Johnny... O bom detetive
61 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 16: Manhã e sol
— Eu conheço esse homem. Há uma semana estou hospedado no hotel em que ele gerencia. Nunca passou pela minha cabeça de que Francisco Lulia teve um caso com o senhor Foster.
— Então isso simplifica as coisas. Não posso te ajudar mais do que isso, por isso peço desculpa por tudo o que ocorreu durante o jogo de antes.
— Tudo bem. A raiva já passou.
Nilo se levantou da cadeira, olhando novamente para a avenida através do vidro.
— Sempre quis te conhecer. Sempre tive a curiosidade de até que ponto ia o seu limite. Hoje fui testemunha ocular. Também quero gradecer por ter prendido o Vince.
— Por quê?
— Ele e eu marcamos um encontro dois dias depois da sua prisão. Se ele não fosse preso, talvez eu seria encontrado morto aos pedaços por aí. Portanto, meu muito obrigado — Nilo estendeu a mão, apertando a do detetive.
O secretário levou Johnny para ver a situação de Lucas, enquanto Nilo se sentou novamente na cadeira, cansado pelo jogo.
— Tenho que tirar umas férias.
Numa suíte, Rodrigo, Fredd e Régis cuidavam dos hematomas de Lucas. As cinco balas de borracha foram nas duas coxas, nos dois ombros e no tórax. Ele estava deitado na cama, medicado e enfaixado.
— Como foi a conversa com a loira azeda?
— Produtiva. Como ele está?
— Senhor Johnny, medicamos ele com Diazepam e passamos pomada nos hematomas. Por sorte balas de borracha não entram na carne — disse Fredd.
— Ele é muito forte. Típico de um alfa dominante. Pensei que havia quebrado alguma costela — explicou Régis. — Ele ficará aqui até amanhã de manhã. Com licença.
Ele esperou o secretário sair para chamar Rodrigo para perto do banheiro ainda dentro do recinto.
— Você conhece o Francisco há quanto tempo?
— Há mais ou menos cinco anos. Por quê?
— Quero detalhes de como o conheceu.
— Ele apareceu na fazenda cinco anos atrás como contratado do meu pai. Ele trabalhava dentro de casa como copeiro. Depois de três anos abrimos o hotel em Guaramiranga e papai o contratou como gerente. Ele está até hoje lá.
Porventura passou na cabeça dele que Rodrigo sabia do segredo dos dois, porém o rapaz sequer imaginava o romance de seu pai com o ex-prostituto. Mesmo assim fez a pergunta retórica.
— Você sabia que o seu pai tinha um caso com o Francisco há dez anos?
— Peraí, volta a fita. Papai e Francisco? O que o meu pai tinha com aquele homem?
— Seu pai frequentava o clube pois estava apaixonado por um garoto de programa ômega que trabalhava aqui. Anos depois falou para o senhor Maldonado rescindir o contrato desse homem para levá-lo a outro lugar. Dois anos depois ele vai trabalhar na fazenda. Foi isso que eu descobri.
A informação impactou o beta a ponto de deixá-lo sem forças nas pernas. Jamais imaginou que Francisco e Nestor eram namorados.
— Mais uma coisa. O áudio que o Fredd gravou de dentro do quarto do seu Francisco indica que o bebê que ele espera é do seu pai. Desconfio que seu irmãozinho está para nascer.
Para Rodrigo a informação acerca do filho que Francisco fazia o total sentido, agora que soube da relação secreta do seu pai.
— O que faremos?
— Amanhã pela manhã voltaremos ao apartamento do Lucas e de lá para o hotel. Terei que confrontar o Francisco pessoalmente.
...
Na manhã seguinte, Johnny ligou para Gileade desfazer o áudio gravado. Em seguida saiu do clube, ajudando Lucas a caminhar. Era segunda-feira, o sol da manhã iluminava a praia. Johnny entrou com o namorado, ambos sentados nos bancos traseiros.
— Você está bem?
— Claro. Fui bem tratado pelo homem que me feriu. Como foi a conversa com o proprietário?
— Te explico quando chegarmos em casa.
Rodrigo dirigiu novamente para a casa de Lucas depois de uma noite cansativa. O único que dormiu bem fora o alfa por causa do ansiolítico.
Em Messsejana, Johnny saiu do carro, sempre ajudando o parceiro a caminhar. Viu o automóvel da sua mãe parado em frente ao condomínio.
— Mamãe?
— Podemos conversar?
Rodrigo se despediu temporariamente do amigo, argumentado estar sujo e que precisava tomar um banho na sua casa. Johnny concordou. Fredd e Rodrigo foram embora.
Dentro do apartamento, Júlia ajudou o filho a deitar o alfa na cama. Preferiu não perguntar a origem do ferimentos do moreno, não era o seu feitio.
— Mamãe, o que veio fazer aqui?
— Só quis te ver. Perguntei à sua secretária o endereço do Lucas. Como está? Parece-me estar cansado, com olheiras.
— Estive no meio de uma investigação a noite toda. Tirando o pouco da ressaca, estou bem.
— Ótimo. Sabia que eu saí da mansão? — Johnny se surpreendeu. — Tomei coragem para enfrentar o seu pai. Estou morando com a sua avó no apartamento da praia.
— Bom... eu não fico triste. Meu pai é mesmo sem futuro. Só os empregados podem aguentá-lo porque, enfim, recebem salário. Mas a senhora tem realmente certeza do que fez?
— Às vezes quero voltar. Logo me lembro do que ele fez contigo naquele dia e fico firme. Não estou só. A minha mãe está comigo.
Mãe e filho ficaram um bom tempo conversando na manhã. Lucas dormiu tranquilamente.
— Mas, mamãe, posso te pedir uma coisa?
— Sim, querido. Fale que eu, dentro das minhas possibilidades, faço o que pedir.
...
No duplex, Bia passou dois dias arrumando e empacotando as coisas a fim de sair o quanto antes dali. O local fora comprado com o dinheiro de Hugo Zawaski, portanto estava no nome da companhia. No sábado recebeu um email de despejo.
Ainda dormindo e com uma garrafa de licor na mão, escutou passos no apartamento. Três homens entraram no quarto.
— O que é isso? Quem são vocês?
— Estamos aqui com a senhora Zawaski para recolhermos todas as roupas e objetos pessoais do senhor Johnny.
— Como assim? Saiam do meu quarto!
Irritada, saiu do quarto até o andar de baixo. Desceu as escadas e viu a ex-sogra parada na sala.
— O que você está fazendo aqui?
— Eu que faço essa pergunta. Afinal, lugar de prostituta é na Zona Vermelha.
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