Johnny... O bom detetive
17 Parte 03: Investigação // Capítulo 11: O Beijo
A ligação durou poucos segundos, mas foram o suficiente para melhorar o dia de Ana Beatriz. Esperou ansiosamente qualquer informação apenas da empregada pois pouco antes soube da morte do amante.
Tudo foi tão rápido e surpreendente. Conheceu a competência de Sebastian depois que mandou matar um antigo namorado quando ainda era noiva. Numa boate, ambos foram para a cama e fizeram sexo — dos alfas —, porém não continuaram com qualquer tipo de romance oculto. Ela com medo de ser pega, ele por ser muito frio. Desde então a malévola senhora Zawaski manteve contato com o assassino quando era conveniente.
Na frente do espelho, sorriu. Pegou o batom vermelho e passou nos seus lindos lábios carnudos.
— Vejo que a ligação te trouxes boas novas. Está resplandescente.
— Júlia? Sim, eu me sinto bem melhor.
— Que bom que se sente assim. Talvez eu também posso alegrar o seu dia, querida. — Júlia tirou da bolsa uma caixa preta de joia. — Quero que abra.
Ela abriu a caixa e de lá viu um colar de esmeraldas. Era uma joia tão linda e reluzente que enchia os olhos dela.
— Mas isso...
— É o colar de esmeraldas que a minha avó ganhou do meu avô antes de se casar. Quando a minha mãe se casou, foi dado a ela. Não tive tempo para presenteá-la com isso pois ainda me trazia boas lembranças da minha família.
— E o que a fez mudar de opinião?
— Creio que o momento seja oportuno pois senti que a relação de você e o meu filho está no seu melhor momento. E também possuo outras joias mais valiosas do que esta, por isso que tomei a liberdade de presenteá-la.
Após o jantar, Bia voltou para casa alegre com o presente da sogra, além da notícia da morte da empregada. Correu para o quarto a fim de provar o colar de esmeraldas.
Em frente ao espelho grande, a mulher usou um vestido luxuoso branco, pôs a joia no pescoço e abriu um champanhe. Dançando no ritmo de uma música clássica, Bia cantou a vitória certa.
...
Delegacia de Homicídios de Guaramiranga
O delegado Jarbas conectou o pendrive na entrada USB do notebook. Abriram mais de vinte janelas com as gravações, totalizando 44 horas 56 minutos e 12 segundos. Eram mais de dez câmeras em locais estratégicos dentro e fora da fábrica.
— Aqui diz que a empresa se chama Foster Alimentos. O senhor Foster possuía 60% das ações, portanto era o acionista majoritário. Há também mais cinco empresários que servem na junta diretiva, ou seja, são os outros 40%. — Lucas lia um fax que chegara sobre a empresa.
Os três ficaram na sala de interrogação vendo o notebook. Jarbas perguntou a Johnny se ele aguentaria assistir a todas as gravações.
— Sério? Levará quase 2 dias para averiguarmos todo o conteúdo das gravações. Vai aguentar?
— Delegado, só preciso do momento exato em que o assassino aparece na tela.
Horas se passaram. Quase meia-noite e ainda tentavam achar o momento do crime. Algumas cenas foram apressadas pois eram sem importância, outras foram congeladas para maiores averiguações.
— Estou morto. Chefe, tem certeza que ficaremos a madrugada toda acordados?
— De todas as pessoas que estão aqui, pensava que você era a que possuía mais resistência. Se quiser ir para casa, vá. Não se desgaste à toa.
Mas Lucas ficou.
O trabalho foi madrugada adentro. Jarbas pediu para ir em casa, descansar um pouco e voltar. Johnny assentiu e pediu que Lucas também fosse, mas o moreno negou. Tentou mostrar força.
Passava das quatro da manhã. Johnny dormia sentado. Um policial plantonista ficou responsável pelo vídeo.
— Vi algo numa das gravações. Senhor detetive... — o policial chacoalhou um pouco o ombro do homem, acordando-o. — Eu disse que achei algo nas gravações.
— Espera um pouco. Preciso por minha cabeça em ordem. Aqui tem café?
— No refeitório.
Havia algumas mesas e cadeiras. A garrafa estava posicionada num balcão. Johnny pegou um copo descartável e colocou um café morno. Pela primeira vez viu Lucas dormir bem no canto. Ele ficou sentado, debruçado sobre a mesa.
— Eu te disse para ir descansar, teimoso.
Lucas abriu os olhos e percebeu que o rosto de Johnny ficou muito próximo. A reação inesperada do detetive surpreendeu-o.
— Desculpa. Eu só quis ver de perto se você dormia mesmo.
O moreno segurou o pulso do mais velho. Levantou-se. Ficou frente a frente.
— O que está fazendo?
— Ver se eu dormia minha bunda. Senti como se estivesse prestes a me beijar.
— Quê? De onde tirou essa tola conclusão?
Empurrou levemente Johnny contra a parede.
— Pa-para com isso, cara. Algum policial está prestes a chegar.
— É madrugada. Poucos trabalham.
Ele deslizou a mão sobre a cabeça de Johnny até acariciar a sua bochecha esquerda. Sentiu os pelos da barba rala, mas aquilo era o charme. Logo o café caiu no chão, derramando sobre o piso. Motivo: o beijo que Lucas deu na boca do Johnny.
Surpreso e corado, Johnny tentou apartar os lábios do rapaz, contudo o moreno persistiu e puxou-o para mais perto, beijando de língua. Durou poucos segundos que pareciam uma eternidade.
— Lucas, por quê?
— Chefe... eu sinto muito, mas essa foi a única maneira de responder adequadamente a sua pergunta de anteontem.
Ele puxou Johnny para fora do refeitório. Dentro do banheiro masculino a coisa ficou mais intensa. Lucas persistiu em usar a língua. Jonny se deu por vencido e também usou.
— Vem aqui, chefe — puxou Johnny para dentro da cabine, sentou no vaso e pôs Zawaski em suas pernas de frente para a porta.
— Isso não pode... ser. Estou traindo a... a minha esposa.
Uma lambida na orelha. A mão do alfa deslizou para dentro da camisa social do ômega, tateando o tórax musculoso. Outra mão descia até a calça.
— Para...
— Chefe, seu cheiro é espetacular. Tão doce quanto uma fruta madura. Dá vontade de morder.
Johnny se levantou repentinamente. Ofegante, atordoado e excitado.
— Eu te amo. Essa é a verdadeira resposta. Vou de uber.
Deslizando pela parede do banheiro e sentando no chão, Johnny se perguntou o que ocorreu.
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