Johnny... O bom detetive
55 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 10: Cartas à mesa Pt 2
O cheiro de alho picado surgiu no palco, interrompendo por um breve momento o jogo. Os olhos exaltados de Régis contrastavam com a suposta calma do seu chefe.
O truque usado por Nilo sequer foi descoberto, porém Johnny calculou essa possibilidade.
— Pensa mesmo que eu recorri a um truque tão barato? O máximo que conseguiu foi deixar essa mau cheiro no ar.
— Já falei sobre isso, senhor Maldonado. Sou um detetive. Meu cérebro funciona como uma calculadora de porcentagem. Apenas coloquei na conta a possibilidade de você sentir o cheiro das cartas. Estamos há mais ou menos um metro e meio do centro. Dessa distância para mim é impossível saber se elas estão aromatizadas, mas você pode ter alguma condição física específica em que sinta os cheiros mais fortemente.
— É tudo cálculo? São apenas suposições vagas. E eu vou te mostrar. Número 3.
LEÃO-MARINHO
— Número 41.
LEÃO-MARINHO
PLACAR: JZ 2 X 6 NM
O acerto do ômega dominante deixou os três desanimados. Pela primeira vez Lucas teve medo de que Johnny perdesse.
— Você é tão ingênuo. Posso acertar mais um?
O detetive sorriu timidamente. Ele sabia que Nilo saberia o próximo par de animais. Sabia que o outro decorava o cheiro do par seguinte ao que ele acertava, por isso venceu o leão-marinho.
— Número 29.
ORNITORRINCO
— Número 38.
LEÃO
Régis deu a vez para Johnny.
JOHNNY Z. : XOOOOO
NILO M. : XOOOOO
— Eu escolho o número 9.
SALAMANDRA
— Número 23.
SALAMANDRA
— Número 36.
LEÃO
— Número 38.
LEÃO
— Número 6.
GORILA
— Número 46.
ORCA
Com o segundo erro Johnny teve que pagar com a punição. O segurança pôs em seu prato um olho de vaca. O órgão estava cru e gélido.
— Bom apetite — disse Nilo.
Sem pensar muito, ele colocou o olho na boca. Mastigou até estourar o globo, saindo o líquido preto. Por algum tempo ficou mastigando aquilo até engolir, apesar do seu nojo. Mostrou a língua. Bebeu um pouco de água e concedeu a vez para o seu adversário.
— Número 27.
BEIJA-FLOR
— Número 47.
BEIJA-FLOR
Faltava quatorze animais para a revelação do vencedor. A cada momento a ansiedade aumentava. Para Rodrigo, Johnny precisava vencer pelo menos a primeira partida.
— O truque do cheiro foi magistralmente revelado por ele, por isso acho que dá para vencer Nilo. É por isso que precisamos vencer esse jogo pois não sabemos quais os próximos truques dos outros dois.
— Rodrigo, tenho convicção de que ele descobrirá cada truque se tiver. O Johnny que eu conheço é assombroso. Isso que faz jus ao seu título de melhor detetive do estado.
— Você confia absolutamente nele, não é? — perguntou Fredd.
— Sim. Eu daria a minha vida por ele.
Durante o jogo...
— Número 19.
VACA
— Número 34.
RAPOSA
Nilo pediu o olho de vaca. Pôs na boca sem sentir asco e rapidamente engoliu os pedaços.
— Número 22.
FALCÃO
— Número 11.
FALCÃO
JOHNNY Z. : XXOOOO
NILO M. : XXOOOO
Chegou o momento mais esperado do jogo. Régis colocou um dado sobre a mesa, explicando que somente ele poderia reverter a desvantagem de perder primeiro. Como Johnny estava perdendo antes, era maior o seu risco de perder o jogo. Os números ímpares não alterariam a ordem, os pares dava um passe para Nilo sem precisar errar.
— Não preciso disso. Número 33.
ARARA
— Número 16.
ARARA
PLACAR: JZ 6 X 7 NM
— Quero usar o dado.
— Só poderá usá-lo 3 vezes.
Ele jogou o dado sobre a mesa. O número 4 surgiu. Era a vez de Nilo.
— Sei muito bem do seu truque. Quer que eu erre primeiro para assim mostrar as cartas. Deixe-me dizer algo. Eu não tenho medo de perder essa partida. Ainda estou tranquilo e seguro de que vencerei. Quero o dado.
O objeto marcou um número ímpar, mas Nilo insistiu em usar a segunda chance. O número par surgiu, voltando a vez para Johnny.
— Número 8.
ORCA
— Número 46.
ORCA
— Número 28.
MICO-LEÃO DOURADO
— Número 48.
LHAMA
A terceira resposta errada fez com que o detetive pagasse a punição. Uma lata de ração úmida para gato foi derramada no prato. Sem titubear, ele pegou a colher e comeu a ração. A cena era bizarra e nojenta.
— Você só comeu a metade. Não vale, coma tudo. — Nilo provocou.
— Cala a boca.
Respirou fundo e comeu o resto.
— Bom garoto. — Nilo pegou o dado e jogou. O número par fez com que a vez retornasse ao detetive.
A jogada não surpreendeu Zawaski. Ele sabia que o anfitrião faria o possível para aumentar as suas chances de erros.
— Número 49.
DRAGÃO DE KOMODO
— Número 7.
MICO-LEÃO DOURADO
Outro segurança trouxe um isopor e dele tirou uma garrafa térmica. Colocou uma taça à frente de Johnny e derramou o sangue de porco dentro dela.
— O que vai ser? Não vai beber? Olha que se não pagar, é um ponto pra mim.
— Não existe essa regra.
— É, mas eu sou o dono do clube, portanto eu faço as regras. Tome o seu drinque. É por conta da casa.
O sangue de porco era nojento pois havia alguns pedaçinhos de carne. O cheiro rançoso era insuportável. Apesar disso, Johnny bebeu.
JOHNNY Z. : XXXXOO
NILO M. : XXOOOO
— É lamentável. Mesmo empatado, eu estou com uma grande vantagem. Números 7 e 28.
MICO-LEÃO DOURADO
Realmente era uma desvantagem para Johnny. No placar, Nilo vencia por oito a sete, enquanto nos erros, Johnny perdia com dois a mais.
— Eu realmente usei o cheiro para saber a localização das cartas. E apesar de minha trapaça ter sido descoberta, eu ainda sei dos números dos animais. Já brinquei outras vezes no passado. Esse é o seu grande erro. Números 6 e 37.
GORILA
— Números 4 e 35.
DRAGÃO DE KOMODO
VACA
Nilo comeu a ração úmida.
Era a vez de Johnny. Ele observou bem as cartas viradas.
— Número 4.
DRAGÃO DE KOMODO
— Número 49.
DRAGÃO DE KOMODO
— Número 35.
VACA
— Número 19.
VACA
PLACAR: JZ 9 X 9 NM
— Desculpe-me, senhor Maldonado. Não vou me afetar pelo o seu blefe.
Ele pegou o dado e jogou sobre a mesa. O número par surgiu, obrigando Nilo a jogar. Pela primeira vez o proprietário teve raiva, apesar de não demonstrar.
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