Johnny... O bom detetive
36 Parte 04: Predestinados // Capítulo 07: Gêmeos
Hugo revisava alguns papeis dentro do escritório da mansão quando a governanta bateu na porta. Avisou sobre a chegada de sua nora.
— Ela disse que quer conversar com o senhor. Antes foi ao quarto do senhor Johnny.
— Obrigado pelo aviso.
No quarto, Bia encontrou a mãe e a avó do seu esposo. Deu um bom dia para elas.
— Deve ser difícil para você, querida.
— Dona Zoraide, obrigada por se preocupar comigo. Não está sendo fácil para mim.
Ela cumprimentou Júlia e pediu para ficar sozinha com o marido. Mãe e avó saíram do quarto, dando uma boa oportunidade para a megera tentar pegar a seringa dentro da sua bolsa.
— OLÁ!!!
— OLÁ!!!
Ela levou um susto quando apareceram duas crianças praticamente gritando no quarto. Eram dois meninos gêmeos, filhos da prima de Johnny.
— Meninos! Fiquem quietos.
— Mas o tio Johnny tá doente.
— Queremos animá-lo.
— Guilherme e Gustavo, querem ficar sem vídeogame por uma semana?
— Não, mamãe.
— Vamos nos comportar.
Aquele barulho de conversa incomodou demais Bia. A prima de Johnny era uma mulher beta muito bonita, com seu cabelo preto e curto que destacava seus olhos azuis.
— Bia, como vai?
— Muito bem, Cecília.
— O tio tá lhe chamando lá em baixo. Pode ir. Cuido do meu priminho.
Bia perdeu uma oportunidade para marcar o marido. Desceu e foi para o escritório do sogro. Conversaram sobre os preparativos para a ida a São Paulo. No meio do diálogo, Bia falou da sua visita a Lucas. Contou sobre a sua proposta de fazê-lo ir embora para Cuiabá antes do despertar de Johnny.
— Esse maldito violou o meu filho. Quer que eu fique de braços cruzados?
— Johnny logo despertará e fará de tudo para soltá-lo. Precisamos ser diligentes e assegurarmos que esses dois nunca mais se encontrem.
O homem pensou melhor, assentindo. As palavras de Bia faziam total sentido.
— Vai sair, senhor? — perguntou a governanta.
— Fale para o motorista tirar o carro da garagem.
O carro parou na frente da porta da casa. Hugo entrou no banco traseiro e pediu para que os seguranças não seguissem. Queria todos eles na mansão para evitar uma fuga do seu filho.
Na delegacia, Hugo falou com o delegado sobre a acusação que fez. Afirmou que havia errado, que era uma acusação no calor do momento feita por Bia Zawaski.
Um policial foi até a cela, soltou o moreno e pediu para acompanhá-lo até o gabinete do delegado. Recebeu todos os seus pertences, exceto a arma.
— A arma fica para maiores averiguações. Depois será devolvida por correio em alguns dias. Algum problema?
— Nenhum. Seu delegado, por que me soltou?
— Saia da delegacia e verá.
Lucas caminhou para fora do lugar. O motorista estava parado na entrada e do lado de fora. Pediu para que seguisse-o até o carro.
— Entre, senhor.
— O que quer? Quem é?
Ele entrou no veículo e viu Hugo.
— Senhor Zawaski?! Foi o senhor que me tirou daqui?
— Vamos, motorista. — Ele pegou um envelope amarelo e tirou um papel que parecia um documento. — Aqui. Assine isto.
— Espera. Pode me responder? Por que me tirou de lá?
— Ana Beatriz conseguiu me convencer a soltá-lo em troca da sua ida para fora do estado. Antes fui ao escritório do meu advogado para fazer esse documento que me dá certeza que não se aproximará do meu filho. Agora assina.
O moreno pensou em não assinar, porém a sua vida e a do Johnny tornariam-se mais difíceis. Pegou a caneta e preencheu a linha.
— Ótimo. Fique longe do meu filho a partir de agora. Tome. É uma passagem com escala para o Mato Grosso. Sairá às 23 horas de hoje. Arrume as suas trouxinhas e vá embora.
O carro parou perto de uma praça com alguns táxis.
— Saia, e cumpra a sua parte. Esteja avisado. Logo confirmarei a firma deste documento.
Ele saiu do carro. Pensou muito no que fez, sentando no banco da praça e alisando o gato que insistia em roçar na sua perna.
...
Horas se passaram desde que Johnny foi levado para a mansão. Nesse ínterim, o doutor Túlio fez os exames para saber a saúde do rapaz. Avisou para a mãe dele que a sua condição física melhorou depois do tratamento na clínica, porém havia dúvida sobre o seu estado emocional. Pediu calma e paciência.
— Em breve ele acordará e precisará de apoio, não de repreensão.
— Tomarei as devidas precauções, doutor.
Júlia acompanhou o médico até a saída.
À tarde, Bia encontrou um tempo para ficar sozinha com o esposo. Retirou uma seringa e um medicamento líquido. Pôs o remédio na seringa, procurou a veia no braço do homem e enfiou o objeto. Quase injetou a droga se não fosse por Cecília chegar bem na hora.
— O que está fazendo?
— Medindo a temperatura dele. Trouxe um termômetro que o médico me deu... — Escondeu a seringa dentro da bolsa.
— O tio acaba de chegar da empresa. Ele está chamando.
Bia saiu do quarto. Cecília se aproximou de Johnny e verificou o seu braço. Viu uma marca de injeção.
Hugo e Beatriz conversaram sobre o destino de Johnny a partir daquele momento. O patriarca garantiu que o filho se mudará para São Paulo e que a vida sem Lucas continuará.
— Conversei com ele mais cedo e aparentemente concordou em ir embora. Espero que sim pois tomarei as minhas providências se ele tentar se aproximar do meu filho mais uma vez.
— E se ele aparecer aqui? Ou o Johnny sair?
— Meus seguranças foram avisados para impedir que tais coisas aconteçam. E caso no futuro eles se reencontrem, colocarei Lucas atrás das grades.
Enquanto isso, Cecília foi ao banheiro e pediu aos dois filhos para que vigiassem o rapaz.
— Não façam alvoroço. Volto já.
Os meninos pegaram canetas marca texto e passaram a fazer um bigode na cara de Johnny. Depois fizeram um desenho de óculos. Riram.
De repente, Johnny abriu os olhos. Sua mente estava um desastre, não sabia onde estava e sua visão meio turva.
— TIO JOHNNY ACORDOU!!!
— TIO JOHNNY ACORDOU!!!
As crianças pularam em cima dele.
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