Johnny... O bom detetive
39 Parte 04: Predestinados // Capítulo 10: Oportunidade de ouro
Durante o banho, Johnny lembrou do papel que encontrou na fábrica. Ele colocou dentro do bolso da jaqueta. Saiu do banheiro com um roupão, desceu e caminhou até a área de serviço para procurar a roupa. Dentro do cesto de roupa suja viu a jaqueta.
— Senhor, o que faz aqui? — Perguntou a governanta.
— Procurando algo. Achei.
O papel era uma pista valiosa para o próximo passo da investigação.
O julgamento do assassino em série Antônio Vicente da Costa, também conhecido por Vince, começou por volta do meio-dia e meia e durou até meados das cinco horas. Algumas testemunhas foram ouvidas. Também o julgamento foi marcado por manifestações de ômegas e simpatizantes. As pessoas seguravam cartazes e pediam por justiça. Cerca de mil pessoas fizeram uma passeata na frente do fórum Clóvis Bevilaqua. O julgamento retornará na segunda-feira e durará até quarta com os depoimentos do acusado, promotor e advogado de defesa. As famílias das vítimas serão ouvidas na segunda, contudo o grande momento será o possível depoimento do detetive Johnny Zawaski, homem responsável por prender o assassino...
Desligou a TV. Usou o celular da prima para ligar ao promotor amigo seu.
— Não vou depor no meio de uma investigação, Max. Preciso me concentrar 100% no caso em que estou.
— É uma pena, amigo. Todos pensavam que você encararia o Vince.
— Eles só querem um bom show, meu amigo. Não fiz mais do que a minha obrigação como homem da lei. Tenho certeza que o estado dará uma punição justa a ele. Agora preciso desligar. Boa noite.
— Boa noite. Depois vamos beber como antes.
— Okay. Preciso desligar.
Ele entregou o celular para Cecília, que fez questão de saber quais eram os seus planos de fuga. Johnny afirmou categoricamente que não ficaria mais um segundo na mansão.
— Quero só ver como vai ser isso.
— Vou pular o muro.
— O quê? Tá maluco? Não pode fazer isso. O muro é alto.
Ele se vestiu como uma blusa branca simples, calça jeans e um tênis.
— Esqueceu que sei subir em árvore? Perto da quadra de tênis há algumas árvores frutíferas com galhos baixos. Tentarei pular dali.
Os seguranças caminharam pela área externa. Alguns ficaram na saída da mansão. O detetive pediu ajuda para a prima na sua fuga. Eles fizeram uma corda de lençol, e assim o homem conseguiu descer pela varanda do seu quarto.
— Ainda acho isso arriscado.
— Confia em mim, prima. Eu sou bom.
Cecília revirou os olhos e voltou para o quarto.
Com uma lanterna na mão, Johnny caminhou pelos fundos da mansão onde havia a quadra e o heliponto. As árvores ficavam bem perto do muro. Ele colocou a lanterna dentro do bolso da calça e começou a escalar a árvore mais acessível, a mangueira.
Um cachorro são bernardo não parava de latir ao vê-lo trepado no galho. Era o cão doméstico que vivia solto na mansão à noite.
— Shiu! Cala a boca, Björn. Silêncio!
O muro era mais alto do que esperado e havia plantas trepadeiras que dificultavam o acesso. Repentinamente sentiu uma inexplicável tontura e medo ao olhar para baixo. Caiu sentado.
— O que aconteceu comigo? — O cão lambia o seu rosto.
Inconformado, ele entrou na mansão pela porta da frente. A sua avó se assustou quando o viu com aspecto sujo, cheio de folhas nos cabelos e rosto com arranhões.
— Que foi isso, meu bem.
— Vó... agora eu me lembrei de uma coisa. A senhora tem o número do médico da família.
— Por quê?
Ele contou um segredo em seu ouvido. A anciã se assustou com a notícia.
— Não fale isso isso para ninguém.
Hugo saiu do escritório no momento em que seu filho conversava na sala. Os dois se encararam.
— Já devia estar arrumando as suas coisas. Segunda você vai para São Paulo. — Saiu em seguida.
— Outra vez i...
— Não brigue, meu neto. Por favor.
— Sabe de uma coisa, vó? Liga para o médico não. Mudei de ideia. Não conte para ninguém.
Ele voltou ao quarto.
...
Guaramiranga
— Querido, voltei!
— Amor. — Fredd deu um abraço em Rodrigo na frente do hotel.
— Nenhuma notícia daqueles dois? — O alemão negou. — Infelizmente houve um incidente na fábrica. Fomos parar no hospital. Acredita? Deixei-os lá e pedi para me ligarem, mas eles não me ligam, não me dão notícia. Acham que sou criança. Fredd. FREDD? Oxi. Tá nas nuvens?
— Desculpe. Estou me lembrando de algo que eu ouvi mais cedo. É sobre o gerente do hotel.
— O Francisco? — O celular dele tocou. — Espere. Um número desconhecido.
...
Por volta das 19:30, os pratos foram colocados à mesa pelos empregados. Era quase a hora do jantar.
— Senhor, o jantar estará quase pronto. — A governanta avisou.
— Avise a minha mãe que não descerei. Estou sem apetite e no telefone.
Do lado de fora da mansão, um carro parou do outro lado da calçada. Selma conseguiu chegar no endereço dos pais de Johnny depois de um bom tempo procurando — pois era a sua primeira vez indo a esse endereço. Saiu do veículo, atravessou a pista e ficou na frente do muro. Havia um enorme portão branco automático onde os carros passavam, uma porta e acima dela uma guarita. Ela tocou o interfone.
— Quem é?
— S-sou a Selma. Eu sou amiga de Johnny. Ele está?
A pessoa ficou calada por quase trinta segundos até falar.
— Senhor Zawaski proibiu que estranhos se aproximassem da propriedade. Se não quer que eu chame a polícia, vá embora.
— Mas eu tenho que falar algo... olá? Desligou!
Ela tocou outra vez, mas foi ignorada. Viu uma câmera de segurança na parte de fora do muro e mostrou o dedo do meio.
— Como vou mostrar isso se eu nem sei onde ele está?
Cecília agradeceu aos tios pela hospitalidade. Não quis ficar para o jantar pois o seu esposo voltou de viagem no começo da noite.
— Vamos, meninos.
Os três entraram no carro.
Selma viu o portão se abrir e um carro Hillux sair da mansão. Imediatamente ela se jogou na frente do veículo.
— Para, por favor!
— Sai da frente — buzinou.
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