Johnny... O bom detetive

37 Parte 04: Predestinados // Capítulo 08: Pai e filho


As crianças correram para avisar sobre o despertar de Johnny para a sua mãe. A primeira pessoa a saber foi Cecília.

— Minha cabeça dói. — Tentou se levantar, mas sentiu um ardor entre as nádegas que não deixou-lhe ficar em pé direito. — Merda.

— Primo. Não faça esforço. Volte para a cama.

— Quem me trouxe?

— Os tios. Você foi levado para uma clínica e foi tratado lá. Os tios decidiram trazê-lo para cá.

Guilherme e Gutavo tentaram abraçar Johnny, mas foram repreendidos pela mãe. Ela limpou o rosto dele com um pano molhado.

— Tem algo que queira me dizer? Sabe que eu sempre fui a sua confidente.

Ele se lembrou do momento em que fez sexo com Lucas. Um calafrio tomou o seu corpo dos pés à cabeça. O coração bateu mais forte, o corpo esquentou e logo corou. Cecília segurou as suas duas mãos e sorriu.

— Sabe o que eu acho? Você acabou de pensar na pessoa que ama.

— Como pode ter tanta certeza?

— Eu basicamente te conheço mais do que os meus tios. Enquanto eles trabalhavam, eu era a única que ficava contigo quase o tempo todo.

— Estou confuso. Não sei bem o que sentir. Minha cabeça está a mil.

— Não precisa guardar tudo para si. Eu acredito em ti, primo. Agora me conta, você realmente sofreu violação ou foi consentido?

— O que disse?

— Aposto meu fígado que você não foi violado como o tio disse.

Ainda com dores, Johnny caminhou para fora do quarto. Ele desceu a escada, procurou pelo pai na mansão até chegar no escritório.

— Pai.

— Amor! Você despertou rápido.

Bia deu um abraço nele e passou a beijá-lo. O ômega se desvencilhou da mulher, andou em direção ao pai e bateu com a mão sobre a mesa.

— Quem te deu o direito de me trazer até essa casa sem o meu consentimento?

Hugo ficou olhando alguns papéis.

— Estou falando com o senhor. Quer que eu grite em seu ouvido?

— Muito ruidoso. Não pode ser mais agradecido a esse pai que tanto te ama.

Johnny gargalhou irônico.

— O senhor se preocupar comigo? De todas as pessoas do mundo é a que menos se importou. Seu jeito não combina comigo.

— Se é o que sente, posso fazer nada. — Voltou a olhar os papéis.

Johnny pegou esses papéis e jogou na cara do próprio pai. Bia pediu para o marido se controlar, porém foi afastada por ele.

— Fez alguma coisa com o Lucas?

— E se eu fiz, o que muda?

— O que o senhor fez?

— Mandei ele se afastar de você por um tempo. Você precisa reconsiderar a sua vida a partir de hoje. Farei de tudo para fechar o seu escritório, você e Bia se mudarão para São Paulo. Vai trabalhar na companhia.

O olhar de nojo de Johnny era evidente. Nunca pensou que o pai fosse tão longe. Saiu ainda de pijama.

— O que pretende fazer?

— Vamos embora, Bia. Pegue o seu carro pois voltaremos para casa.

Júlia e Zoraide conversavam na sala quando o homem apareceu. Sem dar muita atenção para as duas ele abriu a porta e saiu ainda de pantufas. As três mulheres tentaram convencê-lo a não sair, no entanto foi em vão. A determinação falou mais alto.

— Sinto muito, senhor Johnny. O nosso chefe pediu para não deixá-lo sair. — Disse um dos seguranças no portão de saída.

Aquilo foi a gota d'água. Ameaçou denunciar o pai por cárcere privado. Júlia tentou acalmá-lo de todas as formas.

— Deixa ele. Esse moleque precisa de um choque de realidade. Dessa casa você não sai até se convencer a ir para São Paulo.

— Hugo, para — implorou Júlia.

A raiva de Johnny apenas aumentou. Ameaçou ligar para a polícia se não deixasse-o sair. Hugo, porém, foi categórico a não ceder.

— Como pode me manter preso aqui? Eu tava no meio de uma investigação!

— Pois o seu amiguinho fará a investigação só. Esqueça isso. A partir de agora trabalhará para a companhia, filho ingrato!

— Você que é um pai de merda! Sempre querendo que eu siga a sua vida da sua maneira. Eu deixei bem claro quando passei a viver sem o seu dinheiro.

— E como fica a reputação da família? Você longe de casa, sabe-se lá o que está fazendo. Com quantos homens já se deitou, assim como se deitou e abriu as pernas para o seu amigo.

As palavras de Hugo foram tão duras que sequer Johnny pode replicar. Júlia se aproximou do marido e deu uma bofetada.

— Nunca mais fale do nosso filho assim.

— Ora, sua. Agora enlouqueceu. — Hugo segurou forte a esposa pelo braço e a jogou no chão.

— Mamãe! A senhora está bem?

— Tudo, filho. Não se preocupe com o seu pai. Ele é cabeça dura.

— Cabeça dura uma ova.

Cecília viu a briga na sacada da mansão. Sempre foi assim. As brigas mais acaloradas eram do tio e do primo.

...

Enquanto isso, no fim da tarde, um ônibus parou na parada e dele desceu Camila. A filha de Lúcia pegou o papel com o endereço, caminhou alguns quarteirões e chegou na frente do escritório de detetives particulares.

— Eu não consigo contato com eles. Nem um nem outro. O que está acontecendo? — Selma desabafou com a recepcionista.

— Vai ver estão numa parte importante da missão.

— Ou talvez estejam fazendo suculências, se é que me entende? Hihihi.

— Você nunca escondeu sua natureza fujoshi, Selma. Sempre querendo que aqueles dois se pegassem. Também não a julgo por isso.

— Não tem como não shippar. Eles foram feitos um para o outro. Já pensou eles fazendo sexo?

As duas imaginaram Johnny e Lucas no sexo. Chega babavam.

— Com licença... — Camila apareceu.

— Sim, pois não? — Disse a recepcionista.

— Eu sou a filha da ex-empregada do dono dessa agência. Ela me deu esse endereço. Preciso falar com ele.

Selma se antencipou.

— Ele não está. Pode falar comigo, eu sou a sua secretária.

A moça perguntou se ele voltaria naquele dia, porém Selma informou que não.

— Depois eu volto.

— Espera. Confia em mim. Sou amiga dele e posso dar o recado.