Johnny... O bom detetive

22 Parte 03: Investigação // Capítulo 16: Gileade Pt 1


A polícia federal concluiu o mandado de busca e apreensão dos computadores dos administradores principais da fábrica.

Ao mesmo tempo, Olavo saiu para almoçar com os seus advogados. Utilizou o heliponto para pegar o helicóptero.

A delegada Geane agradeceu aos detetives pelo "passeio" pela fábrica. Identificou-se com Johnny pois ambos eram ômegas e fortes. Apertaram as mãos e prometeram tomar cerveja juntos.

— É por isso que você não teve ciúme de mim? Somos dois ômegas.

— Do que você está falando, chefe? Eu com ciúme de um cara casado?

Daniel riu da conversa dos dois e também prometeu se reencontrarem um dia. O policial pegou carona com os policiais federais.

— Enfim, estamos fora da fábrica, nesse sol... Vamos pegar um táxi?

— Pegar táxi na BR? Eu liguei para a Selma vir nos buscar, e pelo jeito está atrasada.

Os minutos passavam e a secretária sequer deu sinal de vida. Quem sofria mais era Zawaski com a sua roupa preta. Retirou a jaqueta e pôs sobre a cabeça.

— Meninos, desculpem a demora. — Selma buzinou para que pudessem entrar.

— Até que enfim, moça.

— Hahaha chefe. Dei uma atrasadinha básica. Posso até tardar, mas não falho.

— Toca para o Centro.

— Chefe, pensei que voltaríamos para Guaramiranga.

— Pois é, chefe. Que pedido esquisito. O escritório fica na Aldeota, lembra?

— Não vou para Guaramiranga agora e nem para o escritório. Vocês sabem o que existe lá no Centro, não é? Hoje quero ver ele. — Os dois ficaram espantados. — Sim, ele. Hoje vou precisar do serviço do Gileade.

— O Gileade tá na cidade? — indagou Lucas.

— Sim, eu soube recentemente que chegou no domingo. Ele veio para uma missão no Ceará e montou um local no Centro.

— E o senhor sabe o exatamente onde ele está? — perguntou Selma.

— Claro que sei. Gileade e eu somos amigos de faculdade.

Lucas e Selma ficaram surpresos com a informação. Gileade é o pseudônimo de um hacker brasileiro que é procurado pela PF por cyber ataques no passado. Revelou muitos documentos comprometedores de mais de 100 parlamentares de Brasília, expôs algumas práticas irregulares dos governos brasileiros e estaduais. Para muitos ele pode ser considerado como herói, mas para outros é apenas um justiceiro que pretende ficar acima da lei. Para Johnny, Gileade nunca foi importante para a resolução das suas investigações, exceto uma única vez.

— Por que quer contatar esse homem, chefe?

— Quero saber uma coisa que pode ou não estar relacionado com o assassinato de Nestor Foster. Você lembra no primeiro dia da investigação quando fomos pela primeira vez para a fazenda?

— Óbvio.

— Durante a nossa conversa, Rodrigo Foster relatou que Germaine Henkel brigou com o seu pai por causa do relacionamento deles. — Folheou a caderneta na parte anotada desse diálogo. — Disse também que Henkel foi promovido a supervisor da linha de produção. Agora entra a parte esquisita. Hoje conversei com um supervisor chamado Fernando Silva de Melo. Ele me disse que duas pessoas que ele conhece estavam no momento exato da morte de Nestor. Um era o amigo e supervisor que troca de turno com ele chamado Kevin Aguiar, o outro é um diretor recém promovido que trabalhava no depósito de cargas. Fernando afirmou que tratava-se de um alemão, mas não soube dizer seu nome.

— Ué? Por que que Rodrigo mentiria para nós? Ele que nos contratou. Não faz sentido nenhum.

— Talvez faça. Muitos culpados tentam despistar a atenção. Não digo que Rodrigo e Henkel sejam culpados pela morte de Nestor, mas eles possuem algum segredo que o Nestor descobriu, por isso as brigas familiares. Agora tudo faz sentido.

A secretária dirigiu até o centro da cidade. Parou em frente a uma lanchonete de esquina.

— Vamos entrar. Selma, preciso que fique na lanchonete enquanto falamos com Gileade, tudo bem?

— Tudo bem, chefe.

O trio saiu do carro, entrou no estabelecimento e sentaram nas cadeiras do balcão. Dois baristas atendiam aos clientes.

— O que deseja, senhor? — perguntou um deles que usava uma touca preta na cabeça.

— Eu quero uma coxinha de salmão, batata frita com mostarda e um copo com suco de maracujá com duas pedras de gelo. — Johnny respondeu.

O barista foi até a cozinha e voltou.

— Sinto muito, mas a coxinha de salmão está em falta. — Entregou um cartão de acesso para o detetive.

Os dois saíram do local e caminharam um quarteirão inteiro até chegaram numa loja de roupas. Eles passaram por dentro do local até chegarem na porta do banheiro. Johnny abriu a porta da última cabine, entrou, viu uma porta secreta, utilizou o cartão e entrou.

— Caramba. Estou surpreso.

— Gileade é extremamente precavido.

Atrás da porta havia um recinto pequeno do tamanho de um depósito de limpeza. No chão um alçapão que dava para um túnel de quase cem metros de comprimento. Lucas comparou aquilo com o túnel do roubo do banco central. Outro alçapão e logo estavam num terreno baldio. Entraram num depósito.

— Olá? Gileade? Sou eu, Johnny. Podemos conversar hoje?

O ambiente estava escuro. Alguém se aproximou perto do detetive e agarrou-o. Ambos rolaram pelo chão. Lucas sacou a arma.

— Johnny puto Zawaski. Há quanto tempo — as luzes acenderam. — Continua lerdo como sempre.

Gileade era maior em tamanho em relação a Johnny, cabelo quase raspado e loiro, usava alargador nas orelhas e vestia uma camisa social de maneira desleixada.

— Não sou mais aquele ômega que você conheceu, Gi. — Tomou rapidamente a arma da mão do outro. — Eu sou bem treinado.

O rapaz abraçou Johnny de maneira bastante amistosa. Lucas foi o único que ficou por fora daquele papo de amizade. Colocou a arma de volta no coldre.

— Esse é Lucas Souza, meu assistente. Esse é o Gileade, meu amigo de faculdade.

Os dois se cumprimentaram. Gileade apertou a mão de Lucas e puxou-o para perto. Sua cara angelical ficou diabólica.

— Então esse é o seu amigo alfa de que tanto falava?

— Sim hehehe.

— Pois saiba, senhor Lucas, que depois da esposa desse cara, eu sou o segundo alfa mais importante da vida dele. Portanto, saia do meu caminho.

Lucas e Gileade se encararam.