Johnny... O bom detetive

29 Parte 03: Investigação // Capítulo 23: A sós


O barulho do tiro assustou os trabalhadores perto, chamou a atenção também de pessoas em outras partes da fábrica. O segurança, que segurava a maçaneta, ouviu o som do disparo e desistiu de entrar no armazém. Por rádio ele se comunicou com outro segurança para verificarem o local oriundo do som.

A partida do segurança deu um alívio a Johnny, entretanto cessou quando percebeu que o dedo do meio de Lucas entrava cada vez mais no interior do seu ânus. Também arrepiou-se dos pés à cabeça quando o moreno mordiscou a sua orelha. Pela primeira vez na sua vida sentiu algo como aquilo. Mandou o colega parar, haja vista ainda estavam no meio da investigação e precisariam aproveitar a ausência do segurança.

Os olhos de Lucas pareciam apagados, como se não houvesse luz ou apenas estava em transe. Diferente do rut, cio dos alfas dominantes, aqui ele simplesmente manteve os olhos semicerrados como se alguém o hipnotizasse.

— De-detenha-se... Lucas.

— Chefe, quero por dentro.

— Lucas? Não... faça... isso. EU DISSE NÃO!!! — Johnny deu um soco no queixo do moreno, que caiu no chão, desnorteado. Johnny levantou a calça e começou a chutar o amigo.

— Chefe, perdoe-me. Eu não consegui me controlar.

— Não conseguiu se controlar, seu cachorro? O que pretendia quando disse que poria dentro?

— Eu juro que não foi a minha intenção. Desde que voltamos de Fortaleza estou com o meu corpo estranho.

Johnny segurou o Lucas pelo colarinho e bateu testa com testa. O moreno ficou com muito medo da ira do ômega.

— Eu te disse pra ficar no hotel, mas foi você que fez questão de vir. Não passou pela sua cabeça que estava entrando no cio?

Lucas nesse instante parecia um cachorro grande entristecido. Dava até para imaginar as orelhas abaixadas.

— É que eu gosto de ficar perto de ti, chefe.

— Que seja. Levanta. E não faça essa cara de santinho agora. Precisamos sair daqui.

— Certo.

Os dois aproveitaram para sair da área administrativa e pegar o caminho que dava acesso ao depósito de cargas.

O segurança chegou durante um alvoroço perto da porta do gabinete do supervisor. Os trabalhadores se aglomeraram, incluindo outros seguranças, ao redor da porta. Ele viu o corpo de Kevin Aguiar no chão, numa poça de sangue.

— Aonde iremos?

— Ir embora. Enquanto você me atacava sexualmente, eu pude ouvir um tiro. — Pegou o celular e tentou ligar para Rodrigo.

O trajeto para a fazenda Foster ainda estava na metade. A BR quase madrugada era motivo de cautela. Rodrigo, ansioso, não sabia o que fazer com aquela situação.

— Eu ainda não sei o porquê de você querer que eu seja o seu motorista, Nathália. Você tem carro.

— Por que você está tão preocupado com isso, irmãozinho? Pelo que eu sei você estava de saída da fábrica e provavelmente voltará para aquele hotel. A nossa fazenda está uns dois quilômetros da serra, portanto é caminho. E eu já disse que estou cansada do trabalho pois o irresponsável do Olavo não deu as caras desde que a polícia federal foi para lá.

O celular do rapaz tocou. Ele observou ao lado do câmbio, no lugar onde guarda copo, o objeto chamando e o nome do detetive.

— Quer dizer que é o detetive Zawaski ligando uma hora dessa? Parece importante. Posso atender no seu lugar?

— Não, não faça isso!

— Nossa. Estresse mata, sabia?

— Com certeza. Estressando a mim assim, você vai acabar me fazer perder o controle do carro e acabarmos morrendo numa batida. Fica quieta.

A alfa sorriu da cara do irmão. Ele ficou pálido com o telefonema.

A chamada não era atendida. Johnny tentou por três vezes, porém nada. O jeito era tentar encontrar um refúgio até que Rodrigo voltasse. A sorte era que os poucos trabalhadores ficaram aglomerados perto da cena do crime, deixando mais lugares sem ninguém. E isso foi aproveitado pelos dois detetives.

— Vem, rápido. — Correu entre os estoques que estavam em caixas. — Precisamos sair daqui.

— Espera. Meu corpo se sente pesado.

Os dois viram uma porta. Johnny girou a maçaneta e abriu. Eles entraram. Por sorte havia um local mais afastado e sem ninguém. O que eles não viram foi a placa ao lado explicando um banheiro em manutenção.

— Algo está errado. Primeiro o tiro e agora o Rodrigo não atende mesno chamando. O que houve aqui?

— Vai saber.

Ligaram o interruptor. O banheiro era comum, com as cabines, mictórios, um espelho quebrado, a pia suja de areia e poeira, o forro do teto desgastado e uma parte sem. Havia luz.

— Como vamos sair daqui se amanhecer? Precisamos sair antes dos primeiros trabalhadores do dia chegarem. — Lucas alertou.

— Ainda temos pelo menos cinco horas para sairmos daqui em segurança. Mas com aquele tiro de antes, sinto que a polícia logo chegará.

O segurança ligou para o número do telefone da fazenda. Jacques atendeu antes de ir para o seu quarto. Assim que soube, ligou para o número de Nathália.

— Que foi, Jacques?... Quem morreu? Ahn... Quando foi?... Nossa, eu acabei de sair de lá. Tudo bem, Jacques. Vá dormir.

— O que houve?

— Parece que um supervisor da fábrica morreu há pouco. Assassinato, acredita?

Rodrigo suou frio.

— Viram quem foi?

— Não, e não quero me envolver. Os diretores que cuidem disso. Sou um das donas e não vou me estressar pela morte de um proletariado.

A palidez de Rodrigo ficou ainda mais evidente. As ligações de Johnny eram para falar disso? O que ocorreu na fábrica?

A situação não era das melhores aos detetives. O sinal do celular era escasso e sair ficou perigoso. Esperaram. No entanto, havia um perigo especial para Johnny, que era o cio do Lucas.

— Sinto outra vez a febre. Merda. Não quero atacá-lo outra vez, chefe.

— Quem diz "merda" sou eu. É a minha bunda que tá em jogo.

Escutaram passos se aproximarem. Esconderam-se numa das cabines. Um trabalhador abriu a porta do banheiro para verificar e depois saiu.

— Ufa — disse Lucas.

O barulho de chaves. O homem trancou o banheiro.

— Ufa o caramba. — Resmungou Johnny.