Johnny... O bom detetive
40 Parte 04: Predestinados // Capítulo 11: Cai a máscara Pt 1
Minutos antes...
Os empregados colocaram os pratos sobre a mesa. Às 20 horas sempre era o horário do jantar.
— Mamãe, parece pálida. Sente-se mal? — Disse Júlia sentada na sala de estar.
— Não foi nada, querida. Estou apenas cansada dessa discussão toda. — Respondeu Zoraide enquanto bebia chá numa xícara.
Cecília também acompanhava a tia na hora do chá.
As crianças corriam com Björn no lado de fora enquanto a mãe se preparava para ir embora.
— Falarei com o Johnny um momento. — Subiu, entrou no quarto do primo.
— Pensei que havia saído. Precisa do seu celular?
— Sim, preciso ir embora. Meu marido provavelmente retorna de Recife hoje. Quer fazer mais uma ligação?
— Posso?
— Pode. Te dou cinco minutos.
Guilherme e Gustavo brincavam com o cachorro quando se aproximaram da guarita. Os dois subiram a escada espiral que dava à porta e bateram.
— Tem alguém aí?
— Pode abrir?
O segurança abriu a porta, permitindo que os dois entrassem. Dentro era até espaçoso. Havia um computador com a imagem em tempo real de todas as câmeras, uma janelinha de vidro que dava para ver o lado de fora. A guarita era um pouco maior que o muro.
— Moço, tem um carro parado ali.
— É um carro bem esquisito.
— Um carro? A única mansão com entrada nessa parte da rua é essa. Porque esse carro está ali?
O segurança usou o rádio para comunicar aos demais sobre a presença desse carro. Ligou para o chefe da segurança.
— Estou fazendo a ronda. O que é? — Explicou tudo sobre o carro. — Qualquer pessoa que a família não conheça, despache imediatamente.
— Sim, senhor.
Do lado de dentro da mansão, Johnny discou o número do serviço de agenda telefônica. Pediu todos os números de pessoas com o nome de Rodrigo Foster de Fortaleza e Guaramiranga. Por sorte apenas um nome foi achado.
Hugo saiu do banho, desceu e foi para a mesa. Sentou-se à cabeceira, sempre sendo o primeiro a chegar.
— Seu filho não vem jantar?
— Nosso filho precisa de tempo.
— Como está? Machucou-se?
Júlia ficou calada. Pediu para a governanta chamar o seu filho.
— Senhor, o jantar está quase pronto. — A governanta avisou.
— Avise a minha mãe que não descerei. Estou sem apetite e no telefone.
Rodrigo atendeu.
— Aleluia. Finalmente consegui contato de fora.
— Senhor Johnny? Ligando de um número desconhecido? Cadê o seu?
— Acho que perdi em algum canto. É o seguinte, meu pai me deixou em cárcere privado, perdi totalmente contato com o Lucas. Acho que algo ruim aconteceu. Já tentou ligar para ele?
— Já sim. Ele não me responde de jeito nenhum. Como você está? Deixei vocês dois sãos e salvos na clínica, mas agora está me dizendo que perderam contato. O que diabos ocorreu nesse meio tempo?
— Meu pai acha que Lucas me violou. Eu tentei explicar que não, mas ele não me ouve. Fiquei desacordado o dia inteiro e não sei o que ocorreu. Por favor, se ele ligar para ti, mantenha-me informado.
— E o que vai acontecer com a investigação?
— Não sei, Rodrigo. Darei um jeito. Vou tentar fugir de casa.
Cecília pediu para devolver o celular.
— Eu também tenho algo importante para falar. Sabe o tal Kevin Aguiar? Na noite em que vocês estavam presos no banheiro, ele foi assassinado.
— Fala sério?
A prima apressou Johnny. Ele se despediu de Rodrigo e prometeu não abandonar a investigação.
Enquanto isso, Selma saiu do carro e tentou falar com o segurança. Os gêmeos permaneceram na guarita e viram a mulher sair para falar pelo interfone. Escutaram a voz dela e a informação de que conhecia o Johnny. O segurança, seguindo ordens, despachou a mulher.
Júlia e Zoraide se despediram de Cecília. Bia e Hugo permaneceram quietos à mesa.
— Aquele moleque não vai descer? — indagou o patriarca.
— Não. — Respondeu Júlia.
— Por favor, meus queridos sogrinhos, não briguem. Agora que Johnny e eu estamos num bom momento do casamento, melhor brindarmos. — Bia se levantou e pegou a taça de vinho. — Vamos brindar.
— Brindar sobre o que? — Perguntou Zoraide.
— Ao nosso futuro. Meu e do Johnny. Sinto que a partir de hoje nossas vidas mudarão.
...
O carro de Cecília ficava estacionado na frente da mansão, dentro da propriedade, num tipo de pista de paralelepípedo. Essa pista começava na garagem e saía pelo portão.
— Coloquem os cintos.
A Hillux aproximou-se da saída. O segurança da guarita abriu o portão automático. Ela logo saiu, preparando-se para seguir pela rua. Selma apareceu bem na frente do carro.
— Sai da frente! — Buzinou.
— Escuta. Eu sou amiga do Johnny!
Guilherme e Gustavo reconheceram a mulher e disseram para a mãe. Ela diminuiu um pouco o vidro.
— Quem é?
— Eu me chamo Selma. Sou a secretária do senhor Zawaski. Preciso avisar algo urgentemente a ele.
Dois seguranças viram e tentaram prender a secretária. Cecília pediu para que a soltassem por um momento. Saiu do carro.
— O que há de tão urgente?
— Um vídeo da esposa dele, Bia Zawaski, cometendo adultério com outro homem.
— Eu não tenho tempo para brincadeiras, meu bem. Vou embora.
— Olha aqui o vídeo.
Cecília segurou o celular. A imagem de Bia em momentos íntimos com outro homem apareceu nitidamente. O choque foi tremendo, mesmo para alguém que não suportava a esposa do prima.
— Vem comigo. — Ela pediu para Selma entrar na propriedade. As duas crianças também entraram. — Agora você me conta o que é isso?
— É uma história um pouco longa.
A secretária explicou tudo o que soube através de Camila. Desde as atitudes suspeitas de Lúcia até o roubo do celular.
— E pensar que a Bia foi burra o suficiente para não prestar atenção se o celular tinha cartão de memória. — Cecília riu.
Na mesa, os quatro iniciaram o jantar tranquilamente depois do brinde.
— Cecília? Não foi embora?
— Não, tia. Preciso conversar contigo um momento. Pode vir aqui um pouco.
Júlia se levantou e seguiu a sobrinha para a sala. Viu Selma parada perto da lareira.
— Essa não é a secretária do meu filho? O que faz aqui?
— Tia, assista a isso.
A matriarca segurou o celular...
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