Johnny... O bom detetive

63 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 18: Revelação


São Paulo, SP

Na manhã da terça-feira, o magnata da maior rede de hotéis brasileira, Hugo Zawaski, terminou uma reunião com acionistas de uma construtora para fechar um contrato de construção de um resort de luxo em Santos. Na reunião estavam Hugo, advogados, tabelião, os empresários e o secretário municipal de turismo. Antes o empresário encontrou-se com o secretário de turismo do governo estadual.

O hotel Bouganville, na capital paulista, era o local de encontro da reunião. Os escritórios ficavam nos dois últimos andares do prédio.

Os participantes da reunião fecharam um acordo milionário na construção do resort de luxo. Ao sair da sala de reuniões, a secretária avisou que alguém o esperava em sua sala.

— Quem é?

— O senhor Paulo Loyola.

Hugo entrou imediatamente no escritório. O homem estendeu o braço, ambos se cumprimentaram.

— Paulo, a que devo a honra você aqui na filial do Grupo Zawaski?

— Hugo. Há quanto tempo? Desde que o contrato com a Construtora Loyola ocorrera há dois anos, não no reencontramos. Talvez te convide para jogar golfe no meu resort em Palm Beach.

Paulo era um homem acima dos trinta anos de idade, porém era um grande empresário. Filho do dono da maior construtora do país, fez amizade com Hugo na negociação. Sua aparência física era bem vigorosa e forte.

— Você acompanhou o seu pai hoje? Acabei de fechar contrato para um hotel no litoral.

— Sim, mas viemos em carros diferentes. Passei aqui só para... Estou passando por momentos delicados na minha vida pessoal e resolvi passar aqui para conversar um pouco. Quem sabe você me dá algum conselho?

— Eu aconselhando os outros? Se não for relacionado a negócios, então nem devia se prestar ao trabalho. O que mais quero na minha vida é mergulhar no trabalho como se não houvesse fim.

...

Fortaleza, CE

Johnny escutou claramente Jarbas dizer o nome do destinatário da ligação feita por Kevin. Era um nome conhecido pelo detetive.

— Acho que estou começando a juntar as peças. Essa pessoa jogou verde pra cima de mim. Eu devia ter notado.

— Estamos tentando localizar essa pessoa agora mesmo. Liguei para o meu colega delegado de Fortaleza, e ele enviou uma viatura.

O carro parou numa casa simples do Montese. Uma mulher idosa atendeu a porta. Os policiais perguntaram sobre a pessoa investigada. Ela negou a sua presença na habitação, mas os homens insistiram em entrar pois estavam com um mandado em mãos. De fato o alvo não estava.

Na delegacia, Johnny e Lucas chegaram e cumprimentaram o delegado. Jarbas, o delegado de Guaramiranga, informou ao colega fortalezense sobre os detetives. Agora a dupla trabalharia para a polícia civil da capital.

— Já pediram a quebra de sigilo telefônica da casa? — perguntou Johnny.

— Há pouco expedimos. Só falta o juiz acatar o pedido.

Lucas, ainda machucado, preferiu sentar na cadeira. Nunca antes havia visto Johnny empenhado daquele jeito. Pensou em um dia se casar com ele. Sorriu ao saber que foi o alfa escolhido por ele.

Fazenda Foster

Nathália desceu para a sala, chamando pelo mordomo. Entretanto, Jacques não estava no momento. Aborrecida, ela chamou pelo caseiro.

— Sabe aonde o Jacques foi?

— Não sei, senhorita. Ele saiu de manhã bem cedo e não voltou ainda.

— E cadê o Olavo?

— Está no cavalo perto dos cajueiros... Ah ele está de volta.

Olavo chamou Leandro. Sem dar muita atenção para a irmã, pegou o carro e saiu com o caseiro.

...

São Paulo, SP

Hugo ofereceu um uísque ao amigo. Os dois ficaram sentados na sala da presidência.

— Parece abatido? Nunca lhe vi com esse semblante. Logo Hugo Zawaski, o homem mais forte que eu conheci. Nem meu pai é tão forte quanto você.

— Você crê que um homem como eu não tenha problemas pessoais? Apesar de eu ter boa saúde física e mental, sou um homem que passou dos 50. Não sou mais um jovem no máximo do seu vigor. Qualquer problema cansa demais.

— Hahahaha. Seu senso de humor é tão peculiar, Hugo. Eu me divorciei.

— Não me diga que você deixou aquela mulher maravilhosa? Era uma alfa, filha do senador do Rio de Janeiro, linda e alta. O que passou para que que vocês se separassem?

— Nosso casamento simplesmente esfriou. Ela quis se aventurar com outra mulher. Não duramos cinco anos. Divorciamos. Infelizmente foi o meu terceiro divórcio, e todos com mulheres alfas. Aparentemente não nasci para estar com uma mulher alfa. Parece uma maldição na minha vida.

Hugo lembrou de algo muito importante. Levantou-se da cadeira.

— Já experimentou se relacionar com ômegas?

— Já tive casos entre um casamento e outro, mas são mulheres esdrúxulas e sem personalidade. O sexo era bom, mas gosto quando são pessoas fortes.

— E homens ômegas?

— Nunca. Por quê?

— O meu único filho é ômega. Também vai se divorciar...

— Espera! A Bia Zawaski deixou de ser esposa dele?

— Descobrimos uma série de traições dela. Mas prefiro não falar disso agora.

— Aquela mulher é uma predadora nata. Não perde tempo mesmo — Paulo riu.

— Quer conhecer melhor o meu filho? Ele está solteiro, é o meu herdeiro e tem uma personalidade forte. Não é qualquer um de que estou falando.

O alfa dominante se levantou e falou com convicção que em duas semanas viajará para Fortaleza.

...

Guaramiranga

O carro de Olavo parou no hotel. Os dois desceram e entraram no estabelecimento.

Um garçom foi chamar Francisco em seu escritório.

— Leandro? O que faz aqui? Eu já disse para você...

Olavo apareceu por trás do ômega.

— Eu que resolvi trazê-lo até aqui, Francisco. Tenho muita coisa para acertar com os dois.

— Se-senhor Foster. Por que está aqui?

— Prefiro conversar num ambiente com mais tranquilidade.

O patrão puxou o empregado pelo braço de volta ao escritório. Leandro pediu calma ao Foster.

— O que o senhor quer? Conheço o suficiente para saber que não dar ponto sem nó.

— Hoje vocês vão sumir daqui para bem longe. Longe mesmo. De preferência para um fuso-horário diferente de Brasília.

— Por quê?

Olavo se aproximou do ouvido dele e sussurrou.

— Não quero que Johnny Zawaski descubra que eu mandei matar o meu pai.