Johnny... O bom detetive

30 Parte 04: Predestinados // Capítulo 01: Confissão


O banheiro foi trancado por fora, impossibilitando a saída dos detetives caso precisassem. Zawaski imediatamente saiu da cabine, tentou abrir a porta, mas sem sucesso.

— Não pode ser. Eu trancado com esse cara quase no cio?

— Pode chutar ou simplesmente atirar na fechadura.

— Inteligente... só que não. Houve um tiro agora pouco e todos estão alertas. Se eu atirar agora, pensarão que eu fui o responsável do primeiro. O que posso fazer é continuar a ligar para o Rodrigo.

O tempo passou. Depois de meia-hora esperando e sem resposta de Rodrigo, os dois preferiram sentar no chão e aguardarem alguma boa vontade do Foster.

A polícia e um carro do IML chegaram na fábrica. Era de se esperar.

— São sirenes. Sequer era para estarmos aqui. Não estranhe se formos presos como suspeitos de algo. Entramos escondidos, tenho uma arma ilegal, estamos nos escondendo aqui...

— Nem fale nisso, chefe. Pode parecer militância da minha parte, mas você é rico e vem de família abastada, pode viver de outros meios. Eu sou só um cara de classe média que tem diploma de administração, porém que nunca exerceu a função.

Johnny ficou calado por um tempo.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Sim, chefe. Eu estou aqui sem fazer nada.

— Alguma vez já ficou tão apaixonado por alguém que pensou ser o parceiro ou parceira predestinado?

Lucas sorriu com a pergunta. Era uma questão óbvia.

— Antes de responder isso, posso saber o que achou do meu beijo?

O detetive ficou parado, olhando o colega aparentemente nervoso.

— Eu sabia que isso viria à tona.

— Para, pô. Você tá se fazendo de desentendido desde quando acordou. Para mim foi algo significativo.

— Quem te deu a liberdade de me beijar daquele jeito? Por acaso eu pedi por aquilo?

— Ué? Quase me beijou quando eu dava um cochilo. Não venha dizer que não pois nenhuma pessoa que não sinta nada com outra vai chegar tão perto de uma outra quando esta está dormindo. Acho que você se aproveitou de mim.

— Muahahaha. O cara me beija, acaricia, enfia esse dedo no meu rabo e se passa por vítima aqui. Quem não te conhece que te compre, Lucas.

Um silêncio sufocante.

— Pode parecer bobo para você que já é casado, mas pra mim foi bem significantivo sim. Sabe por quê? Desde o ensino fundamental, 13 anos atrás, que eu me apaixonei por você. Desde que você foi pela primeira vez na minha casa, lembra? Antes do seu primeiro ciclo de calor, antes de tudo o que ocorreu no banheiro da escola, antes do seu pai te mandar para o exterior, antes de você se casar. Guardei esse sentimento desde que retornou noivo.

— Isso é algo do passado, Lucas. Não posso simplesmente passar uma borracha e fingir que nada aconteceu. Foi uma decisão que eu tomei ao me casar.

— Para agradar o seu pai? Ele foi o grande culpado de nós não estarmos casados. Você passa mais tempo comigo do que com a sua esposa. Eu sou o alfa que você se dedica a maior parte do tempo.

Realmente aquela conversa era irritante. Mexer com feridas do passado nunca foi bom para o ômega. Relembrar o seu pai e seu descontentamento com a amizade com o Lucas era algo aterrador. Afastou-se do amigo para protegê-lo do impiedoso Hugo.

— O que você sente quando está comigo, chefe?

— Droga. Podemos mudar de assunto?

— Não.

Johnny percebeu que o ambiente ficou diferente. Ele estava sentado com as costas escoradas na porta de uma cabine enquanto o moreno escorado na parede. O aroma forte e intimidador. Os feromônios de Lucas saíam sem que ele se dasse conta.

— Por que expele feromônio? O que há com essa atitude? Vai querer me pegar de novo?

— Não! Você me conhece e sabe que nunca faria isso em condições normais. Já falei que o meu calor está irregular por motivos desconhecidos.

— Tente parar com esses feromônios. Parece que estou frente a frente com um leão de tão amedrontador.

A conversa durou bastante tempo. Por volta das 1h05m uma chuva torrencial caiu em Fortaleza e região metropolitana. Qualquer ideia de sair mais cedo da fábrica foi suspensa.

O celular de Johnny, com pouca bateria, tocou. O detetive atendeu, era Rodrigo. Explicou sobre a interferência da sua irmã e sobre a chuva na madrugada, e por isso atrasará um pouco até a passagem do temporal. Johnny deu uma localização não exata de onde estavam, e Foster prometeu ainda na madrugada buscá-los.

— Isso é coisa de louco.

— O que foi que ele disse?

— Ele está na fazenda pois a irmã dele pediu carona até lá. Não pode voltar mais cedo já que tá chovendo forte.

— Isso quer dizer que estamos presos aqui até que a chuva passe? Na real, preciso de remédio ou não sei o que pode acontecer.

Johnny ficou nervoso com as palavras do colega.

Mais um tempo presos no banheiro. Lucas ficou respirando profundo enquanto Johnny ficava com o rosto cada vez mais vermelho. Ficar no mesmo espaço com um alfa era perigoso, e o seu ciclo de calor estava para iniciar irregularmente.

— Chefe... eu gosto de você.

— Isso agora? Ah... ah... Descansa. Não faça esforço algum.

O moreno abriu o zíper da calça e pôs o membro para fora, na frente do amigo, que ficou desconcertado. Com a mão direita passou a se masturbar ali mesmo.

— O que tá fazendo?!

— Desculpa, mas eu não consigo aguentar mais. Preciso fazer isso.

Zawaski virou o rosto corado. Passou um tempo e voltou a mirar o membro. Ficou boquiaberto com o tamanho do pênis. Lucas era de fato bem dotado.

— Só mais um pouco... hã? — Lucas viu Johnny se tremer e ficar sentado de costas para ele. Por instinto ele se aproximou do amigo e ficou sentado por trás.

— O que pensa que tá fazendo?

— Perdão, chefe. Você é um ômega e eu um alfa. Se não cooperarmos agora, nosso cio não vai passar logo.

O detetive viu a mão do alfa entrar na sua calça e segurar o seu pênis.