Johnny... O bom detetive
38 Parte 04: Predestinados // Capítulo 09: O vídeo
Notas iniciais
Selma convidou Camila para conversarem num restaurante próximo.
O garçom anotou o pedido da secretária por duas cervejas.
— Então... Você apareceu repentinamente no meu trabalho, perguntou pelo meu chefe e logo quis ir embora. Não é todo mundo que procura ele e que não são clientes procurando por justiça.
— Desculpa. Eu não quis incomodar.
— Hohoho. Imagina. Você teve sorte pois eu tava de saída do trabalho. O azar é que ele não responde as minhas mensagens desde hoje de manhã.
As duas latinhas de cerveja foram postas sobre a mesa.
— Então abra-te, sésamo. Diga o que quer dizer.
— Como sabe a minha mãe trabalhou na casa do seu chefe como empregada doméstica durante anos. Ela sempre levou a vida normalmente até essa semana.
Selma parou de beber.
— O que ocorreu?
— Foi na segunda-feira. Ela chegou em casa bastante nervosa, sequer jantou. No dia seguinte ela precisou fazer algumas coisas fora de casa e me pediu para esconder o seu celular num local seguro junto com este papel.
A secretária leu o conteúdo e viu o endereço da agência.
— Minha mãe me pediu para mostrar o celular dela ao patrão nesse endereço, caso algo ocorresse com ela.
— Suponho que você esteja com o celular aí.
— Não. A esposa do ex-patrão da minha mãe roubou de mim.
Essa era uma grande novidade. Selma só conhecia uma esposa do seu chefe, Bia Zawaski. Era demasiado estranho uma perua como ela roubar um celular de uma pessoa pobre.
— Minha mãe morreu na quarta, vítima de latrocínio, e foi enterrada na quinta pela manhã. A ex-patroa dela apareceu de repente, prestou condolências e me pediu para convidá-la a minha casa depois que falei da história do celular.
A conveniência era gritante. Selma sabia que Johnny só apareceu em casa no fim da tarde para a noite da quinta e que Bia já estava lá. Não subiu ao apartamento, contudo soube da boca do próprio Johnny quando regressaram para o esconderijo de Gileade.
— Eu não posso levar a sua palavra como garantia absoluta. Não posso sair por aí acusando a mulher do meu chefe apenas com a sua palavra. Você é uma completa desconhecida e, apesar de eu odiar aquela mulher, não é o suficiente para eu chegar nele e fazer a caveira dela. Você me entende?
— Espere. — Ela pegou o cartão de memória de dentro do bolso da calça e colocou sobre a mesa. — Aqui tá a prova.
— O que tem aqui?
— Ela me dopou e encontrou o celular. Quando eu acordei hoje, vi que a minha casa foi revirada. Lembrei que havia tirado esse cartão de memória, no mesmo dia que ela me deu, sem saber da sua importância. Eu assisti ao vídeo que foi salvo nesse cartão. Mostra a ex-patroa dela fazendo sexo com um homem. Você pode ver no seu celular.
A informação era gravíssima. Nem mesmo Selma, que detestava Bia, quis acreditar. Camila, porém, insistiu para que ela olhasse o vídeo.
Era nítido que a imagem de Beatriz aparecia no vídeo. Seu rosto foi gravado sem nenhum desfoque. A pior parte era a aparência do homem: foram 9 segundos que o rosto do amante surgia, tempo suficiente para saber que aquele homem não era Johnny.
Ela se levantou subitamente, quase derrubando a cerveja. Pegou a bolsa, pediu para ficar com o cartão.
— Aonde vai?
— Sinto muito, senhorita, preciso ir. Tome, é o dinheiro das cervejas.
Ela praticamente correu para o estacionamento da agência, entrou no seu carro e deu a partida. Atordoada, pegou o celular e tentou ligar várias vezes para o celular de Johnny, porém sem respostas.
Dentro do seu apartamento, Lucas terminava de guardar as roupas nas bolsas. Seu aparelho tocou, mas estava depressivo demais para atender.
— Um não liga o celular, o outro não atende. O que aconteceu?
Sem pensar duas vezes ela foi ao prédio onde Johnny morava. Desceu, apertando o botão do interfone. O vigia olhou para fora da janelinha.
— O senhor Johnny Zawaski está?
— Nem ele nem a esposa estão. Quer deixar o recado?
— Não precisa, obrigada.
Outra vez dentro do carro, tentou mais uma vez ligar para o número de Lucas.
— Saco! Quem é? — Ele viu o número da Selma. Atendeu por causa da insistência. — Que foi, Selma?
— Finalmente, hein? Por que não estão atendendo os seus celulares?
— Eu tava no banho. O que quer?
— Você está com o Johnny na serra?
— Não. Se quer ver o chefe, vá na casa dele. — Respondeu friamente.
— Estou na frente do prédio agora. O porteiro disse que ele não está, e eu sequer consigo me comunicar com ele.
— Quando eu disse "casa", me refiro a casa dos pais dele. Agora estou ocupado. — Desligou a ligação.
A secretária achou a atitude do moreno bastante suspeita. E não era para menos, haja vista ele preferiu o mínimo de contato com os outros e ir embora de uma vez.
...
Mansão Zawaski
Hugo se trancou no escritório, preferindo não falar com os outros depois da discussão com o filho.
Em contrapartida, Johnny socava a porta do quarto com tamanha força que até mesmo machucou os dedos. Aquilo deixou a mãe e a avó preocupadíssimas com ele.
— Eu nunca quis que uma pessoa morresse tanto quanto aquele homem. Ele vai pagar por tudo. Um dia o karma chega.
— Não fale assim do seu pai. Ele apenas não entende que o mundo não gira ao redor dele.
— Ah, mamãe. Que lindo! Para de passar pano para ele. Eu vou tomar um banho. Não quero ninguém no quarto. Saiam todas.
— Até eu? — Bia questionou.
— Sim. Eu quero ficar só. Vou tomar um banho, me arrumar e pensar num modo de fugir dessa casa. Nem que para isso eu pule o muro.
As três saíram.
Anoitecia na capital cearense. Durante o banho na banheira, Johnny fez várias tentativas de ligar para Lucas. O número estava desligado.
— Algo aconteceu. Tem algo pior. Por que ele não me atende?
As imagens de Lucas e ele fazendo sexo veio à mente. Seu corpo começou a esquentar de tanto tesão.
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