, respondeu:
— Wagner, há pouco tempo você teria o meu desprezo. Hoje, porém, percebo que preciso aliviar-me um pouco.

CONTINUA
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