Johnny... O bom detetive
71 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 26: O assassino
Era um clima pesado tanto dentro quanto fora da fazenda. A chuva voltou a cair na região metropolitana e na região da serra. Ao mesmo tempo, Rodrigo confrontava o irmão como nunca antes. Saber que Olavo fizera o seu namorado parar na cadeia por um crime que não cometeu foi a gota d'água.
Os empregados ouviram a gritaria, foram ver o epicentro da dicussão enquanto deixavam de lado as suas tarefas diárias. Depois da ida de Jacques, a casa ficou um desastre.
— Mas o que é isso, Rodrigo. Veio fazer cena nessa manhã? Não acha que está sendo ruidoso demais?
— Você não sabe na confusão que se meteu ao incriminar o Henkel.
Arrogantemente, Olavo fez piada sobre o caso, desceu e foi para a sala de estar pegar um pouco de uísque. A única que não entendia era Nathália, que preferiu ficar sentada no sofá.
— Você sabe que isso é crime, não é?
— Tenho meu advogado para me livrar dessa. Você veio da capital, rodou a estrada até aqui só para falar isso? Esse é o seu acerto de contas?
Nathália suspirou. Contou ao irmão mais novo que não sabia até então que fora Olavo quem mandou o pacote com o a arma cheia dos feromônios do Fredd.
— Só descobri depois que os detetives tomaram posse do pendrive. Percebi que não estava por dentro da história. O próprio Olavo me contou.
— Exato. Eu contei a verdade para ela. No dia seguinte à morte do nosso pai, recebi a arma no meu escritório com o cheiro desse aí. Ela estava dentro de um pacote, na frente do meu antigo escritório.
— E quem me garante que não foi você mesmo quem atirou no papai com ela?
— Sabe o que eu acho? Que nossos pais erraram quando fizeram um bostinha como você. Eles deram uma fraquejada quando te fizeram. O terceiro filho da família Foster é um beta e se encostou com um filhote da máfia alemã. Se isso não é motivo para desgosto, não sei o que é.
— É isso que você pensa de mim, Olavo?
— Sim. Penso exatamente assim. Eu sempre te odiei como irmão. Não vai ser agora que as coisas mudarão.
Rodrigo respirou fundo. Sem prévio aviso, deu um soco no queixo do mais velho. Logo os irmãos se agarraram na sala enquanto Fredd e Nathália tentaram separar os dois.
— Vamos embora, Rodrigo.
— Eu posso ser beta, gay e menor em estatura. Mas ainda sei como esmurrar um lixo igual a você.
O primogênito correu atrás dos dois, mas viu o carro sair. Imediatamente correu ao telefone na parede, ligou para o segurança na entrada da fazenda. Ordenou que não abrisse o portão e que detesse Rodrigo.
— Vai com calma, Olavo. Deixa ele ir.
— Deixar uma ova. Esse moleque não vai chegar aqui e fazer o que quer.
Os seguranças impediram a ida de Rodrigo. O jovem Foster ficou indignado pela atitude dos empregados, mas eles explicaram que era Olavo quem pagava os salários.
— Vai me bater, irmãozão?
— Melhor.
Os seguranças e capatazes prenderam Rodrigo e Fredd no estábulo. Olavo ordenou que pusessem fogo após tirarem todos os cavalos.
— Que loucura é essa, irmão? Você vai matar duas pessoas?
— Para de choramingar. Só quero dar um baita susto naquele vagabundo.
— Eu não faço parte disso. Solta o Rodrigo agora.
O homem esperou a irmã dar as costas para golpeá-la com a coronha do seu revólver. Seu intuito era matar os dois.
Pediu ao piloto do helicóptero para preparar a aeronave pois em poucos minutos partiria para a pista de pouso da fábrica.
Carros da polícia chegaram na entrada da fazenda. Foram recebidos à bala pelos capatazes.
— Se preparem. Eles estão de escopeta — disse o delegado Jarbas.
Johnny e Lucas acabaram de chegar depois da confissão de três pessoas na delegacia. O juiz decretou a prisão preventiva de Olavo depois do áudio e dos testemunhos.
Uma troca de tiros deu início. Os policiais venceram, haja vista o número deles era maior. Os empregados foram presos.
Olavo esvaziou o cofre da fazenda, retirando uma mala com dois milhões de dólares de dinheiro não declarado.
Os carros passaram pelo estábulo. A fumaça chamou a atenção. Jarbas mandou desviar a rota para ver o incêndio. Johnny e Lucas, porém, não alteraram o caminho.
— Deixa o avião ligado. Chegarei em cinco minutos.
O homem terminou de colocar o terno, saiu do quarto com a mala e desceu. Johnny estava na frente da porta.
— O que é isso? Por acaso hoje é o dia nacional dos perdedores? Vocês não se cansam de virem aqui e saírem de mãos vazias?
— Senhor Foster, eu tenho a mais absoluta certeza de que hoje eu saio com a mão bem cheia.
— Do que você está falando?
— Ele está dizendo que o senhor está preso. — Respondeu Lucas.
— Preso com base em quê?
— Você orquestrou a morte do seu pai. Não adianta negar. Temos três pessoas que apontaram você como o mandante do crime. Uma delas é o Francisco, que só não morreu porque chegamos a tempo de deter o assassino contratado por você para matá-lo.
Olavo engoliu em seco.
— Vocês me acusam com base na alegação de três testemunhas. Que eu saiba, para condenar um réu, o testemunho vale menos do que a prova material.
— Eu tenho a prova. Mandei o seu cunhado, que você odeia, colocar um microfone no escritório do Francisco. Essa semana você esteve lá e confessou ser o mandante do crime.
O delegado Jarbas chegou ao local do fogo. O estábulo ardia em chamas com Rodrigo e Fredd amarrados dentro. Eles ainda não desmaiaram pela fumaça, mas cada segundo era crucial. O delegado escutou os gritos e entrou.
Ainda na casa, Olavo custou a acreditar que aquele era o seu fim da linha. O helicóptero foi ligado, e Johnny era o último empecilho para a sua fuga.
— Quanto você quer, hein? Vamos. Diz o seu preço.
— Está me ofendendo, senhor Foster. Okay, eu vou dizer. Fernando Silva de Melo, o homem que matou o seu pai.
Fale com o autor