Johnny... O bom detetive
35 Parte 04: Predestinados // Capítulo 06: Cartão de memória
— Eu pus um supressor tarja preta dentro do uísque que te ofereci. Era o remédio que controla os ciclos de calor do Johnny chamado Vaxenyr.
O nome do remédio veio à mente dele. Por uma semana Johnny sofreu para ter o remédio. Os genéricos sequer fizeram efeito. Só recuperou-o ontem quando foram para casa.
— Como sabe, supressores tarjas pretas são indicados para serem tomados exclusivamente com base no gênero em que ele trabalha. Vaxenyr é um alento para um ômega, mas um inferno para um alfa.
— Você me drogou. Por que tudo isso?
— Eu não quero ser repetitiva. Disse que nunca gostei de você. Sua aproximação exagerada ao meu marido, seus olhares se encontrando e sorrisos. Isso foi me irritando à medida que os anos passaram. Quis tentar esquecer o meu ciúme, porém esse sentimento foi mais forte do que eu. Talvez eu não estava totalmente errada ao sentir-me ciumenta.
— Você me drogou, eu entrei no rut antecipado por tua culpa. Você quer se fazer de vítima aqui, mas a única vítima é o Johnny por ter casado com uma cobra.
Bia suspirou.
— Não faça escândalo. Ninguém vai crer em ti. Ninguém vai dar valor ao depoimento do "Armário" em detrimento de uma dama como eu. No entanto, eu vim para propor um acordo.
— Que acordo?
— Vá embora da vida do Johnny. Deixe-nos viver sossegadamente.
Lucas sorriu e encostou-se na parede. Desdenhou da proposta dela, negando veementemente.
— Vou esperá-lo acordar. Aí veremos quem vai quebrar a cara.
— Não está em condições para exigir nada. O pai dele já levou-o para a mansão e pôs seguranças para impedirem que ele fuja. A vida dele será um inferno pois o senhor Zawaski vai fechar o escritório em que trabalham.
— Como pode tanta crueldade? Você fez a cabeça dele. Já pensou que há outras pessoas que precisam desse trabalho?
— Foi o próprio Hugo quem me disse, idiota. Ele vai fechar o escritório, obrigar Johnny a se mudar para São Paulo comigo e trabalhar na empresa. Desista, Lucas. A nossa vida é completamente diferente da sua. Você é classe média, meu amor.
As palavras de Ana Beatriz eram duras, mas não necessariamente descartáveis. Sempre amou Johnny da sua forma, porém nunca foi dado a chance de cruzar a linha no relacionamento. Depois que se casou, Johnny começou a ficar ainda mais distante. Até surgir o atual caso. Coisas estranhas aconteceram e culminaram na noite de amor naquele banheiro sujo e cheio de entulho. Talvez foi o máximo que chegou. O trabalho do cio foi responsável pelo sexo, não o amor. Sempre pensou que o seu amado jamais o amou.
— Convencerei o meu sogro a tirar a queixa se me prometer hoje mesmo pegar um avião para voltar para o Mato Grosso. Sua família é de lá, não é? Seus pais viveram um bom tempo por aqui, mas decidiram retornar à terra natal depois do revés eleitoral do seu papai. Volte para Cuiabá e todos serão felizes.
— Se eu prometer ir embora, como ficará Johnny quando souber?
— Não vai adiantar nada. — Bia olhou diabolicamente. — Porque hoje vou marcá-lo. Sabe, ele está inconsciente, e tenho na minha bolsa uma droga que faz um ômega entrar no cio. Assim eu preciso ficar sozinha com ele e morder a sua nuca. Nunca mais ele me esquecerá.
Lucas correu com fúria, esticou o braço para agarrar Bia. Ela se afastou rapidamente, batendo as costas na parede.
— Vagabunda. Eu te mato!
— Adeus.
— Mesmo assim vai ser inútil ter filhos com ele. Soube que toma anticoncepcionais.
— Eu?
— Ele, vagabunda!
— O Johnny tomar anticoncepcional? Desde quando?
— Acabou o tempo, senhora. Vamos.
O policial acompanhou a senhora Zawaski enquanto Lucas ficou com os dois braços para fora da cela, lamentando não estar solto para salvar Johnny.
...
Mansão Zawaski
Uma mulher idosa regava as flores do jardim quando foi informada pelo jardineiro que o filho do patrão chegou há algum tempo. Ela agradeceu e entrou na casa.
Júlia trocou a roupa de Johnny durante o seu estado insconsciente. Ficou por um tempo deitada ao lado dele na cama.
— Filha?
— Mamãe.
— Como ele está?
— Bem. Ele está apenas dormindo.
A idosa passou a mão sobre os cabelos do neto e deu-lhe um beijo na testa.
— Isso me lembra quando ele criança e um dia se acidentou ao cair do pé de manga porque queria pular o muro, lembra?
— Sim. Ele viu um grupo de crianças brincando aqui perto e quis fazer o mesmo. Mas Hugo proibia dele fazer amigos e apenas se concentrar nos estudos.
Johnny se mexeu, assustando as duas. Ficou sentado na cama.
— Filho?
— Humph... me acorde... Lucas. Cedo... precisam...
Ele voltou a deitar e abraçou o travesseiro.
— Filha, quem é Lucas?
— O melhor amigo dele.
...
Atordoada, Camila não entendeu a princípio o que ocorreu depois da visita da ex-patroa da sua mãe. Seu quarto e outros cômodos foram revirados, mas nada roubado.
— O celular! — Enfiou a mão no sofá. — Não está.
Lembrou do dia em que a sua mãe pediu para guardar o objeto. Voltou para o quarto, mexeu na sua gaveta e pegou um cartão de memória que ela inocentemente tirou antes de esconder o aparelho. Ao lado havia um papel com endereço dado por Lúcia caso ocorresse algo.
Por curiosidade colocou o cartão de memória no seu próprio celular, clicou em arquivo de vídeo e passou os vídeos até chegar no último. A data era de segunda-feira, dois dias antes da sua mãe morrer. Assistiu.
O revelador vídeo da traição de Bia Zawaski apareceu na sua frente. Reconhecendo de imediato a mulher, ficou chocada com o que viu. Não soube o porquê da sua mãe ter filmado a ex-patroa num momento íntimo. Era o marido com ela? Pensou melhor e concluiu ser um amante pois era uma noveleira nata. Pegou o papel com o endereço e o telefone.
— Escritório de detetives Johnny Zawaski, com quem eu falo?
— Com quem eu falo?
— Sou a secretária Selma. Posso ajudar?
Camila desligou imediatamente. Valeria à pena ir a esse lugar e mostrar o vídeo?
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