Johnny... O bom detetive

64 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 19: Plano de fuga


— Vocês são os únicos, além do assassino, que sabem do meu segredo. Entretanto, sinto que aquele detetive está pondo uma corda no meu pescoço, e a cada dia ela aperta cada vez mais. Sabe o que eu descobri? Um informante meu me disse que viu o detetive com o meu irmão naquele clube que você trabalhava. Talvez a essa hora ele saiba do seu caso com o meu pai.

Francisco precisou se sentar após saber da informação.

— O único dali que sabe do meu segredo é o dono do clube.

— Por favor, Francisco. Acha mesmo que o Johnny não entrou em contato com ele? Eu subestimava aquele homem, mas agora o superestimo.

— O senhor entrou em contato com o dono desse clube? — perguntou Leandro.

— Não. Conheço aquele ômega arrogante. Com certeza entraria em contato com Zawaski. Não posso deixar pontas soltas. O mais importante é que já despachei o assassino do meu pai para bem longe, talvez já esteja na divisa do Brasil com a Argentina. Vocês farão o mesmo. Sairão do estado antes que a polícia coloquem vocês na lista de suspeitos.

— E o senhor?

— Francisco, não faça perguntas idiotas. Não me compare a vocês três. Sou uma pessoa muito importante, longe de qualquer suspeita. Mesmo que aquele Johnny tenha toda a certeza do mundo que contratei alguém para matar o meu pai, não tem provas suficientes para me culpar pelo crime. Estou tranquilo.

Mas Olavo revistou Francisco da cabeça aos pés para assegurar não ser gravado. Depois entregou um envelope com cinquenta mil reais ao casal.

— Por que o Leandro? Por que está aqui? Eu já te disse que não quero você mais.

— Você está esperando um bebê meu, portanto serei o seu tutor.

— Os pombinhos resolvem isso depois. Aqui tem dinheiro extra para vocês pegarem um ônibus na rodoviária de Fortaleza. De lá vocês vão para Belo Horizonte onde uma pessoa pegará vocês num carro, de lá vão continuar na estrada até São Paulo. Ele vai entrar no Campo de Marte, perto da Serra da Cantareira, e levará os dois para um avião bimotor que estará na pista. O avião vai levá-los para fora do Brasil na fronteira do Paraguai. Chegando em Assunção o resto ficará por conta de vocês. Se seguirem como planejei, disfrutarão uma boa vida. Agora se você fazer uma gracinha qualquer, juro que te mato e o seu filho no seu bucho. Tá ouvindo, Leandro? Segura teu amante. Senão perde os dois.

— Certo, patrão. Prometo que ficarei ao lado do Francisco todo o tempo.

— Bom saber. Agora comecem a fechar essa espelunca.

Olavo saiu do escritório, deixando para trás os dois que fugirão do país. Ele sequer cogitou a possibilidade de haver um microfone instalado no lugar, colocado por Fredd a mando de Johnny.

...

Saber que o suspeito de matar Nestor Foster fugiu para bem longe foi frustrante para Johnny. Ele estava disposta a pegar um avião para outro país a fim de pegar o alvo.

— Calma. Assim não vai adiantar nada. Sei que é frustrante, mas precisamos esperar o sigilo telefônico for liberado.

— Eu sei, Lucas. Sou suficientemente maduro pra saber os passos que a lei tem que dar. Porém, acho que vai ser tarde demais se ficarmos aqui parados.

— O que tem em mente?

— Nada. Você pode pegar um pouco de café pra mim?

Lucas saiu do corredor e foi para a cantina da delegacia. Ele esperou alguns minutos.

— Demorei por causa da mulher que ainda tava preparando o...

Mas Johnny havia saído pelo menos há dez minutos. O moreno procurou por todas os lugares da delegacia até se dar conta da ausência do carro.

Parado no semáforo, Johnny lamentou por deixar Lucas para trás. Seu desejo era levá-lo, mas a ansiedade de voltar para Guaramiranga falou mais alto.

— Juro que ele não veio para cá, Lucas. Não vejo o Johnny desde ontem. — Falou o beta pelo celular.

— Ele simplesmente saiu e me deixou na delegacia. Rodrigo, estou aqui com uma puta ansiedade. Ele parecia nervoso. Estamos a um passo de pegar o assassino do seu pai.

— Não descobrimos que papai e Francisco não tiveram um caso? Ou seja, talvez ele foi para a serra falar sobre isso. É o meu palpite.

A campainha do apartamento soou. Rodrigo pediu para falar depois. Fredd atendeu à porta.

— Você aqui?

— Senhor Foster, posso entrar? — perguntou Jacques.

Na estrada, o detetive pisou no acelerador o quanto pode. Nos trechos com sensores, diminuía. Não acreditava que Francisco foi capaz de manipular a todos.

— Se Francisco teve um caso com Nestor, então ele deve ter motivo para matá-lo. Não, não pense nisso. Não sei se ele teria coragem.

O restaurante fechou mais cedo. Francisco e Leandro arrumavam as malas.

...

São Paulo, SP

Ainda durante a pequena conversa, Hugo apresentou o seu filho como uma pessoa solteira. Paulo acertou a sua viagem para Fortaleza em duas semanas.

— Tem certeza que o seu filho está solteiro?

— Há um sujeitinho que vive rondando o Johnny como se fosse uma mosca. Eles são meio que amigos sexuais, por isso me incomodo muito. Não quero que ele viva com esse rapaz.

— Tudo bem, tudo bem. Já entendi. Não sei se conseguirei, mas prometo que tentarei o possível para fazer do seu filho o meu esposo.

— Então temos um acordo?

— Sim.

O jovem CEO entrou no seu carro. O motorista dirigia enquanto ele ligava para alguém.

— Alô, Bia? Quando receber essa mensagem, liga para mim. Quero te reencontrar antes da minha ida para Fortaleza.

...

Passou quase uma hora. O carro de Zawaski subiu a serra de Guaramiranga. Cada minuto era importantíssimo.

Leandro arrumou as bagagens. Antes de sair, precisou ir ao banheiro.
O automóvel parou rapidamente. Johnny saiu sem fechar a porta pois não quis dilapidar seu tempo. Procurou por Francisco até achá-lo no seu quarto.

— Se-senhor Zawaski? O que faz aqui.

Ele segurou no pulso de Francisco e, mesmo ofegante, puxou o gerente.

— Aonde me leva?

— Para a delegacia. Tava pensando em fugir? Pois vou te levar agora mesmo para ser interrogado!