Johnny... O bom detetive
53 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 08: Apostando alto
O trânsito na Beira-Mar parou quando uma multidão saiu do clube apavorada pelo suposto incêndio. Centenas ficaram espalhados pelo calçadão e até alguns chamaram os bombeiros.
Dentro da boate, o pequeno fogo dentro do banheiro foi facilmente apagado pelos seguranças.
— Esplêndido, senhor Zawaski. Realmente é um homem astuto. Por pouco o subestimei. Mas é isso o seu plano perfeito? Fazer com que a polícia veja as pessoas saírem de uma falsa igreja evangélica? Sinto muito. Sabe que tenho conexões com o mercado negro, por consequência tenho pessoas dentro do governo que me protegem em troca da diversão do clube. Não falo apenas de políticos mas também de chefes de polícia, delegados e até mesmo pessoas no ministério público. Só uma ligação e tudo será esquecido.
Nilo pediu ao detetive que sentasse durante a conversa. Sem muita alternativa, Johnny assim o fez. Pediu um cigarro ao proprietário.
— Pelo menos uma coisa nós temos em comum, senhor Maldonado.
— Isso é verídico. — Acendeu o cigarro e o do detetive. Nilo ficou sentado sobre a mesa, de frente para Johnny. — É uma pena que não aceite a minha proposta de sexo. É extremamente lindo e tem um corpo de alfa. Como faz para ter esse corpaço?
— Malho bastante e sou muito restrito na alimentação.
— Só isso? Talvez a genética da sua família de alfas seja o fator primordial para o seu físico avantajado. — Ele pegou o telefone e ligou para um segurança. — Tragam os outros três até mim. Estou convidando todos os que vieram com Johnny Zawaski. Sim, sim. Olhe pela gravação das câmeras.
— Você não queria me sequestrar? Mudou de opinião?
Nilo gargalhou. Sentou-se sobre as pernas de Johnny enquanto acariciava o seu rosto.
— Brincadeirinha. Eu sei que é um homem difícil de lidar, por isso já sabia da resposta. Também não gosto de ir para a cama com outros ômegas. Você seria uma exceção.
Régis guardou a arma na cintura e esperou a chegada dos outros convidados.
Momentos depois os seguranças entraram escoltando Rodrigo, Fredd e Lucas. Foi um tempo bastante custoso, principalmente para achar Lucas. Eles viram o homem sentado sobre Johnny.
— Quem é a vagaba? — perguntou Rodrigo.
— Eu sou homem — respondeu, sorrindo.
Eles ficaram surpresos com a revelação do gênero do proprietário. Seu rosto era bastante feminino.
— Johnny, está bem? — Questionou Lucas.
— Estou. Apenas fiquei conversando com esse cavalheiro. Tentei convencê-lo a falar sobre Nestor Foster, mas não obtive resposta.
Rodrigo notou que o baixinho era uma pessoa que ele já viu antes. Um pequeno flashback em sua memória passou. Lembrou da vez que foi no teatro José de Alencar quando viu Nestor conversar tão casualmente com uma "mulher" idêntica a Nilo.
— Eu sou o terceiro filho de Nestor Foster. Chamo-me Rodrigo. Sei que o meu pai frequentava esse lugar. Quero saber o propósito dessas vindas, e o que você tinha com ele.
Nilo gargalhou. A sua única resposta foi um ataque de risos. Achou hilário a audácia de todos à sua frente. No entanto, seu semblante mudou rapidamente. Fredd e Lucas começaram a passar mal enquanto Rodrigo sentiu um cheiro desconfortável.
— Desculpem-me. Esqueci de dizer que sou um ômega dominante, portanto meu feromônio é potente. Até mesmo betas conseguem sentir. Não é mesmo, senhor Foster?
Para Rodrigo, a essência extremamente doce e embriagante lembrava a vez que Johnny ficou no cio no hotel, obrigando Lucas a ficar em rut. O pior era a condição de Fredd e Lucas.
— Eles são alfas dominantes, portanto não tardarão a entrar no cio. — Os seguranças usavam máscaras de oxigênio enquanto Régis manteve-se incólume. — Nesse mundo há os gêneros alfas, betas e ômegas, também os subgêneros. Isso a biologia explica como se os gêneros fizessem parte de uma escala. Eu vivo na ponta e aqueles dois na outra extremidade.
Johnny entendeu o que Nilo quis dizer. Quanto mais dominante é o gênero, mais forte é o seu potencial contra outros dominantes.
ÔMEGA DOMINANTE >> ÔMEGA >> ÔMEGA RECESSIVO >— BETA << ALFA RECESSIVO << ALFA << ALFA DOMINANTE
— Por favor, pare já. Eu aceito a sua proposta em troca da informação. Só pare de emitir seus feromônios.
Os dois alfas ficaram bastante afetadas a ponto de estarem eretos em suas partes baixas. Rodrigo beliscou Fredd por ficar duro a um estranho.
— Não foi a minha culpa, amor.
— Sei, aham.
Nilo pediu que os quatro seguissem-no até uma parede ainda dentro do gabinete. Ele puxou a corda do abajur ao lado e uma porta secreta abriu.
— Existe mais um andar. Aqui que realmente o jogo começa.
Todos, inclusive os seguranças, pegaram essa escada secreta até o terraço. Nilo passou o cartão, abrindo a porta.
— Em troca de qualquer informação sobre Nestor Foster, proponho um jogo entre mim e o detetive.
Havia um palco espaçoso que no centro era redondo. As luzes acenderam. Era como se fosse um pequeno ginásio com arquibancadas em círculo. No centro, também redondo, era onde ficava uma mesa circular branca feita de vidro que brilhava a luz branca por causa da lâmpada led nela. Cadeiras ao redor dessa mesa. O teto era tecnológico e com luz também branca.
— Que tipo de lugar é esse? Destoa facilmente do resto dos andares. — Disse Lucas.
— No primeiro andar, uma boate; no segundo e terceiro, um cassino; no quarto, um motel; no quinto, meu office hotel; e aqui temos o que eu chamo de Vale Tudo. Enquanto no cassino as pessoas apostam dinheiro, aqui as apostas são diferentes.
— O que são as apostas? — perguntou Rodrigo.
— O casamento, toda a conta bancária, o cargo que exerce, algum parente, drogas e... a vida. Pessoas com rixas pontuais preferem vir até mim e jogar.
Nilo estalou os dedos. Seus seguranças trouxeram algumas maletas.
— Johnny, se você quer essa preciosa informação, aposte comigo.
— O que eu deveria apostar?
— A vida dos teus amigos. O que vai ser?
— Não.
— Tudo bem. Então vamos apostar todo o seu dinheiro. A sua riqueza será minha caso perder o jogo.
Os outros pediram para ele não aceitar, mas Johnny não teve outra alternativa.
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