Johnny... O bom detetive
28 Parte 03: Investigação // Capítulo 22: Ossos do "orifício"
Kevin bateu com as duas mãos sobre a mesa, irritado pela persistência de Johnny em tentar falar sobre o dia que trabalhou quando o seu ex-chefe morreu. A atitude nada controlada do trabalhador deixou ambos com o sinal de alerta ligado.
Sem muitas surpresas, Kevin pediu aos detetives que saíssem do seu gabinete, que o seu depoimento sequer era algo oficial e que, portanto, denunciaria os dois caso fosse importunado outra vez.
— Essa atitude é bastante suspeita. Ele tem alguma coisa escondendo. Não podemos simplesmente deixar essa pessoa a esmo.
O detetive abriu a porta.
— Outra vez, rapaz? !
— Vou retornar aqui para falar com o senhor outra vez. Dessa vez será com a permissão da justiça. Boa noite.
Quem não aparentava estar bem era Lucas. De cócoras, escorado ao lado da porta, olhando para o chão, ele mais uma vez sentia a febre. Segundo ele, a tal febre aumentava de temperatura a cada minuto.
— Pode continuar?
— Posso sim. É que o meu corpo está estranho ultimamente.
— Eu te disse para ficar lá no hotel. Temos poucos minutos para a meia-noite. Precisamos averiguar a parte administrativa logo.
Uma notificação no celular do Johnny mostrou que Rodrigo acabou de apagar todas as gravações e que se aproximava deles. O detetive deu a localização exata.
— Como foi?
— Ele disse muito pouco ou quase nada. Acredito, porém, que está nos escondendo algum detalhe. Ele é uma figura de interesse — respondeu Johnny.
O plano de Rodrigo era ir primeiro para a área administrativa e afastar o segurança por alguns minutos até que o escritório seja verificado.
— Tem tudo para ser um fracasso ou um sucesso. Meu irmão não está na fábrica. Será um pouco mais fácil.
Os três caminharam por todo o depósito, subiram uma escada e entraram numa porta. Depois de algum tempo caminhando, eles finalmente conseguiram ir para a área dos escritórios. Por sorte apenas um segurança vigiava a porta da presidência.
— Escondam-se nesse armazém. — Rodrigo fez com que os dois entrassem numa porta onde havia documentos, papéis, etc.
Caminhou pelo corredor, passou pelo elevador, abriu a porta de vidro e finalmente o lobby administrativo. Andou em direção ao segurança.
— Meu irmão está?
— Senhor Olavo não se encontra.
— Eu preciso de uma ajuda. Pode me ajudar?
— Não tenho permissão para sair daqui, senhor.
— Como pode ser tão insensível? Meu carro está com o pneu furado, nenhuma alma vivente que vi até agora me ajudou. Preciso voltar para casa. Vamos, me ajuda.
— Não sei se devo...
A porta da presidência abriu inesperadamente. Nathália apareceu na frente do irmão mais novo, surpreendendo-o.
— Nathália? O que diabos faz aqui a essa hora?
— Essa fala é minha, queridinho.
— Eu de vez em quando venho para a nossa fábrica. Afinal eu sou um Foster também.
— Ah, se lembrou. Para usifruir das benesses da riqueza você é um Foster. Agora para debochar da gente você se torna o advogado do diabo. Sinceramente. E para a sua curiosidade, eu estou trabalhando mais tarde porque o irresponsável do Olavo sumiu.
— Eu preciso de ajuda com o meu carro. Você vai trocar o pneu sozinha para mim?
Nathália e Rodrigo olharam para o segurança. Os irmãos arrastaram o homem para o elevador e desceram.
— Finalmente. — Johnny caminhou para dentro do lobby, pegou o cartão dado anteriormente por Rodrigo, encaixou no painel, digitou a senha e abriu.
O escritório era grande, com as paredes revestidas por madeira, dois sofás, poltronas, cadeiras, uma grande mesa, uma estante com livros, mais duas portas com um banheiro privado e um closet.
— Por onde começamos? — Perguntou Lucas.
— Qualquer papel, documento ou objeto que pode nos dar uma luz. Você procura no closet e nas gavetas, eu procuro dentro dos livros.
O segurança terminou de trocar o pneu. Suado, ele pediu para voltar.
— Já que estamos aqui, eu quero uma carona para a fazenda.
— O quê?
— Ué? Você não disse que estava de saída?
— E o seu carro?
— Estou cansada de dirigir. E o helicóptero está com o Olavo. Creio que me levar para casa não seja uma tarefa impossível.
Rodrigo ficou sem saída. Levou a irmã de volta para a fazenda.
Passaram minutos e nenhum deles encontrava algo. O tempo era precioso e o segurança prestes a voltar. Lucas ajudou a verificar os livros. Teve a ideia de ver uma lista telefônica. De dentro caiu um papel.
— Chefe, olha.
Um papel meio amassado com a sigla B.B.V e um número. Ajeitaram tudo e saíram. Voltaram para o armazém antes do segurança sair do elevador.
— Essa foi por pouco. — Sussurrou Johnny olhando pela brecha o lado de fora.
Instintivamente Lucas pegou na bunda de Johnny, que se arrepiou dos pés à cabeça.
— O que você está... fazendo?
— Ah... chefe — Lucas apalpou as nádegas do outro. Depois imprensou-o na porta, roçando-se sobre ele e respirando em seu pescoço.
— Cachorro. Por acaso... tá no cio?
O segurança caminhou pelo corredor e parou perto da porta. Foi nesse instante que Lucas deslizou a sua mão por dentro da calça de Johnny e enfiou seu dedo no orifício do detetive. Aquilo fez com que Johnny desse um sobressalto, tampando a boca para não escapar um gemido.
O segurança olhou para a porta e pegou na maçaneta com a intenção de abrir.
...
Kevin Aguiar tomou uma lata de cerveja depois que conversou com os detetives. Lembrou da palavra de Johnny e tentou puxar algo da memória. Lembrou. Pegou o celular e mandou uma mensagem de voz pelo wattsapp para uma pessoa que ele conhecia.
— Ei, amigo. Hoje vieram dois detetives me perguntando sobre o que eu fazia no dia que o patrão morreu. Não me lembrei na hora, mas acabo de lembrar que eu te vi naquela noite. Podemos conversar?
O barulhinho da notificação soou logo atrás da porta do gabinete. Alguém entrou.
— O que você faz aqui?
O sujeito retirou um revólver de dentro da capa preta e apontou para o supervisor.
— Não. O que pretende fazer?
O assassino deu um tiro no peito esquerdo de Kevin, matando-o ali mesmo.
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