Johnny... O bom detetive
20 Parte 03: Investigação // Capítulo 14: A Fábrica
O efeito do calmante foi bastante para fazer Camila desmaiar na sala de casa. Sem demora, Bia levantou-se do sofá, mexeu na moça e certificou-se de que a jovem dormia.
— Deu pro seu tio uma ova.
Ela aproveitou o momento para procurar o aparelho em todos os cômodos da casa. Primeiro foi na sala, mexendo as coisas numa estante. Seu próximo destino foram os quartos. Eram pequenos, contudo havia muitos objetos.
Abriu todas as gavetas da cômoda na esperança de terem guardado por ali. Vasculhou uma por uma, não achando o seu objetivo. Embaixo do colchão, dentro do guarda-roupa, nas gavetas, em algumas caixas entulhadas no quarto de Lúcia... nada. Passaram quase vinte minutos naquela procura até chegar na cozinha. Dentro dos armários pegou cada panela, cada pote, mas nada. Pensou em desistir quando se lembrou do sofá. Enfiou o braço no canto direito, nada. No canto esquerdo, porém, sentiu um pano. Puxou o objeto, descobriu o celular branco de Lúcia enrolado num pano de prato.
— Achei.
Sem muita cerimônia ela saiu da casa ainda com a moça desmaiada. Bia se apressou até chegar ao carro e dar a partida. Comemorou mais uma vitória.
...
Cinco viaturas da polícia federal passaram pelo portão da frente da fábrica localizada na BR-116. Uma avenida particular utilizada dentro da propriedade era utilizada por veículos particulares e caminhões de carga. Os carros chegaram na frente da fábrica, estacionando logo por ali. Saíram cerca de vinte policiais e mostraram a ordem de apreensão dos computadores dos escritórios administrativos.
Geane, Johnny e Lucas saíram do último carro. Da polícia civil apenas um agente estava presente.
— Vamos, rapazes.
A delegada tomou a dianteira, seguida pelos agentes. Os detetives foram os últimos a entrarem.
— Senhor Foster, a PF acaba de chegar. — Informou a secretária.
— Obrigado. — Olavo usou o telefone da sua mesa para conversar com os seus advogados.
Nas partes inferiores, longe da área de produção, os agentes entraram nos escritórios dos supervisores de áreas do call center.
— Isso é um saco.
— Chefe?
— Vou sair um pouco.
Ele pegou o maço no bolso da jaqueta, acendeu um cigarro e fumou. O ambiente era agradável com muito vento e árvores.
— Vai acompanhar a delegada?
— O trabalho chato fica com eles. Vamos.
— Aonde?
— Estacionamento. Deve ser do outro lado dessa entrada. Quero ver uma coisa.
Os dois caminharam pelo canto da pista da fábrica enquanto caminhões passavam. Lucas não entendeu realmente qual era a estratégia do detetive para iniciar a investigação ali.
Durante a caminhada, a cena do beijo não saía da mente do alfa. O pescoço branco e delicado do seu amor era atrativo.
— Vai ficar andando atrás de mim?
— Desculpa. Chefe...
— Que é?
— Nada. Melhor apressar-nos.
Johnny ficou sem entender a atitude do amigo.
Momentos depois...
— Aqui é o estacionamento em que o carro do suspeito parou. É grande o suficiente para caber centenas de carros.
O local, diferentemente da captura em vídeo, estava cheio de veículos.
— Aqui. Lembra?
— Sobre?
— Você não está prestando atenção? O que deu em você hoje?
Por que está tão distraído?
A irritabilidade subiu à cabeça do moreno.
— Ainda pergunta? Esqueceu o que houve hoje na delega...
Johnny pôs a mão na boca de Souza, interrompendo a sua fala, pedindo silêncio para ouvir algo.
— Escute. O canto do bem-te-vi. Não é bonito?
— Para de me interromper. Estou desde manhã com muita ansiedade e você fica ignorando tudo o que ocorreu. Oi, chefe? — Mas o ômega usava fones de ouvido. — Não é possível. Ele tá me ignorando!
Sem paciência, Lucas segurou o braço de Johnny, puxando-o para perto de si.
— O que você quer?
— Precisamos conversar... Johnny.
O coração dele bateu forte com a determinação do alfa. Pena que o policial apareceu diante deles.
— Não se preocupem, rapazes. Podem continuar a paquera.
— Não há nenhuma paquera. Quanto a você, falaremos sobre isso no momento fora do trabalho. Foco. A gente não tá sendo pago para paquerar. Entendeu?
— Sim, chefe.
— Bom, chegamos no arbusto. Ali está a câmera. — Apontou para um poste.
— Você não acha estranho o assassino escolher justamente um lugar com um ângulo de visão perfeito para capturá-lo? — Raciocinou o policial.
Lucas permaneceu calado.
— Levamos quase vinte minutos para chegarmos aqui. A pé leva esse tempo por causa do tamanho dessa fábrica. Há vários setores, e em cada deles há seus trabalhadores. — Johnny fez o percurso do suspeito. — Deduzi que a pessoa sabia das câmeras. Ela conhece esse lugar. Para mim é quase certo que o trabalhador que provavelmente matou o Nestor trabalhava por aqui perto, e não em outras áreas.
— Tá, mas o suspeito tem um carro.
— Sim, policial. Mas eu percebi que de onde a gente desceu há outro estacionamento. Quero dizer que esses carros estacionados aqui são de pessoas que trabalham nesse setor perto. Portanto, daremos mais atenção por aqui. Não faz sentido procurarmos pela fábrica toda.
Após o raciocínio, Johnny viu Lucas cabisbaixo. Era como se fosse um cachorro triste. Dava até para imaginar as orelhas abaixadas. Pensou nele desde que recebeu o beijo. Não queria admitir, mas a chama do amor, apagada por seu pai, voltou a acender.
...
Martelando o celular, Bia cria que a última prova da sua traição acabava ali.
A campainha tocou. Ela atendeu a porta e viu o sogro bem na sua frente.
— Atendendo a própria porta?
— A empregada não veio hoje. Que honra tê-lo aqui, senhor Hugo. Entre.
Os dois seguranças ficaram no corredor enquanto o chefe entrava no apartamento.
— Há muito tempo que não venho aqui. Onde está o meu filho?
— Johnny está no trabalho. Deseja algo para beber?
— Uísque com gelo.
— Mas o que exatamente o senhor veio fazer aqui? Não seria melhor ligar?
— Cheguei de Dubai ontem. Hoje fechei acordo com o CEO do grupo Nóbrega aqui perto. — O alfa dominante retirou o terno, mostrando seu corpo forte sob a roupa social. — Obrigado. Eu vou fechar aquele escritóriozinho dele.
— O quê?
— Está na hora do meu filho tomar as rédeas do conglomerado, e consequentemente se mudar com você para São Paulo.
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