Johnny... O bom detetive
33 Parte 04: Predestinados // Capítulo 04: Humilhação
— Responde!
— O que eu poderia responder?
— Não entendeu ou de repente ficou surdo. Tudo bem, eu vou repetir a pergunta. O que achou de ter estuprado o meu marido?
Lucas sentiu um calafrio. O olhar penetrante de Bia já dava indícios do que viria pela frente. Não teve coragem de olhá-la nos olhos. A única coisa que fez foi pedir desculpa.
— Não foi a minha intenção. Nós dois entramos no cio e aconteceu.
— Aconteceu o quê? Acha mesmo que essa sua esparrela vai convencer alguém? Eu nunca gostei de você, Lucas.
— O quê?
— Isso mesmo que você ouviu. Nunca fui com a sua cara. Desde o primeiro dia que eu te vi, antes do meu casamento, quando Johnny te apresentou como o seu melhor amigo. Seu olhar para com ele era diferente. Eu notei há muito tempo que você sentia alguma coisa além de uma simples amizade.
— Por favor, Bia. Isso ficou no passado. Somos amigos desde o tempo da escola.
— Amigo com interesse. Hoje foi comprovado que o que você quer do meu marido é algo que não passa nem perto da amizade. Mas eu vou logo avisando que essa brincadeira acabou. Você está sumariamente proibido de se aproximar do Johnny.
A mulher saiu da cantina, mas ele tentou segurá-la pelo braço. Bia jogou o café sobre a camisa dele. Disse para o rapaz não se aproximar dela e do marido.
Passado algum tempo, Júlia Zawaski chegou na clínica sem o esposo. A matriarca pediu informação ao recepcionista e foi para o quarto onde o filho estava. Encontrou a nora sentada ao lado dele.
— Júlia. Como está?
— Estou bem, querida. Ele...
— Apenas está dormindo. Foi medicado e só acordará mais tarde. E o senhor Hugo?
— Virá depois. Ele vai cancelar todos os compromissos do trabalho hoje para ficar com o filho. Posso ter um momento sozinha com ele?
— Sim, claro.
Júlia se sentou ao lado do filho enquanto Bia saiu do quarto. A matriarca passou a mão sobre os cabelos dele, alisando carinhosamente. Há algum tempo não via o seu próprio filho.
— Você sempre foi tão descuidado. Nunca se igualou ao seu pai. Acho que puxou a mim. Quando era mais novo odiava ficar estudando por horas como exigia Hugo. Queria ter uma vida como qualquer criança. E desde cedo o seu pai sempre me repreendia por ter dado a luz a um ômega. Sinto muito, meu filho. Sinto muito por tê-lo feito ômega, e não alfa. É a minha culpa. Se eu fosse uma alfa, as coisas seriam diferentes.
Depois de se sujar com o café, Lucas foi ao banheiro e tentou se limpar. Pensou bem nas palavras de Bia sobre se afastar de Johnny. Mesmo não desejando uma separação entre amigos, o que ela disse fazia sentido. Um alfa e um ômega estarem juntos sem serem parceiros era o cúmulo. Nem Gileade que também era amigo dele ficava junto. Tentou limpar a mancha de café.
Por volta das 7h45m, Hugo chegou na clínica acompanhado dos seguranças. Viu a nora no corredor e deu total solidariedade.
— Fez o que eu pedi?
— Sim. Como ele está?
— Júlia está com ele. Podemos conversar?
Os dois foram para a cantina conversarem sobre a amizade de Johnny com Lucas. O patriarca prometeu fazer todo o possível para separá-los.
Minutos depois...
— E como ele está?
— Querido. Onde você estava? Pensei que viria comigo.
— Precisava resolver algo antes. É lamentável que o nosso filho passe por situações como essa. Se ao menos fosse beta...
— Por favor, Hugo. Não é hora para discutir o gênero do nosso filho. Tenha pelo menos remorso nessa situação.
O homem se aproximou de Johnny e tentou passar a mão em sua cabeça, mas se conteve.
Hoje marca o dia em que começa o julgamento mais aguardado do Ceará. O assassino em série Antônio Vicente da Costa, conhecido por Vince, tornou-se famoso por matar com requintes de crueldade doze pessoas ômegas. Foram oito mulheres e quatro homens, todos abusados sexualmente antes da morte. Também relembramos que o famoso detetive Johnny Zawaski foi o único que conseguiu capturá-lo e assim trazer a justiça para a população. Lembrando que Johnny também é ômega, por isso o simbolismo dessa prisão. Voltaremos com mais informações ao longo do dia.
No corredor, assistindo ao noticiário, Lucas pensou bastante no que Bia disse e concordou ter que se afastar por um tempo. Levantou-se para ir embora, porém deu de cara com Hugo.
— Senhor Zawaski, eu...
— Podemos conversar?
Ambos foram para a recepção da clínica.
— Quanto você quer para deixar de ser amigo do Johnny?
— Como assim, senhor?
— Vamos lá. Deixe de ter escrúpulos. Isso não funciona comigo. Você é um alfa dominante assim como eu. Sabemos como as coisas funcionam. Afinal para nós os ômegas são apenas objetos sexuais.
— Não, senhor! Eu nunca tratei o seu filho desse jeito. Somos amigos de verdade.
Hugo riu.
— Nem posso olhar para a sua cara sem que me dê ânsia de vômito. Vocês pertencem a mundos diferentes. Eu lembro que o seu pai se candidatou às minhas custas, mas logo me apunhalou pelas costas. Essa arte da manipulação é típica do nosso gênero. Eu nunca tolerei. Tal pai, tal filho.
Beatriz assistia à discussão.
— Saia das nossas vidas. Se não sair, posso dar cabo de você. Então aceite a minha oferta e volte para o seu quilombo.
Lucas fechou os punhos depois de receber uma ofensa racial. Aguentou firme pois entendeu que todos estavam de cabeça quente.
— Espera, senhor Zawaski. Eu posso explicar.
Hugo se virou e deu um tapa no rosto do rapaz. Os recepcionistas pediram para que não houvesse violência na clínica.
— Você merece isso e muito mais. Logo vai se arrepender por não ter me dado o seu preço. Ah, chegaram.
Dois homens se aproximaram.
— Delegado Marcelo.
— Senhor Zawaski.
— É esse o energúmeno.
Lucas estranhou.
— Senhor Lucas Mendonça de Souza?
— Sim.
— Pode nos acompanhar à delegacia?
Lucas não esperou por isso. Olhou para Hugo e percebeu que ele o denunciou. Bia sorriu e deu um tchauzinho.
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