Johnny... O bom detetive
57 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 12: Do inferno ao céu Pt 1
A decisão de Johnny surpreendeu.
— Você tem certeza de que quer desistir desse jogo? — perguntou Régis.
— Eu perderia de qualquer jeito mesmo. Não faz sentido prosseguir com um jogo que não me daria a mínima chance de vencer.
Palmas ecoaram em todo o local. Nilo achou a fala do detetive comovente.
— Não faça essa cara, senhor Zawaski. Eu tive apenas um golpe de sorte com o dado. Pegar três números pares foi decisivo. Ah, e não pense que houve trapaça. — Ele jogou o dado para perto de Johnny. De fato era um objeto comum.
PLACAR GERAL:
JOHNNY ZAWASKI: 1
NILO MALDONADO: 1
— Falta apenas um jogo para sabermos quem será o vencedor. Boa sorte aos dois. O próximo desafio será um jogo de tabuleiro.
Régis pediu para os seguranças saírem de perto da mesa. Trouxe um tabuleiro gigante, com cerca de dois metros para dois, colocou sobre a mesa. O tabuleiro possuía um aspecto antigo, com uma coloração avermelhada e cerca de 100 casas.
— O jogo se chama Do Inferno ao Céu. Como veem, as primeiras vinte casas estão no inferno, a cor do tabuleiro é vermelha e com desenhos de fogo; da casa 21 a 81 é a terra, a cor é marrom como se fosse areia; e da casa 82 a 100 é o céu com a cor azul e desenho de nuvens. Basicamente é como qualquer jogo de tabuleiro. Haverá dois bonecos que serão movidos por mim e por ti com aquela vara. Os bonecos são miniaturas dos bustos de Napoleão Bonaparte e Abraham Lincoln. Haverá dois dados que serão fundamentais para o jogo: o branco e comum que será o condutor dos bonecos e o preto, que é o dado do castigo, possui apenas um número, o um. A jogada será feita ao mesmo tempo e, enquanto nos preocupamos com o andamento das casas pelo dado branco, teremos que nos preocupar com o resultado do preto. O dado do castigo possui cinco lados sem número, ou seja, nós possuimos uma sorte de 80% de não cairmos no número do dado preto. O tabuleiro possui 100 casas sendo 80 casas normais, 15 casas especiais e 5 casas de câmbio. As normais são obviamente as brancas, as azuis são as especiais e as amarelas são as de câmbio. Essas últimas obrigam que os jogadores troquem de lugar independentemente onde estejam no tabuleiro. — Explicou Nilo.
— Esse jogo parece mais interessante que os outros dois. Só espero que não estrague tudo por causa de trapaça, senhor Maldonado.
— Mas o que é isso? Você ganhou o primeiro jogo, eu o segundo. Não houve coisas estranhas exceto uma pequena regra que inventei no Balé dos Copos. Enfim, mais algumas informações. Serão seis erros como sempre, o jogador terá que mudar de turno toda a vez que jogar os dados, exceto quando cair em uma casa especial e, por último, haverá punições no castigo. A punição será escolhida na hora. Eu vou escolher seus castigos, senhor Johnny, e você os meus. Entendido?
O jogo em si não era tão difícil, e até era divertido do que os anteriores. Aparentemente o clima estava calmo demais.
— Que comece o jogo. — Nilo estalou os dedos.
Os seguranças se aproximaram de Rodrigo, Lucas e Fredd, pediram para eles se levantarem. Imediatamente os três foram levados para outras cadeiras no palco.
— O que significa isso? Por que isso?
— Ah, senhor Zawaski. A competição estava muito entediante. Vamos nos divertir um pouco. Coloquem os dois sentados nas cadeiras. Ah, o príncipe negro ficará em pé, por enquanto.
Rodrigo e Fredd foram obrigados a sentarem e porem os braços nas laterais das cadeiras. Algemas prenderam seus membros como se fossem cadeiras de hospício.
— Que merda é essa. Solte-nos! — Alarmou Rodrigo.
Johnny ameaçou a não jogar mais e desistir de saber sobre Nestor Foster, no entanto Régis apontou o revólver na sua cabeça.
— Pode atirar. Eu não tenho medo.
— Esplêndido! Esplêndido! Como sempre o senhor me surpreende, detetive. Não se importar em morrer. Agora o que me diz se essa arma do Régis apontar para o seu amante.
O secretário apontou para Lucas.
— Espera! O que você quer de nós?
— Quero testar o seu limite, detetive. Você é famoso por ser altamente inteligente. Pensava que era um mito um ômega chegar a tanto, mas vi que estava enganado. Já não me importa a recompensa. Quero testá-lo e vê-lo do que é capaz.
— Johnny, não é necessário se sacrificar tanto. Não se importe...
— Cala a boca, Lucas. Você e os outros estão sob a minha responsabilidade. Eu insisti em vir aqui para saber mais sobre a informação sobre o pai do Rodrigo. Nunca imaginei que chegaríamos a esse extremo.
— Sim, mas eu me preocupo contigo! Acabamos de dar início ao nosso relacionamento. Sinto que tenho o dever de protegê-lo. Como um alfa dominante, eu fico mal em ver o meu namorado assim.
— E você acha que eu não? Esqueceu que eu pus você e os outros nessa situação?
Nilo bocejou ao ouvir a discussão dos dois. Mandou ambos pararem com a briga de casal.
— Já está ficando bastante tarde, não quero ganhar olheiras por não dormir adequadamente. Por isso, calem-se!
— O pintor de rodapé ficou puto.
— Para com isso, Rodrigo. Vão nos ouvir.
— Eu falo mesmo, Fredd. Essa gnoma loira não merece um pingo de respeito.
Lucas não conseguiu convencer Johnny a desistir do jogo. Viu o amado bastante tenso, observando o tabuleiro à sua frente. Em contrapartida, Nilo não escondia o sorriso de satisfação por fazer o detetive chegar ao seu limite.
— Escolham seus bonecos.
— Eu fico com o Napoleão e o detetive com o Lincoln. De acordo?
— Posso verificar os bonecos e os dados?
— À vontade, queridinho.
Ele verificou os objetos participantes do jogo, incluindo o tabuleiro. Tudo estava na mais perfeita ordem.
— Tirem cara ou coroa.
— Não será preciso, Régis. Eu dou a primeira jogada ao detetive Zawaski. Não tenho pressa para nada. Certo?
Sem nenhuma objeção, Zawaski segurou os dois dados na mão. Balançou por alguns segundo e lançou.
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