Johnny... O bom detetive

62 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 17: Bastardo


— Eu não posso acreditar que a senhora veio até aqui só para me insultar. Esperava que me acolhesse como a sua filhinha do coração.

— Cinismo é bem mesmo a sua cara. Desde quando vem enganando a todos? Anos?

Bia sentou no sofá sem dar muita atenção à ex-sogra.

— Já sei o que veio fazer. Suba, pegue as trouxinhas do seu filho e suma da minha vida. Não consigo olhar para essas suas rugas sem que me deem ânsia de vômito.

— Hahaha... Acha mesmo que eu só vim aqui para pegar as coisas do meu filho? Quero a minha joia de volta.

— Júlia, por favor. Você me deu o colar, portanto é meu. Crê que eu simplesmente devolverei sem mais nem menos? Não sou aplicativo de comida que o cliente pede a devolução do dinheiro por mau serviço.

Júlia se aproximou da ex-nora, puxou-a pela braço e a fez ficar em pé. Ordenou que Bia entregasse o colar de esmeraldas.

— Sua estúpida. Acha mesmo que depois da sua traição, vai se livrar do seu castigo? Já entramos com o pedido de divórcio, obviamente apelando para que você fique sem eira nem beira.

— Eu queria ser educada com você, Júlia, porque você já é uma velha que passou anos na amargura por não dar amor ao Hugo. O pior é que não foi competente suficiente, consequentemente teve um filho ômega.

A mais velha deu um tapa na alfa.

— Nunca mais fale assim do meu filho! Você só é gente por causa da nossa família.

— Velha! Sabe o que você tinha que fazer? Era para me pagar milhões por aturar aquele pau mole do seu filho. Nunca pude ser feliz com aquele idiota. Noites e mais noites dando desculpas esfarrapadas dizendo que estava cansado. E você acobertava o filhinho, que talvez saía por aí com aquele Lucas. Você deve ter agido como uma cafetina por trás dos panos.

— Olha que eu não sei do que sou capaz... Melhor me dar logo a minha joia ou eu sou capaz de arrastá-la pelos cabelos até a rua e jogá-la na calçada.

— Vamos, faça! Me agrida. Não vai mudar o fato de eu ter dormido com outras pessoas, chifrando o pato do seu filho.

— A que ponto nós chegamos. Uma mulherzinha com a moral mais baixa do que uma meretriz falando como se fosse a dona da razão. Melhor se preparar, minha filha. Para não acabar um dia limpando privada de presídio feminino. Lembre-se das minhas palavras: aquele vídeo já está na mão do meu advogado, e logo saberei quem era o rapaz que tava se esfregando contigo na cama do meu filho.

Júlia saiu do apartamento sem olhar para trás. Ficar no mesmo ambiente que Bia era sufocante. O motorista ajudou a entrar no veículo.

Ana Beatriz, por sua vez, sentiu o peso das palavras da ex-sogra. De nenhuma maneira podia ser descoberta como a mandante da morte tanto de Paulie quanto de Lúcia. Sumir para bem longe era o melhor que podia fazer.

...

No apartamento de Lucas, Johnny terminava uma ligação para saber do amigo promotor público acerca do julgamento de Vince.

O dia foi de tranquilidade. Sem notícias de Jarbas e da quebra do sigilo telefônico de Kevin Aguiar, o detetive passou o tempo para cuidar do namorado. Lucas tomou um banho com a ajuda dele, almoçou e voltou a dormir. À noite, acordou ao lado de Johnny.

— Tão lindo dormindo.

— O quê?

— Passou o dia cuidando de mim?

— Passei. Estou apenas esperando alguma confirmação do delegado. Ah, e minha mãe trouxe duas malas de roupas minhas, apesar do resto ter ficado com ela. Se incomoda de eu ter trazido?

— Claro que não. Mas como eu faço para te recompensar por ter cuidado de mim?

O alfa se surpreendeu quando o parceiro se sentou sobre ele. Ambos se beijaram de língua enquanto o ômega roçava a sua parte inferior com a de Lucas.

— Estou um pouco estressado. Quem sabe você possa me acalmar, Armário.

Lucas imediatamente girou Johnny para que ficasse embaixo dele na cama. Iniciaram as preliminares antes do sexo.

Na terça-feira pela manhã, Johnny acordou por volta das seis horas, sob os braços do moreno. Escutou o celular tocar, estranhando a ligação naquela hora da manhã.

— Johnny, rapaz, eu tava tentando ligar para você desde a madrugada.

— O que foi, Jarbas? — Saiu da cama, deixando o moreno para trás.

— O juiz quebrou o sigilo telefônico do celular de Kevin Aguiar com a operadora já que não achamos o celular dele. Parece que ele, pouco antes de morrer, ligou para alguém a fim de avisar algo importante. Fala a verdade. Você visitou o morto depois daquela visita oficial?

— Sim. Lucas e eu, com a ajuda de Rodrigo Foster, entramos na fábrica clandestinamente na noite de quinta.

— Devia ter me contado, Johnny. Essas coisas não pode deixar a polícia de fora. Enfim, localizamos o destinatário da ligação.

— Quem é?

Jarbas revelou um nome. O detetive, mais uma vez, se surpreendeu, pegou a sua caderneta e viu o nome anotado.

...

Enquanto isso, Francisco deu as instruções aos empregados para limparem o restaurante. Sentou-se numa cadeira a fim de poupar energia durante a gravidez.

— Podemos conversar? — Jacques apareceu repentinamente.

— Há quanto tempo, irmão. Pensei que morreria sem te ver nesse hotel. Como vão as coisas na fazenda?

O mordomo sentou.

— Bem. Mas eu vim para te pedir que deixe o Leandro em paz. Sei que é difícil você emular a conduta de uma pessoa honesta, mas eu falo sério.

— É um ameaça?

— É uma ameaça. Saia das nossas vidas ou, da próxima vez que os detetives aparecerem, eu contarei que esse bebê é de Nestor Foster.

— Subiu a serra só pra isso? Acha que vou me intimidar? Quem nasceu para ser ômega recessivo, nunca será dominante como eu.

— Veja bem. Posso acabar com você. Ninguém desconfia do sujeito sórdido que você é. O que foi capaz de fazer para ter um filho do patrão. Muito cuidado.

Jacques saiu do hotel, deixando Francisco tremendo de raiva.