Johnny... O bom detetive
18 Parte 03: Investigação // Capítulo 12: Ressaca do dia
A quinta-feira amanheceu mais fria do que de costume. Os termômetros marcaram a mínima de 19 graus às seis horas. Uma neblina pairou sobre as ruas com o chão em paralelepípedos.
Nesse dia, Rodrigo e Germaine resolveram dar um passeio aos locais turísticos e históricos. Durante o encontro, o alemão riu das reclamações do beta por causa do frio e disse que aquilo não era nada comparado ao inverno na Alemanha.
Voltaram para o hotel por volta das onze horas. Viram Lucas com cara de zumbi na frente da porta.
— Puta merda. Beijar do nada o Johnny foi de uma estupidez e coragem medonhas. Mas eu não vejo nada demais nisso.
— Não brinque com a situação, senhor Rodrigo. Eu agi por impulso porque na terça ele me perguntou se eu o amava, e menti por causa da minha consideração com o casamento dele. Depois cheguei à conclusão de que havia perdido a minha oportunidade. Pensei que externar por meio de ações seria mais fácil.
Rodrigo riu da cara do moreno. Sentou no sofá, cruzou as pernas e tomou um chá.
— Parece que você é burro. Nem sempre as nossas ações são melhores que as palavras. Por exemplo, se eu pensar em matar alguém, isso me fará um assassino? A ação é que gera a consequência, meu bem.
O beta viu o moreno depressivo depois daquelas palavras.
— O que eu faço? Estou fodido. Nem sei se consigo olhar diretamente no rosto dele.
— Ah, meu amigo. Só tenho um conselho pra te dar.
Lucas foi expulso do quarto tão rápido. O jovem Foster, sorrindo, explicou que as lamúrias do alfa não são problemas dele.
— Aja sozinho. Você só tem esse corpo para exibicionismo? Porque é um medroso. Eu tenho mais o que fazer, detetive. Tchau. — E fechou a porta na cara.
No resto da manhã, Lucas ficou no restaurante, nervoso. Lembrou do momento que viu Johnny chegar da delegacia por volta das seis da manhã, ou seja, demorou mais de uma hora para voltar depois do beijo. Sua vontade era de sumir.
— Está aí há umas duas horas. Se não vai usar o serviço então melhor que deixe o lugar vago para um cliente.
— Desculpa, senhor Francisco. É que ultimamente estou pensando muito na minha vida.
Lulia arrastou uma cadeira e sentou-se à mesa. Ao observar a aflição do detetive, supôs que o motivo da atitude depressiva era sobre Johnny.
— Você não precisa se esconder do mundo, detetive. Deve ser sincero sempre com aquele que gosta, porque haverá sempre uma oportunidade haja o que houver. Conheci uma pessoa que se apaixonou por um homem antes solteiro, mas que se declarou depois de vê-lo casado e, após ser rechaçado, passou os seus dias na amargura. Exponha ao seu interesse amoroso a quem você gosta, e espere chegar o momento adequado para uma resposta sincera. Se for rechaçado, vida que segue.
— Mas o chefe é casado. Ele estaria traindo a esposa por mim.
— É por isso que eu disse para esperar. Se você expôs seus sentimentos, aguarde. A bola da vez está com ele. Bom, preciso trabalhar.
Lucas pensou nas palavras de Francisco. Definitivamente aquele beijo foi a maior prova do seu amor, porém ainda duvidava se era o certo a se fazer. Sempre pensou em si mesmo como um cara promíscuo, que trocava de parceiros tão rapidamente quanto trocar de roupa. Depois que soube do casamento do seu interesse amoroso, mergulhou no mundo da promiscuidade. Durante um ano teve uns vinte parceiros sexuais, incluindo homens, nenhum ômega. No dia do casamento do Johnny, deu os parabéns mais dolorosos da sua vida.
— O que tanto pensa? — O sussurro que Johny deu na orelha do Lucas fez com que todos os seus pelos eriçassem.
— Argh! Che-chefe? Já acordou?
— Não sou de acordar tarde. Já é meio-dia e dormi suficiente. Recebi a ligação do delegado antes de ir ao banho. Temos alguns materiais dos vídeos. — Zawaski sentou-se de frente para o colega e ficou à vontade com as mãos no bolso da calça jeans preta. Ele também usava uma jaqueta de couro da mesma cor.
— Você viu?
— Não. Quando você foi embora da delegacia, eu resolvi descansar um pouco até as seis e deixei o trabalho para um policial. — Nesse momento os olhos azuis de Johnny miravam Lucas tão profundamente como se vissem a sua alma. Aquilo fez o moreno estremecer.
— Nã-não vai comer?
— Claro que vou. — Levantou-se para olhar as opções. Pôs a mão sobre o ombro do outro — Fique sentado aí. Não fuja dessa vez.
...
Cemitério Municipal de Fortaleza

O velório de Lúcia ocorreu por volta da madrugada de quinta até as onze. Os familiares e amigos compareceram ao enterro. Um pastor da igreja evangélica fez as preces antes do caixão descer ao túmulo.
Outra pessoa que compareceu, atrasada, foi Bia Zawaski. Ela decidiu aparecer para despistar qualquer tipo de desconfiança e prestar uma falsa solidariedade. Abraçou a filha de Lúcia.
— Deve ser difícil para ti, Camila. — Por dentro sentia desprezo aos pobres ali.
— Obrigada, dona Ana. Nunca imaginei que a senhora viria ao enterro da minha mãe.
— E como foi isso, menina? Esta semana mesmo a tua mãe foi trabalhar normalmente, mas faltou dois dias seguidos.
Camila suspirou. Disse que falaria mais após o enterro.
Minutos depois...
— Dona Ana. Já vai embora?
— Sim. Tenho que voltar ao trabalho. Só passei para dar os meus pêsames...
— Sobre a sua pergunta de antes. Minha mãe morreu numa assalto. Ela foi buscar dinheiro na lotérica quando dois caras numa moto atiraram e roubaram a bolsa. Dizem que foi roubo, mas eu penso que foi outra coisa.
— Por que pensa isso?
A moça olhou para os lados. Falou baixo.
— Na segunda-feira a mamãe chegou do trabalho esquisita. Como se visse um fantasma. Perguntei a ela o motivo, mas não respondeu de imediato. Disse que havia se demitido. Na terça ela ainda ficou esquisita, mas o mais esquisito é que ela falou para eu guardar o celular dela num local seguro em casa e não mencionou mais nada.
— Celular?
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