Johnny... O bom detetive
21 Parte 03: Investigação // Capítulo 15: Hugo
— Espera, senhor Hugo. A sua decisão já faz tempo ou foi algo recente?
— Mais ou menos há um mês venho pensando nisso. Tenho um filho único, ele não toma o meu caminho, por quê? Sempre me perguntei o motivo dele não seguir a carreira de empresário. Sempre preferiu esse emprego estapafúrdio de sair por aí dando um de Hércule Poirot. Será mais conveniente para ele seguir a mim, por isso terei que fazer de tudo para fechar aquele escritório dele. Parece que você não está de acordo.
— Não é isso. Não é essa a questão. Eu só fui pega de surpresa pois aqui eu tenho uma vida estável. O que será do meu emprego?
Hugo se levantou do sofá, entregou o copo para a nora e se aproximou da porta.
— Falarei com o presidente da empresa que você trabalha para arranjar uma vaga em São Paulo com a mesma função e salário que você ganha aqui. Não se preocupe, minha querida. Tudo o que eu faço é pelo bem de vocês.
— Espera. E se o Johnny chegar a qualquer momento aqui, o que eu falo?
— Nada. É imprescindível que eu mesmo dê a notícia. Quando ele chegar, peça para me visitar em casa. Boa tarde.
Mesmo para os padrões gananciosos de Bia, aquela notícia foi uma bomba sem precedentes. Ter que se mudar para São Paulo nunca fez parte dos seus planos, apesar de sempre estar incomodada com Lucas muito perto do seu marido. Assim que Hugo foi embora, ela voltou a sua atenção para os pedaços do celular. Jogou tudo no lixo.
...
Durante a investigação, os detetives mais o policial caminharam pela área externa da fábrica. Johnny apressou-se para chegar no depósito de cargas.
— Qual é o seu nome?
— Sou o agente Daniel. E você?
— Lucas. Não creio que não me conhece. Parece que só o chefe é popular por aqui.
— O Johnny? Cara, Johnny Zawaski é o cara mais famoso do estado. Eu tenho orgulho de estar trabalhando com ele. Lembro quando ele foi a única pessoa que desvendou o caso do assassino de ômegas.
— Eu lembro. — Na verdade Lucas também participou desse caso. — Foi uma grande vitória para a justiça.
— De verdade. A justiça é muito injusta para os ômegas. Minha mãe é um homem ômega, portanto eu comemorei quando aquele assassino foi preso. Enfim, soube que o julgamento dele vai começar amanhã. Será que o Johnny vai?
— Não sei — Lucas se virou para ver o detetive, mas ele sumiu. — Chefe?
Dentro do depósito de cargas, Johnny não perdeu tempo e perguntou aos empregados se eles estavam no trabalho na quinta-feira da semana passada à partir das dez da noite. Nenhum dos funcionários afirmaram, porém um supervisor respondeu que apenas duas pessoas que ele conhecia trabalhavam no momento que Nestor Foster morreu.
— Nenhum dos trabalhadores do turno da noite são conhecidos meus, porque meu turno acaba às 19 horas. Mas conheço duas pessoas que trabalham no horário das 22 horas em diante. Eles eram do turno da tarde, mas foram transferidos.
— Você pode me dizer quem são?
— Um é o outro supervisor que me substitui. É o Kevin Aguiar. Somos amigos, por isso conheço ele há bastante tempo. O segundo... é um alemão gente boa que foi posto sem muita experiência. Ele trabalhava há pouco tempo e logo foi promovido para diretor da nossa área.
— Alemão? Não pode ser. Só pode ser uma brincadeira. Sabe o nome dele?
— Nunca decorei. Era meio esquisito. Eu só chamava de alemão. Algo mais?
— Não. Obrigado por tudo.
O supervisor se afastou.
Não quis acreditar que Germaine Henkel era esse diretor, mas as coincidências eram gritantes. O simples fato de Rodrigo Foster ter mentido sobre a informação de que Henkel era o diretor, não um supervisor, deixou-os como suspeitos novamente. O assassino muito provavelmente trabalhava na área de depósito ou estoque. Os demais setores eram longe demais.
— Esse caso é espinhoso. Tenho que me concentrar para não fazer julgamento antecipado.
— Falando sozinho, chefe?
A chegada abrupta de Lucas fez com que Johnny perdesse o equilíbrio no chão molhado. Rapidamente o moreno se jogou e caiu de costas para o chão. Johnny caiu sobre o seu peito.
— Você está bem?
— Na medida do possível. Chefe, não se machucou? Fiquei preocupado agora.
Os olhos castanhos do moreno alcançaram os azuis do outro. Aquilo fez com que Johnny corasse a ponto de sentir-se cômodo nos braços do rapaz. Percebendo que outras pessoas observavam, ele pulou para trás e tratou de se levantar.
— Estão molhados. Mas essa cena foi linda, senhores — disse Daniel.
Os agentes federais levaram os computadores dos acionistas da fábrica. O último escritório a ser averiguado era de Olavo Foster.
— Vejo que eu não tenho escolha a não ser ceder meu notebook a vocês.
— Claro que não tem, senhor Foster. Essa é uma investigação federal. Lembra?
— Delegada... parece que é muito melhor do que aparenta ser. Seu cheiro doce não engana ninguém. É uma ômega, não é? Oh! Não precisa fazer essa cara de ofendida. Ninguém pode renunciar o seu próprio corpo.
A delegada fez pouco caso e levou o eletrônico. A paquera do alfa arrogante não deu certo. Assim que saíram do escritório a figura de Johnny apareceu.
— Ulalá. Olha só quem está aqui. Detetive Ômega. Tudo bem contigo? E o outro ali? O cão de guarda. Aposto que de tanto andarem juntos já se pegaram, não é? Afinal não existe amizade pura entre um alfa e um ômega.
— Senhor Foster, eu não vim para brigar. Estou no meio de um inves...
— Tá, tá, tá. Não termine. Feche a sua boca. Use-a para o que ela foi feita: chupar um pau de um alfa.
— Cala a boca! Quer ser preso? — Daniel protestou.
— E quem é esse? O soldadinho de chumbo? Três perdedores na minha frente. Que irritante. Tchau.
— Seu...
— Calma, policial. Isso não me atinge mais. Vamos embora. Creio que não podemos entrar na porta à frente.
Um segurança armado ficou de vigília, impedindo a passagem de qualquer um à sala.
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