Johnny... O bom detetive
65 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 20: Dores do parto
— Se-senhor Zawaski? O que faz aqui?
Ele segurou no pulso de Francisco e, mesmo ofegante, puxou o gerente.
— Aonde me leva?
— Para a delegacia. Tava pensando em fugir? Pois agora vou te levar agora mesmo para ser interrogado!
Francisco tentou se soltar, mas o detetive era jovem e mais forte. Eles pararam no meio do restaurante.
— Você escondeu de mim que teve um caso com o pai do Rodrigo. Por quê?
— Eu não tenho obrigação de respondê-lo.
— Aposto que a criança em seu ventre é do falecido — Francisco estremeceu. — É tão fácil provar tudo o que eu disse. Um exame de DNA, com a ajuda do sangue do Rodrigo, provaria a paternidade de Nestor, consequentemente o romance que vocês tiveram.
— Eu... eu não posso falar nada. Minha vida e a do meu filho estão em jogo.
— Você sabe quem matou Nestor, né? Alguém está te ameaçando.
Leandro, com uma barra de metal, aproximou-se por trás e bateu na cabeça de Johnny. Ambos fugiram do hotel enquanto o detetive ficou inconsciente no chão do restaurante.
Enquanto isso, Rodrigo recebeu Jacques em seu apartamento. O mordomo parecia ansioso com algo.
Fredd ofereceu uma xícara de chá ao homem.
— Obrigado.
— Mas fala, Jacques. Por que se deu ao trabalho de vir até a minha casa? Nunca que você esteve aqui antes.
— Sim, senhor Rodrigo. Desculpe-me pela minha presença repentina. Devia ter avisado de antemão. A minha intenção é falar sobre o meu irmão.
— Seu irmão? E quem é o seu irmão?
— É o Francisco.
Rodrigo se surpreendeu.
Os dois fugiram pela BR enquanto Johnny permaneceu desacordado no hotel. Um carro Uber parou no estacionamnto e dele saiu Lucas.
— Johnny! Acorda!
O rapaz segurou o namorado nos braços e o levou para dentro do seu quarto. Deitou-o na cama e pegou o kit de primeiros socorros. Colocou uma gaze com pomada atrás da cabeça do ômega e esperou acordar.
— Ai! Minha cabeça dói. — Resmungou.
— Está bem?
— O que aconteceu?
— Não sei. Eu cheguei há pouco e te vi desmaiado no chão.
— Merda. Se não fosse pela minha cabeça... Não sei quem me bateu, mas sei que eu tava a um passo de fazer o Francisco confessar quem matou Nestor. Pelo jeito ele está sendo ameaçado. Lucas, o Francisco é valiosíssimo para essa investigação.
Na rodoviária, Leandro e Francisco esperaram o ônibus interestadual com o destino para Belo Horizonte. Entraram no veículo.

Enquanto isso, Jacques revelou ao patrão sobre o seu parentesco com Francisco. O beta jamais imaginou isso dos dois mesmo na época em que ambos trabalhavam na fazenda.
— Para mim eram duas pessoas completamente diferentes. Então foi você quem foi ao clube buscar o Francisco a mando do meu pai.
— Sim.
— Você devia ter me dito, Jacques. Não devia guardar esse segredo. Era o meu direito como filho dele saber do relacionamento dos dois.
— Sinto muito.
— Presumo então que o filho que ele espera é o meu irmão? — Jacques assentiu.
— Seu Nestor era feliz com Francisco durante um bom tempo. Tanto que fez o seu quarto herdeiro, o bastardo, nele. Os únicos que sabem disso sou eu, o Francisco e o patrão quando era vivo. O senhor é o único dos irmãos que sabe a verdade, os outros acham que Francisco está grávido do Leandro. Este pensa que o filho é dele, coitado.
— Meu Deus do céu. Essa é uma informação quente. Papai deve ter gostado muito dele, após a minha mãe. Não sei porque ele nunca assumiu esse romance.
— Seu Nestor não era flor que se cheirasse. Desculpa, mas o seu pai era um homem horrível. Um dia presenciei ele batendo na cara do Francisco. Mais tóxico do que ele só o Rio Ganges.
— Não sei o que dizer. Papai sempre foi desse naipe.
— Quero te dizer outra coisa. Senhor Rodrigo, posso vir trabalhar para o senhor? Não quero mais viver na fazenda.
...
Anoiteceu. A quebra de sigilo telefônico foi aceita pelo juiz. O delegado ligou para o celular de Johnny, mas quem atendeu foi Lucas.
— Darei o recado. Conseguiram a gravação de todas as chamadas telefônicas da casa do suspeito.
— Nessa hora o Francisco já deve ter fugido. Pode estar em qualquer lugar. — Falou enquanto mantinha uma bolsa gelada atrás da cabeça.
— Confiança, chefe.
— Esqueceu do que eu disse? Era pra parar de me chamar de chefe.
— Brincadeira. Sei muito bem que era para não dizer. Quero levantar o seu ânimo. — Lucas dedilhou a calça do ômega até chegar no zíper. — Posso?
Johnny assentiu. O moreno abriu a sua calça e passou a fazer sexo oral nele.
...
O delegado encontrou uma breve ligação acerca de uma viagem para a Argentina. Logo, o rosto do suspeito foi de conhecimento por todo o território nacional como o maior suspeito da morte de Nestor.
Horas se passaram e a polícia do Rio Grande do Sul encontrou uma casa bem no interior. O suspeito sequer atravessou a fronteira, vivendo nessa residência de maneira clandestina.
Após um banho, Johnny se lembrou de algo de grande importância. Antes de ir para a Fábrica na noite de quinta-feira, pediu ao Fredd para instalar dois microfones em lugares estratégicos. O primeiro era no quarto de Francisco e o segundo em seu escritório.
— Não sei onde Fredd colocou exatamente esses microfones, por isso procuraremos com mais afinco.
A dupla forçou a entrada do escritório, entrou e procurou pelo objeto.
Minutos de procura, Lucas encontrou o microfone num fichário na estante atrás da mesa. Saíram.
— Este microfone possui um gravador próprio. Só preciso conectar no meu notebook. Agora é a vez do quarto.
O segundo objeto foi encontrado. Johnny viu, escrito no calendário da parede, a sigla BBV. Era o local em que havia visto antes de achar o papelzinho.
...
Na madrugada, o ônibus ainda rodava o interior do estado. Era para o plano seguir como Olavo previra, exceto um porém.
Francisco sentiu algo na sua barriga. O bebê começou a dar fortes pancadas. Sentiu uma dor incomum. Leandro se desesperou e disse que o ômega estava em trabalho de parto.
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