Johnny... O bom detetive
54 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 09: Cartas à mesa Pt 1
Notas iniciais
O documento com os termos legais da transferência de todo o dinheiro de Johnny foi posto sobre a mesa.
— Assinaremos esse documento quando você perder o jogo.
— Eu não vou perder.
— Tá confiante. Pode levar, Régis.
Nilo utilizou um controle remoto para fazer surgir na parede um telão de 50 polegadas. Mostrou o placar geral dos dois.
Régis tomou a palavra.
— O jogo será dividido em três partes. Cada uma haverá um vencedor e um perdedor. Como serão três partes do jogo, não haverá impate. O vencedor leva o prêmio. De um lado a informação acerca de Nestor Foster e do outro toda a conta bancária de Johnny Zawaski.
Enquanto isso, Rodrigo comentou com Lucas sobre os termos do jogo. Obviamente Johnny perdia mais com ele, haja vista não era certo se Nilo contará a verdade.
— Temos a palavra de um homem sem escrúpulos.
— Calma, Rodrigo. O Johnny tem bastante confiança de que vai ganhar — falou Lucas.
O trio ficou sentado nas cadeiras sendo vigiado pelos seguranças.
Nilo apertou outro botão do controle remoto. O centro da mesa se dividiu, abrindo para a horizontal. Do centro surgiu outro mesa com cerca de 50 cartas viradas para baixo. Cada carta continha um número. Algo apareceu no telão.
— Deixe que eu falo do jogo, Régis. Como vê há cinquenta cartões numerados de 1 a 25. Olhe para a TV. Há 25 animais gravados nessas cartas.
As imagens dos animais apareceram na tela. Logo Régis entregou um cartão maior com os nomes de todos os animais.
— Nós possuímos o máximo de 5 erros permitidos. Cada erro existe uma punição que vai da leve até a moderada.
Um segurança abriu a maleta, retirou alguns potes fechados. Colocou dois pratos de cerâmica à frente de cada participante.
— O que é isso? Algum tipo de competição culinária?
— Acalme-se, senhor Zawaski. Esses pratos fazem parte do castigo dos erros. O primeiro erro será preparado cinco cabeças de alho cruas; O segundo erro será olhos de vaca; o terceiro erro será ração enlatada; o quarto será sangue de porco; o quinto será testículo de boi. O sexto erro ou se a pessoa perder porque fez menos pontos, o castigo será ter que preparar sozinho... — O segurança abriu um isopor, mostrando um peixe dentro. — Baiacu. A espécie a ser preparada é a japonesa, ou seja, a mais venenosa de todas.
Johnny sabia da sua potencial desvantagem. Nunca preparou um peixe desse tipo em sua vida. A ova dele possui um dos venenos mais mortais do planeta.
— Espera. Se são seis erros, não acha injusto não sabermos primeiro as posições das cartas? Quem me garante que ele não tem um truque na manga.
— Eu ia mostrar isso, senhor Zawaski. — Régis mostrou no telão a posição das cartas virada para cima. Levou um tempo pois o secretário utilizou uma vara para virar e desvirar todas as cartas. Essa vara possuía um pequeno imã enquanto as cartas era de um material metálico.
— Desconfiando de mim, senhor Johnny? Isso é uma acusão sem base alguma.
— É o meu instinto de detetive.
Nilo sorriu por dentro. Pensou no quão ingênuo era o detetive. Em seus pensamentos cantou vitória pois havia um ás na manga.
O secretário pegou uma moeda de 1 real e pediu para escolherem um lado. Nilo ficou com coroa enquanto Johnny com a cara.
— O senhor Zawaski ganhou. Ele começa.
Todas as cartas eram iguais, exceto os números. Nada era minimamente diferente: formato, desenho, posição sobre a mesa. Tudo o que levaria a crer alguma trapaça não foi encontrado.
— Não vai começar, senhor Johnny? Estou esperando a minha vez.
— Número 7.
O animal era ZEBRA
— Número 44.
O animal também era a ZEBRA, portanto Johnny recebeu um ponto. Régis explicou que o vencedor do turno poderia virar as cartas à vontade, desde que acertasse todas. Os animais certos eram tirados da mesa.
— Número 32.
COBRA CORAL
— Número 20.
COBRA CORAL
Rodrigo se entusiasmou com o jogo. Lucas continuou quieto.
PLACAR: JZ 2 x 0 NM
Nilo riu.
— NÚMERO 45.
ONCA-PINTADA
— Número 17
GATO
— Senhor Johnny errou. Terá que pagar o castigo.
O segurança colocou os alhos no prato dele. O garfo e a faca também fora postos.
— Bom apetite — falou Nilo.
Johnny não quis usar os talheres para se servir, pondo cada cabeça de alho na boca. Seus olhos lacrimejaram por causa do ardor. No final abriu a boca para mostrar que comeu.
JOHNNY Z. : XOOOOO
NILO M. : OOOOOO
O anfitrião tomou a palavra.
— Número 45.
ONÇA-PINTADA
— Número 50.
ONÇA-PINTADA
Ganhou um ponto.
— Número 2.
GATO
— Número 17.
GATO
— Número 12.
GOLFINHO
— Número 13.
GOLFINHO
— NÚMERO 1.
CALOPSITA
— NÚMERO 40.
CALOPSITA
Nilo bateu palminhas para ele mesmo, comemorando ter acertado quatro de uma vez só.
— Isso é mau. — Fredd e Lucas olharam para Rodrigo. — Nesse ritmo acabaremos perdendo. Aquele homem deve estar familiarizado com o jogo e as cartas. Estatísticamente falando, o Johnny tem 30% de chance ou menos de vencer.
PLACAR: JZ 2 X NM 4
— Número 10.
CACHORRO
— Número 30.
CACHORRO
O nervosismo de Rodrigo aumentou. Tomou a mão de Fredd. Lucas, porém, sentiu confiança no seu namorado. Conhecia Johnny há tanto tempo e sabia perfeitamente que ele era um homem observador.
Nos seus pensamentos, Nilo gargalhou a vitória que estava por vir. Não havia nenhum tipo de trapaça visível aos olhos. Fisicamente falando, as cartas estavam limpas. Entretanto, cada uma delas possuía um cheiro diferente. Eram aromas tão suaves que somente colocando o nariz perto para sentir. Nilo era diferente. Seu olfato era 10 vezes maior do que de um humano comum. Sabia exatamente onde estavam os animais.
— Antes de fazer a sua jogada, posso perguntar algo?
— Pode, queridinho.
— Posso pedir que você se abstenha do primeiro castigo? Não quero que coma alho.
— Por quê?
— Posso ou não?
Nilo deu de ombros e agradeceu ao homem pela gentileza.
— Espere. É a vez do senhor Maldonado.
— Acalme-se, secretário. O senhor Maldonado permitiu.
Johnny utilizou a faca para picar o alho. Os pedacinhos jogou no meio da mesa. O cheiro de alho surgiu, impedindo a trapaça do anfitrião.
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