Johnny... O bom detetive
48 Parte 05: Quem matou Nestor Foster? // Capítulo 03: Boate Pt 1
O sábado passou tão rápido como qualquer outro dia. Johnny resolveu morar com o novo namorado por tempo definido, Lucas ficou feliz por ser recompensado após tantos anos na "friendzone", Júlia saiu de casa pela primeira vez em trinta anos, Hugo degustou o sabor amargo da solidão e Rodrigo resolveu ajudar o detetive a descobrir o local misterioso que o seu pai frequentava.
Um vídeo conferência entre Johnny e o delegado Jarbas aconteceu no final da tarde. Eles falaram acerca das imagens das câmeras de segurança da fábrica. O delegado enviou para o email dele os prints mais importantes. Uma das imagens mostrava, dentro do depósito de cargas, os trabalhadores conduzindo algumas empilhadeiras com as caixas dos estoques. Era nítida a presença do supervisor Kevin Aguiar. Em outro print aparecia Fredd seguindo uma outra pessoa — provavelmente Rodrigo — à direção dos banheiros. Uma terceira imagem mostrou as escadas que levam para a passarela e que vai para a área administrativa; o suspeito, completamente de preto, passou por essa câmera sem vacilar.
— O que tá vendo? — Perguntou Lucas após sair do banho.
— O Jarbas me enviou 25 prints da noite em que Nestor Foster morreu. Quer analisar comigo?
— Mas é claro.
À noite, após uma verificação de quase todas as imagens, Johnny escolheu duas que chamou a sua atenção. A primeira foto era da área do depósito de cargas em que aparecia Kevin Aguiar no telefone, aparentemente ocupado, ao lado de mais dois funcionários, a segunda era do mesmo Kevin olhando com atenção para a direção das escadas.
— Acho que esse detalhe passou despercebido da polícia. Tá vendo? O homem aparece bastante ocupado no celular. Em seguida ele para o trabalho e olha para as escadas com curiosidade. O jeito que ele se projeta para ver algo importante a ponto de parar tudo é engraçado. A sua postura corporal revela muita coisa: ele não vira apenas o rosto, mas o corpo todo. A mão que segura o celular fica abaixo da sua cintura, ou seja, o que ele viu foi tão impactante que a ligação importante ficou em segundo lugar. Os funcionários continuam olhando para ele, isso quer dizer que apenas o falecido viu algo ou alguém.
— Alguém?
— O que poderia causar um impacto tão grande que chamou a atenção apenas do supervisor, e não dos funcionários? Se fosse algo relativo ao trabalho, os dois funcionários também prestariam atenção. Kevin viu uma pessoa que não deveria estar ali. Uma pessoa que não era estranha pois, como vimos, o assassino entrou facilmente na fábrica, estacionou o carro, saiu mascarado da primeira câmera e entrou pelo depósito de cargas sem chamar a atenção. Kevin conhecia o assassino.
— Se o Kevin conhecia o assassino, ele seria cúmplice? Como ele reconheceria alguém quando se está todo de preto e com máscara balaclava?
— A minha intuição diz que Kevin conhecia o assassino, viu o mesmo naquela noite, porém não era cúmplice. O jeito que ele olhou repentinamente naquela direção indica que reconheceu o assassino, houve um espanto por vê-lo ali naquele horário. Ele viu provavelmente o seu próprio assassino. Quando fomos à fábrica anteontem, interrogamos ele e recebemos pouca informação. Ou ele tava escondendo a identidade do assassino por medo de ele ser preso ou não se lembrou na hora. Talvez o nosso suspeito seja alguém que o Kevin conhecia, talvez amigos, e foi morto porque esse amigo soube que estávamos na fábrica e que a qualquer momento voltaríamos e pressionaríamos o supervisor a falar mais. Acho que eu tenho um suspeito em mente.
— Já sabe quem é o suspeito? Pode falar?
— Ainda não. Preciso ter a certeza possível. Bom, agora eu vou tomar um banho.
— Quer que eu esfregue as suas costas?
— Nem tente.
Lucas riu da reação de Johnny. Namorar com outro homem de fato era diferente do que mulher, sobretudo quando esse homem era autossuficiente como Johnny.
...
A avenida Beira-Mar era um cartão-postal da cidade de Fortaleza. Vários hotéis de luxo e apartamentos caros se encontravam nessa avenida de frente à praia. Um desses apartamentos era de Júlia Zawaski. Outro ponto importante era a localização do BBV.
O carro de Rodrigo parou na frente do calçadão. Fredd e ele andaram pela orla até chegarem ao local marcado.
— Não entendo. Esse é o lugar? — perguntou Fredd.
— Provavelmente sim. O número é o mesmo. Não faz muito sentido, mas tem que ser aqui.
Os dois ficaram de frente a um tipo de igreja protestante. Era um prédio com cinco andares, com as janelas totalmente de vidros. Era impossível ver o que havia dentro pelo vidro, pois o reflexo de fora aparecia.
— Nunca ouvi falar dessa igreja. Será que é algum tipo de culto pagão? Como que o meu pai frequentava um bagulho desse?
Eles viram um rapaz franzino parado no calçadão. Rodrigo olhou para o seu pescoço, vendo uma coleira preta de proteção para ômegas. Pediu para Fredd conversar com ele.
— O que eu digo?
— Pela vestimenta deve ser um garoto de programa. Diga que estamos interessados no serviço e me apresente como alfa também.
Minutos conversando com o ômega, Fredd retornou com boas notícias.
— Ele nos convidou a entrar na igreja.
— Quê? Então essa igreja é só fachada? O que há lá dentro que chamou a atenção do meu pai?
Ainda no apartamento, Lucas e Johnny assistiam a um filme quando receberam uma ligação de Rodrigo.
— Fala.
— Boa noite, senhor Johnny. Como vão os dois pombinhos?
— Não enrola, Rodrigo. Eu te pedi um favor. Achou o local?
— Não só achei mas também estou aqui com o Fredd dentro do lugar. Foi só mostrar meu cartão de crédito que o pessoal daqui está me tratando como o Rei Salomão. Sabe, acho que vou me converter. Virarei crente a partir de agora.
— Do que você tá falando?
— Eu entrei na igreja pra rezar, mas acabei bebendo martini ao lado do Fredd. Sim, meu amigo. BBV significa Boate Boca de Veludo. Aqui rola de tudo. Desde a fachada de igreja, boate, prostituição de ômegas e um cassino clandestino.
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