Johnny... O bom detetive
78 Parte 06: Flashback // Capítulo 07: Déjà-vu
Por volta das 22:48 Nestor preparou uns papéis dentro da sua pasta quando a porta do seu escritório abriu. Viu o assassino aparecer repentinamente. Debaixo da mesa apertou um botão com alarme silencioso, mas a essa altura Olavo havia desligado.
— Calma, rapaz. Calma. O que você quer, hein? Dinheiro? Posso te dar o que quer.
— Não. Apenas a sua cabeça.
Fernando apertou o gatilho, dando dois tiros no peito de Nestor. Ali mesmo o fazendeiro agonizou enquanto lembrou de Francisco pela última vez até dar o seu último suspiro.
O segurança havia saído por alguns minutos a fim de jantar na cantina da empresa. Ao retornar, viu a porta do escritório presidencial aberto.
— Seu Foster! Seu Foster! Meu Deus.
Ele chamou o socorro e avisou imediatamente aos filhos. Rodrigo se desesperou ao o pai morto, sendo segurado por Fredd.
...
O jovem Foster depôs na delegacia, omitindo fatos acerca de Fredd. Não queria colocá-lo em risco de deportação, por isso não contou o fato de estarem juntos. E Fredd confirmou a mentira.
O impacto da morte de Nestor foi tanto que Nathália surtou e acusou o imigrante de tê-lo matado.
— Cansei dessas acusações infundadas. Voltaremos para a Fazenda. Vamos, baby.
— Espera, Rodrigo.
Olavo se aproximou da irmã para fazer uma alerta. Ele sabia do caso amoroso dela com o secretário. O homem fora o último funcionário a sair da área administrativa antes de Rodrigo. Se a polícia acusasse o irmão caçula, obviamente a sua posição social lhe permitiria contratar muitos advogados, entretanto o mesmo não ocorreria com o secretário.
— Se eu fosse você, pegava todas as gravações daquela parte da fábrica. Deve haver alguma gravação entre vocês aos amassos, não é? — Sussurrou.
— Como sabe?
— Intuição. Vocês tomam essa liberdade pois as filmagens são gravadas numa sala sem ninguém. Mas e se a polícia ver? O escândalo que seria? Eu me preocupo com a tua imagem, irmã.
— Deus do céu. Eles poderiam nos chamar de cúmplices. Droga. Não sei por onde começar.
— Então faça o que eu lhe instruir.
Ela assentiu. Imediatamente voltou para a fábrica a fim de pedir todas as gravações da área perto do depósito. Antes mesmo da polícia exigir as gravações, tais filmagens havia sumido.
Os empregados se desesperaram quando souberam da morte de Nestor, sobretudo Jacques. As lamentações foram tantas que o rapaz beta não aguentou e subiu com o namorado.
— O que faremos? Vão me acusar de um crime que eu não cometi só porque sou estrangeiro.
— Calma, baby. Ninguém vai acusá-lo de nada. Fica tranquilo. Já sei o que farei.
— O quê?
— Vou contratar o melhor detetive desse estado. Tenho certeza de que ele elucidará tudo.
...
— O que é isso? O que tem nessa caixa? Oh... uma arma! E esse cheiro?
— Esse revólver está embebido com os feromônios do namorado do Rodrigo. Consegui comprar a arma ilegalmente e depois usei uma toalha de rosto com o suor dele para encher de feromônios. Você vai falar para a polícia e qualquer um que chegar aqui que recebeu uma caixa com a arma e o pendrive.
— Mas eu já tirei as filmagens que eu apareço.
— Certo. Mas essa é uma falsa prova que servirá apenas de distração. Eles acreditarão que todas as filmagens estarão no pendrive. Se eles pedirem, faça uma cena, peça condições ou enrole. Quanto a arma... nosso cunhado levará a culpa ou pelo menos será o principal suspeito. Você será beneficiada com isso duas vezes. Primeiro que ficará longe do escândalo com o seu secretário, segundo que você se vingará do alemão. E aí?
O diálogo sucinto de Olavo fizeram bastante sentido para a irmã. Será necessário atuar se for confrontada por alguém da lei.
— Incrível. Você é tão frio. Nem parece que se importa com a morte do nosso pai.
— Por que acha isso? Falando assim até pareço um sociopata.
De fato Olavo não se importou.
...
A morte de Nestor Foster impactou efetivamente na vida e nas emoções de Francisco. O seu alfa, a pessoa que lhe marcou, morreu de uma forma tão trivial. No dia que soube, desmaiou e se acabou em lágrimas. Os funcionários tentaram ajudar o gerente de todas as maneiras e até mesmo sugeriram que fechasse o hotel por alguns dias, mas ele rejeitou a ideia.
No sábado, recebeu uma ligação inusitada de Rodrigo acerca da ida dos detetives à serra. Nessa ligação eles combinaram de recebê-los.
No domingo, Francisco, mesmo abatido, recebeu Johnny e Lucas no hotel.
Ainda no domingo, o corpo de Nestor Foster chegou à fazenda para o velório. Na manhã daquele dia, amigos, conhecidos, empregados e outras famílias tradicionais compareceram ao local. Durante a recepção dos convidados, Nathália e Olavo foram os únicos que agradeciam a presença das pessoas. Em contrapartida, Rodrigo abominou a presença de tantas pessoas ao evento, haja vista algumas delas nem eram amigas dos Foster.
— Não vai descer? Afinal é o seu pai. — Argumentou Fredd ainda nu na cama do namorado após o sexo.
— Não pretendo descer e cumprimentar esse bando de hipócritas. O senhor Zawaski virá logo e preciso ser convincente. Agora vá tomar banho pois eles já chegaram.
Houve o primeiro contato dos detetives e todo desenrolar no primeiro momento da investigação. Jacques levou-os à biblioteca, Rodrigo apareceu, foram para o quarto e apresentou Fredd ainda como Germaine Henkel.
Após o enterro, Olavo recebeu uma ligação anônima. Nada mais nada menos do que Fernando pressionando-o a entregar os cem mil. Como os detetives ainda estavam na fazenda, foi para o vestíbulo.
— Continue trabalhando normalmente. Leandro entrará em contato.
— Tu não me engana, doutor. Cem mil na minha mão até o fim de semana. Não aguento mais essa ansiedade. Se não quer que eu abra o bico...
— Não me ameace. Isso é um erro que espero que não volte a cometer. O motivo da demora é porque a polícia está por perto e agora dois detetives particulares. Portanto, continue trabalhando normalmente até o pagamento.
Johnny apareceu atrás dele. Olavo inventou uma conversa para assim não levantar suspeita. Desligou.
CONTINUA
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