Johnny... O bom detetive
49 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 04: Boate Pt 2
— Lucas, sei que estamos num relacionamento, mas você não acha que está tão pegajoso?
Durante o jantar, ambos preferiram comer sentados na cama e assistindo a um filme. O alfa se sentou, encostando as costas na cabeceira, enquanto o ômega ficou na frente dele com as costas em seu peito.
— Odeia essa posição?
— Não é que eu odeie, mas eu me sinto envergonhado assim. E a comida vai cair no lençol.
— Tudo bem. Depois eu retiro a sujeira.
— E você? Não vai comer também? Deixou o prato pela metade.
— Tudo bem. Eu como quando você terminar.
O moreno sempre tinha uma resposta na ponta da língua. Johnny comeu, apesar da respiração do companheiro arrepiá-lo dos pés à cabeça.
Após o filme...
— Deixa que eu lavo os pratos. Hoje você fez praticamente tudo.
— Eu sou o dono da casa. Vivo só desde os meus vinte anos. Sou acostumado.
— Acho que eu nunca vivi só na minha vida. Morei com os meus pais, com a minha ex-esposa, com meu colega da faculdade e agora contigo. Acho que é o meu destino de ômega sempre estar junto de alguém.
Lucas abraçou Johnny por trás, pedindo para ele não comentar coisas tristes. Depois da limpeza da louça, Lucas segurou Johnny no braço.
— Me abaixa!
— Hoje o dia foi trabalhoso. Precisamos aproveitar um pouco para relaxarmos.
Luzes apagadas, foram direto para o quarto. Johnny foi colocado na cama, enquanto Lucas retirava a camiseta.
— Você quer sexo, safado?
— Bingo. Johnny, eu sou um alfa dominante. Não vivemos sem sexo por muito tempo.
— Muito tempo? Transamos ontem umas quatro vezes!
Ele abriu a gaveta ao lado e retirou dois preservativos.
— Lembra que eu disse que a caixa tinha seis preservativos e que a intenção era usar todos? Não usamos. Faltou dois. Vamos usar o que faltou.
Johnny passou a mão no rosto sem acreditar no que ouviu. Sua bermuda foi retirada sem ao menos ele notar.
...
Domingo pela manhã. O sol era radiante. As pessoas iam para a missa, outras para a praia e outras ficaram em casa. Não era o caso de Rodrigo Foster. Por volta das oito da manhã saiu acompanhado do namorado até a casa de Lucas.
A porta do apartamento foi aberta por Johnny, que apresentava um aspecto fúnebre.
— Ai meu senhorzinho. Morreu e esqueceram de enterrar. Que olheiras são essas?
— Bom dia a vocês! — Lucas por outro lado estava com a pele brilhando.
— Acho que vou morrer de tanto transar. Nunca pensei que ser passivo fosse tão desgastante.
— Não fale assim. Isso é a prova cabal do nosso amor.
Rodrigo e Fredd entraram no apartamento e ficaram para o café da manhã.
— Uma boate? — Lucas perguntou.
— Exatamente. Boate Boca de Veludo. A fachada é bonita, parece uma agência de banco, com as paredes externas todas de vidro, refletindo a paisagem de fora. Estranhamos o fato de estar escrito Assembleia de Levi e os seguranças estarem vestidos iguais crentes. Entramos, compramos o ingresso, adquirimos umas pulserinhas e fomos para a recepção.
— Espera, Rodrigo. Se o seu pai frequentava esse lugar, por que esconderia de tudo e todos? Que eu saiba a tua mãe morreu há muitos anos. — Falou Johnny.
— Tem serviço de prostituição de ômegas. É natural que empresários alfas de todas os tipos frequentassem aquele antro.
A resposta de Rodrigo caiu como um peso nas costas de Johnny. Pensou seriamente se o seu pai traía a sua mãe na Boca de Veludo.
— Vou contar o resto, mas, se quiser entrar lá, melhor se preparar hoje. Dizem que o proprietário vai para lá nas quartas e domingos.
À noite estacionaram os carros no calçadão. Ficara em frente ao local.
— Esse é o momento crucial da investigação. Todos nós somos amigos alfas e betas. Tomei o meu supressor para que não haja problemas. Lucas e Fredd?
— Eu tomei o meu. — Respondeu Lucas.
— Eu também.
— Haha. Sou beta, eu não preciso!
— Já são sete horas. Chegamos pontualmente. Vamos.
O quarteto atravessou a avenida e entrou na falsa igreja. Havia homens e mulheres vestidos de evangélicos na recepção. Alguns entregavam as pulseiras como comprovante do ingresso, outros usavam detectores de metais .
— Esse ingresso é bem caro. 180 reais. Nenhum Zé Ruela conseguiria vir aqui frequentemente. — Observou Lucas.
Uma fila apareceu diante de uma grande porta dupla de madeira ainda na recepção. Os atendentes abriram, dando passagem para os convidados. Dentro havia um salão cheio de cadeiras com um altar. Era basicamente o interior de uma igreja tradicional, contudo o diferencial era que havia uma porta secreta.
Um elevador com capacidade para dez pessoas apareceu por trás da porta. Os convidados que chegaram mais cedo foram entrando até chegar a vez dos quatro.
As portas do elevador abriram, revelando o primeiro andar. Era uma verdadeira boate. Seu interior era escuro, com iluminação colorida, som de eletropop, uma pista de dança, bar, camarotes e serviço de pole dance.

— Quem foi que te disse que o dono aparecia aos domingos?
— Um ômega prostituto. Tive que pagar 200 reais só por essa informação.
— Okay. Então vamos nos separar em duplas. Lucas e eu ficaremos naquele lado dos daçarinos de pole dance e vocês ficam no bar.
O beta puxou Fredd na direção do bar enquanto os outros se afastavam.
As paredes de vidro, por dentro, eram revestidas com uma parede de gesso que servia para tampar o som, por isso as pessoas na rua não ouviam e também não dava para ver de fora para dentro. No chão da pista de dança o nome da boate: Boca de Veludo.
No último andar havia uma parte administrativa.
O secretário entrou no gabinete do proprietário, explicando a presença do detetive.
— Um dos seguranças da boate reconheceu a presença do detetive Johnny Zawaski, senhor.
O proprietário tamborilou as suas unhas grandes e vermelhas na mesa de vidro.
— Interessante. Para um ômega ele é bem fora dos padrões.
— Interceptamos ele?
— Não. Uma hora ele vai aparecer até mim.
O secretário saiu da presença do proprietário. A pessoa misteriosa sorriu ao ver Johnny pelo computador.
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