Johnny... O bom detetive
70 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 25: Acerto de contas
— Jacques, você vai me dizer tudo o que sabe sobre essa história do Olavo. Vamos, diga.
— Jovem Rodrigo, eu apenas ouvi as palavras saírem da boca do seu Olavo. Foi no dia em que o seu Nestor foi enterrado.
— Aquele domingo em que os detetives apareceram pela primeira vez na fazenda. Soube que o meu irmão não teve um bom primeiro encontro com o Johnny.
— Quando os detetives foram embora, seu Olavo recebeu a ligação de uma pessoa. Ele foi para fora da fazenda, ao lado, e conversou nessa ligação. Eu estava na sala de jantar, perto da janela, quando escutei ele falar sobre a prisão do seu namorado. Na ligação, ele falou sobre aquela arma com feromônios que a dona Nathália encontrou. Parece que também foi obra do seu Olavo.
As palavras reveladoras de Jacques atormentaram Rodrigo a ponto de fazê-lo sentar para não cair para trás. Fredd ofereceu um pouco de água com açúcar ao beta.
— Se quiser me despedir, tem todo o direito.
— Não. Eu te perdoo só pelo simples fato de você ser um túmulo de segredos. Eu sei muito bem que rola muita coisa cabulosa naquela fazenda, e você agiu apenas como um empregado. Mas não me peça para manter a calma pois a minha vontade agora é dar um soco no meu irmão.
Nervoso, Rodrigo foi para o quarto com o Fredd logo atrás.
...
A troca de tiros continuava no segundo andar do hospital municipal. A fumaça do gás impediu que os dois policiais agissem e também que a visibilidade das escadas piorasse.
Pelo seu conhecimento em armas, Johnny deduziu ser uma arma semiautomática do estilo SMG. Como o assassino utilizava o automático, era impossível contar os disparos.
— Fiquem aqui. Eu tive uma ideia.
— Espera, Johnny. Aonde você vai? É perigoso. — Avisou Lucas, nervoso pela vida do seu parceiro.
— Sei muito bem o que eu faço. Fique com eles. Não os perca de vista.
O detetive olhou para o corredor para ter a certeza de que o assassino ainda estava à vista. Aproveitou o momento para ficar ao lado de uma máquina de bebidas. Recarregou as duas armas.
Sebastian caminhou pelo corredor com a submetralhadora numa mão e a pistola na outra. Assim que passou por baixo de uma lâmpada fluorescente do tipo tubo, ele foi recebido por cacos do vidro dessa lâmpada após Johnny ter atirado nela. Foram menos de dez segundos, suficiente para perder o alvo de vista e levar uma voadora no tórax. Soltou ambas as armas.
Tanto Johnny quanto Sebastian entraram numa luta corporal no corredor. O assassino pegou a sua faca de caça, tentou acertar o oponente. Johnny se protegeu de uma facada no olho, usando o antebraço como escudo.
— Oh, você é ômega? Não parece...
— Não é o... primeiro que... me diz isso.
Apesar de ser forte, Johnny sentiu os feromônios de alfa saindo do corpo do Sebastian. Aos poucos a sua força diminuía, a ponta da faca encostou no seu rosto, furando um pouco.
Lucas deu uma chave de braço no pescoço do assassino. Ambos bateram na parede. Com uma destreza ímpar na luta, o assassino conseguiu deter Lucas. Johnny correu, abraçando Sebastian pela cintura. Os dois quebraram uma porta e caíram no laboratório.
— Precisamos fugir.
— Mas como, Leandro? — O bebê chorava.
Ainda na luta, Sebastian pegou um bisturi a fim de atacar o oponente. Johnny se defendeu com uma bandeja. A luta continuou na frente dos funcionários do hospital. Por um momento o assassino tentou enfiar a lâmina na barriga do detetive, mas este conseguiu segurar a tempo, machucando a sua mão.
— Diga adeus.
As forças de Johnny novamente diminuíram. Houve um tiro. Sebastian caiu morto no chão depois de ser alvejado por Francisco.
— Coloque a arma no chão, Francisco. Vamos conversar sobre a pessoa por trás desse assassino. Não é hora para fugir. — Falou Johnny na maior calma. — Pense no seu filho que acabou de nascer.
O ômega olhou para Leandro, soltou a arma e se rendeu. Desistiu de fugir após o terror que foi fugir de um assassino profissional.
Horas se passaram, a polícia de outra cidade foi para Jati com conhecimento sobre os detetives. O delegado Jarbas e o delegado Rocha — o delegado de Fortaleza — explicaram tudo aos delegados das cidades da região.
Um carro da ambulância acolheu os detetives. Johnny e Lucas foram tratados pelos socorristas enquanto Francisco e Leandro foram levados pela polícia.
— O que vai acontecer com eles? — O moreno perguntou.
— Eles serão levados para Juazeiro do Norte e de lá pegarão um avião à Fortaleza. — Explicou o policial.
— A gente aceitaria essa carona, mas eu trouxe o meu carro. Voltaremos pela estrada mesmo.
E assim terminou a aventura do detetive Johnny e o seu companheiro Lucas pelo interior do Ceará.
...
Horas se passaram. Sábado, oito da manhã. O dia começou tranquilamente para Rodrigo e Fredd. Depois do café da manhã, o jovem beta pegou a chave do carro e saiu do apartamento.
— Onde está o Rodrigo? — perguntou ao mordomo.
— Eu o vi sair apressadamente. Acho que ele vai para a fazenda.
Fredd desceu imediatamente ao subsolo. Viu o carro sair da vaga e ficou na frente.
— Aonde você vai?
— Sai da frente. Tenho algo importante para fazer.
— Pois eu vou junto.
O alemão entrou no carro sem pedir permissão do namorado. Rodrigo permitiu que ele fosse, porém sem impedi-lo de fazer na fazenda.
Fazenda Foster
O carro entrou na propriedade rapidamente.
Nathália não entendeu o nervosismo do irmão mais velho. O que ele tanto esperava com o celular na mão? Sem saber de nada, saiu do quarto dele.
— Maldito Sebastian. Não vai me ligar?
Rodrigo entrou com tudo na casa.
— Irmãozinho, o que faz aqui? Trouxe o cunhadinho junto.
— Cala a boca, Nathália. Você calada é uma poeta. Cadê o energúmeno do Olavo? Olavo!
Fredd tentou acalmar o namorado, mas em vão.
Olavo desceu até a metade da escada. Olhou para Rodrigo de cima para baixo.
— Que gritaria é essa? Rodrigo? Por acaso você veio para uma reunião familiar?
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