Johnny... O bom detetive
66 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 21: Prematuro
Por volta da 1 da madrugada de quarta-feira, Johnny estacionou o carro na frente do prédio de Lucas. Eles saíram do automóvel e entraram.
O notebook estava descarregado, por isso ele não pôs o o gravador ainda na entrada USB.
— Seja o que for, eu tenho quase certeza de que há algo relevante nesse áudio.
— Da próxima vez não me deixa para trás como se eu não tivesse importância em sua vida. Fiquei irritado.
Johnny sentou Lucas no sofá e ficou sobre as pernas dele. Ambos se beijaram.
— Prometo que não faço mais isso. Acontece que fiquei ansioso em capturar o Francisco.
— Não é crime ele ter ido embora. Afinal não está sendo acusado de nada.
— Não terei pena dele se for cúmplice da morte de Nestor. O fato de sermos ômegas não significa nada. Eu sempre fico ao lado da lei.
Enquanto isso, o ônibus parou numa cidade interiorana, perto de um hospital. Os passageiros fizeram questão de pararem mesmo com o motorista se negando.
— Pagamos o bilhete, portanto temos o direito de acharmos o que é melhor.
— Entenda, senhora, não sou eu. Tenho hora para chegar. A empresa é que regula isso.
— Você vai fazer o que a gente pede, não seu patrão. — discutiu um homem.
A causa do tumulto era a situação crítica de Francisco após ter a bolsa amniótica estourada. As mulheres, incluindo alguns homens ômegas, ajudaram o homem com o trabalho de parto, mas a sua pressão diminuía cada vez mais. Como Francisco tinha mais de cinquenta anos, o parto era de risco. Os passageiros pediram ao motorista uma parada num hospital próximo.
No hospital, o bebê nasceu prematuro, com 1,8 quilo e 4 semanas antes dos nove meses. A obstetra perguntou a Leandro se era o pai, ele assentiu. Francisco ainda permanecia dormindo.
— Posso vê-lo?
— Claro. Está na incubadora.
Ela mostrou o bebê dentro de um vidro. Era pequeno, delicado. Mesmo vendo o pequeno ser, Leandro não sentia emoção. No fundo sabia que não era seu.

— O seu esposo precisou tomar soro na veia. Fizemos cesariana pois ele já tem idade. Por isso não optamos pelo parto normal. O senhor pode vir comigo assinar o termo de responsabilidade?
— Claro.
Era manhã bem cedo quando Francisco acordou num quarto. Ele sentiu um pouco de dor na região da cirurgia. A enfermeira o ajudou a caminhar um pouco para ajudar na circulação sanguínea.
— Posso ver o meu filho?
— Claro.
Ela o levou para ver através de um vidro. Segundo a médica, o bebê estará forte o suficiente em alguns dias. No entanto, Francisco rechaçou a ideia de sair do hospital em dias.
— Não. Eu não tenho tempo para ficar aqui por dias. Tenho um compromisso em Belo Horizonte. Vou sair ainda hoje.
— Não pode, senhor. Não pode fazer isso. Pelo seu bem e da criança.
Leandro, sabendo da impossibilidade de saírem ainda naquele dia, ligou para Olavo.
...
Fazenda Foster
O proprietário arrumou-se, colocando o seu terno e preparando-se para ir à fábrica. Sua esposa e seus filhos continuavam em sua casa na capital.
Nathália entrou em seu quarto, questionou o motivo de Leandro não mais trabalhar na fazenda.
— Ele é livre para pedir demissão. Não vivemos num país livre?
— Por que eu sinto que tem dedo seu nisso? O caseiro nunca comentou comigo que pretendia ir embora. Você está me escondendo algo.
Olavo suspirou, pedindo à irmã que saísse do quarto. Ela acatou e saiu. Não durou muito tempo até que o celular dele tocasse.
— O que foi?
— Patrão, houve um problema.
— Diz.
— O Francisco deu à luz uma criança. Estamos ainda no interior do estado. O ônibus teve que desviar a rota para um hospital, e estamos aqui até agora.
— Péssima hora para o vermezinho nascer. Simplesmente não dá para sair?
— Não, senhor. Ele foi operado e o bebê nasceu prematuro. A médica não permite de modo algum que saiamos.
— Isso é péssimo. Melhor não chamarem atenção. Primeiro despache esse ônibus, depois continuem nesse hospital até a alta do Francisco, mas não saiam para a cidade. Falarei com os meus contatos em BH e SP para adiarem os planos. Entrarei em contato com um conhecido para pegar vocês de carro. Pode me passar o endereço e a cidade?
Leandro fez conforme Olavo falou. Os passageiros entraram no ônibus e foram embora.
...
2 DIAS DEPOIS...
Na sexta-feira, o suspeito de ter matado Nestor chegaria a qualquer momento em Fortaleza. Alguns jornalistas estavam na delegacia. Enquanto isso, os detetives entraram no local e foram conversa com o delegado pela primeira vez depois de alguns dias.
— O que é isso?
— Melhor o senhor se sentar pois vai ser uma história um pouco grande — disse Johnny.
Ele explicou sobre o começo da sua investigação até o momento de colocar os microfones.
— Antes de ir buscar o suspeito, quero que ouça esse áudio. Está completo.
O delegado não teve tempo de ouvir pois estava na hora de buscar o suspeito na base aérea. Pediu que os detetives continuassem na delegacia. Entrou num carro da polícia civil e saiu.
— Calma, Johnny. Daqui a pouco pegaremos o tal Olavo.
— Antes precisamos pegar quem matou Nestor, e Francisco. O áudio é uma prova técnica, mas precisamos de testemunhas de acusação.
Base Aérea de Fortaleza
As viaturas da polícia civil saíram da base, escoltando o maior suspeito de ter matado Nestor Foster. O delegado em pessoa estava no carro com o acusado.
Do lado de fora da delegacia, os repórteres se prepararam para cobrir a chegada da pessoa. O assunto chegou a ser mais importante do que o julgamento de Vince que corria há uma semana.
— O que faremos agora? Vamos atrás do Francisco?
— Calma. Preciso ter um momento com essa pessoa antes de agir contra o Francisco. — Respondeu Johnny.
Os veículos passaram pelo bloqueio policial e entraram no estacionamento da delegacia.
— Detetives, ele chegou — avisou um policial.
Johnny e Lucas foram até a sala de interrogatório. Atrás do vidro, viram o homem sentado e algemado.
— Tem certeza de que é ele? — Perguntou Lucas.
— Absoluta.
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