Johnny... O bom detetive
56 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 11: Balé dos copos
— Huhuhu você é bom, senhor detetive. Agora creio que eu te subestimei completamente. Isso só me dá entusiasmo nesse jogo. Números 24 e 42. Não blefei quando eu disse que me lembrava das cartas pois eu já havia jogado isso.
BALEIA JUBARTE
— Você está em meu território, e ainda temos dois jogos para completar essa competição. Números 5 e 34.
FLAMINGO
RAPOSA
Sem hesitar, Nilo pegou a garrafa térmica e pôs o sangue na taça. Bebeu o líquido vermelho sem esboçar reação de nojo.
Johnny sabia que Nilo começava a ficar nervoso com o jogo. Seu objetivo não era vencer virando as cartas, mas fazê-lo desistir. Lançou o dado, apareceu um número par, devolvendo a vez ao proprietário.
— Números 18 e 48.
LHAMA
— Números 25 e 15.
AXOLOTE
ORNITORRINCO
Uma bandeja foi posta à frente de Nilo. Tirou a tampa, vendo um testículo de boi na travessa. Era algo insuportável. Mesmo com garfo e faca o órgão era duro. Comeu um pedaço.
— Não consegui comer tudo. Se chegar a sua vez, também terá esse privilégio. Seu jogo.
— Número 15.
ORNITORRINCO
— Número 29.
ORNITORRINCO
— Número 34.
RAPOSA
— Número 31.
RAPOSA
PLACAR: JZ 11 X 11 NM
— Número 5.
FLAMINGO
— Número 25.
AXOLOTE
JOHNNY Z. : XXXXXO
NILO M. : XXXXXO
Era uma jogada de risco para Nilo. Inteligentemente Johnny pediu os mesmos números do axolote e do flamingo. Apenas um animal não foi revelado, portanto faltavam três.
— Eu prefiro ficar com o baiacu. Parabéns, detetive. Você venceu essa partida.
PLACAR GERAL:
JOHNNY ZAWASKI: 1
NILO MALDONADO: 0
Rodrigo comemorou a vitória do colega. Pensou várias vezes que perderiam.
— Gostei muito de jogar contigo, detetive.
— A recíproca é verdadeira, senhor Maldonado. Por mais que tenha jogado outras vezes, não é um homem com memória fotográfica como eu.
— Mais humildade, senhor. Enfim, tragam-me o peixe.
Repentinamente o anfitrião retirou o casaco de plumas, o paletó, arregaçou as mangas da camisa e prendeu o cabelo. O peixe sobre a tábua de carne foi manejado com delicadeza. Nilo moveu a faca inox pela pele lisa do animal, abrindo a sua barriga de maneira rápida e precisa. A lâmina rasgou cada parte das vísceras até chegar num saco preto com o veneno. Lentamente retirou a ova, colocando dentro de uma vasilha.
— Tome. Prepare esse peixe para mim. — Régis saiu, carregando o peixe numa bandeja.
— Pensei que só os chefs renomados sabiam fazer tais coisas — Falou Johnny.
— Meu tio tem um restaurante em Lisboa. Aprendi a preparar peixes com ele durante a minha adolescência.
Os minutos se passaram desde a ida do secretário. Nilo olhou para o seu relógio de pulso, marcando mais de quarenta minutos.
— Desculpe a demora, senhor. Tenha um bom apetite.
O prato era filé de baiacu com salada de legumes.
— Esperamos muito tempo. Estou satisfeito. Não fiquem entediados pois o segundo jogo está para começar. Régis.
O secretário apertou o botão do controle remoto. A parte central onde ficaram as cartas desceu e a mesa se fechou, voltando ao seu formato original. Nilo se levantou da cadeira.
— Por favor, senhor Johnny, levante-se. O próximo jogo precisa que esteja em pé.
Johnny não entendeu muito o que o loiro quis dizer. Obedeceu. Quatro seguranças ficaram em quatro cantos estratégicos da mesa — um de frente para o outro, cada qual com dois copos pretos de plástico.
— Só para informar que o nome do jogo anterior era Cartas à Mesa. O segundo jogo se chama Balé dos Copos. Cada segurança terá dois copos à mão. Haverá uma ficha do cassino dentro de um copo entre os oito. Eles vão passar os copos aleatoriamente para o seu colega até que uma música clássica pare. O competidor terá que adivinhar onde estará a moeda. — Explicou Régis. — Serão seis erros, porém sem punição. Não haverá pontos. O competidor terá que acertar infinitamente, na teoria, para não errar. Os erros são decisivos para saber quem vence e quem perde. O dado das três chances também pode ser usado nesse jogo.
— Ouviu bem, senhor Zawaski? Dessa vez não usarei truque nenhum. O que achou do jogo?
— É mais simples do que o anterior, porém mais difícil. É um jogo rápido, pode ser decidido em poucos minutos. Ainda há o complicador de serem 8 copos. Igual ao truque de circo que normalmente são 3 copos.
O secretário pediu cara ou coroa. Dessa vez foi Nilo quem ganhou com coroa.
Uma ficha vermelha foi colocada dentro de um copo. Com o sinal de Régis, eles começaram. Os quatro seguranças iniciaram as trocas dos copos, deslizando-os sobre a grande mesa de vidro e luz. O ritmo era lento e preciso. Os objetos deslizavam sobre a superfície lisa como se deslizassem sobre o gelo. A música clássica tocava a mais de um minuto.
— Não estou enxergando nada. Para mim esse jogo é mais difícil ainda. — Falou Rodrigo.
— Calma, amor. Mesmo se ele perder, ainda temos o último jogo. O que você acha, senhor Lucas?
A única coisa de que Lucas prestava atenção era os seguranças perto deles. Teve um mau pressentimento.
A música parou, e nesse instante os copos voltaram às mãos dos seguranças. Foram dois minutos com o objeto certo sendo mudado de lado várias vezes.
Sem duvidar, Nilo escolheu um copo. Ao virar, a ficha não apareceu. Um ponto perdido. Erro que nem mesmo o adversário esperou.
— O turno é do senhor Zawaski. — Falou Régis.
O jogo era demasiado difícil, beirando o impossível. Os quatro homens deslizavam os copos com uma rapidez fenomenal. Johnny errou.
Nilo jogou o dado, número par; Johnny errou; outra vez Nilo deu sorte no dado; mais um erro do detetive; a terceira jogada também foi par; mais outro erro.
O placar era de quatro erros contra um. Era uma grande desvantagem.
— Acredito que não precisarei de trapaça para vencer. — Ele escolheu um copo e acertou. — Sua vez.
— Espera. Eu pensei que fosse a sua vez até errar...
— Quem disse isso? Régis? Ele é só o meu empregado. Deixei claro que eu faço as regras. O que vai ser?
— Eu-eu desisto...
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