Johnny... O bom detetive
23 Parte 03: Investigação // Capítulo 17: Gileade Pt 2
A inesperada atitude de Gileade tomou Lucas de surpresa. Nunca imaginou que esse homem fosse tão desrespeitoso no seu primeiro encontro. Sempre ouviu falar dele por intermédio de Johnny, mas nunca o vira cara a cara.
— Por que fala assim?
— Falo para alertá-lo desde já que eu sou o único alfa que o Johnny realmente confia. Fomos muito amigos e quase namoramos se não fosse pela ordinária da atual esposa dele.
— Não fale assim da Bia.
— Desculpa, Johnny. A Bia não posso atingir pois é a sua esposa, mas esse cara é diferente. No dia que eles se divorciarem, eu serei o seu pretendente número um.
Aquilo incomodou Lucas de uma maneira que ficou com o punho fechado. Para não dar vexame, cruzou os braços e se virou.
— Parece que ficou ciumento. Não fica triste. Quem sabe eu divida o Johnny contigo...
O moreno se virou para dar um murro no hacker, porém viu ele dar uma nota de cinquenta reais ao detetive.
— Pfff hahahaha. Bem que você tinha razão, amigo. Ele ficou com ciúme. Pena que perdi a aposta.
— Eu conheço o Lucas, por isso sei como se comportaria.
— Chefe, o que merda foi essa?!
— Apostei com Gileade que você sentiria ciúme se ele se insinuasse a mim. Parece que eu tive razão.
A pegadinha deixou o rapaz cabisbaixo. Johnny deu a nota para ele a fim de alegrá-lo.
— Tome. Desculpa por te irritar. Gileade não foi isso o que ele disse. Fomos próximos nos Estados Unidos, mas foi uma amizade verdadeira. Pela segunda vez na minha vida eu vivi uma amizade pura entre um alfa e um ômega.
O hacker pôs o braço em volta do pescoço do moreno.
— Vamos lá, amigo. Desculpa por fazer papel de vilão hehehe.
— Tá desculpado.
— Rapazes, sigam-me. Hoje eu pensei que o dia seria monótona. Estou feliz que um velho colega tenha me visistado.
O depósito de veículos abandonados era grande o suficiente para caber uns dez esqueletos de automóveis. O hacker abriu uma porta, acendeu uma luz e mostrou o local de espionagem. O ambiente era todo mobiliado, parecido com um apartamento. As mobílias eram boas e confortáveis.
— Por aqui.
Andaram por um corredor e chegaram ao gabinete dele. Cerca de cinco computadores, dois notebooks, televisores, fios, hardwares, tudo se encontrava naquele recinto.
— Que fedor é esse? — indagou Johnny.
— Droga. Preciso trocar de camisa. — Gileade retirou a camisa, mostrando um corpo repleto de tatuagens. — Estou há quase dois meses sem lavar.
— Porco.
— Para com isso, Jon Jon. Chego já.
O loiro deixou a dupla de detetives sozinha enquanto saiu para se trocar.
— Parece que a amizade de vocês é mais profunda do que eu imaginei.
— Pois é. Gileade foi meu colega por dois anos nos Estados Unidos. Quando me interessei por um gringo, ele que me deu total apoio.
— Esse não é o americano que queria parear-se contigo, chefe?
— Esse mesmo. Mas prefiro não falar dele neste momento.
Gileade voltou com uma camisa pólo. Sentou-se na cadeira em frente aos computadores e perguntou a solicitação do seu amigo.
— Preciso que investigue duas pessoas para mim. Estou no meio de um caso criminal, e o solicitante me contratou para solucioná-lo.
E assim Johnny relatou tudo acerca de Rodrigo Foster, Germaine Henkel, suas declarações anteriores e o recente depoimento do supervisor. Um verdadeiro resumo de tudo o que houve.
— Isso cheira a algo sórdido que o seu mais novo amigo esconde. Ele quer proteger o namorado. Você me disse que ele é alemão, portanto buscarei dados sobre essa pessoa na receita federal alemã, o que não será fácil. Hackear órgãos do governo exige um pouco mais de técnica, paciência e verdinhas na mão.
— Em reais?
— Dólares, você sabe. Não aceito pagamento com uma moeda desvalorizada como o real. A propósito, terei que verificar o sistema da PF para saber sobre a vida financeira do seu amiguinho.
— Quanto tempo vai levar?
— Horas. Poderá ir até a noite. Darei todo o meu máximo só porque é você. E o pagamento é naquele paraíso fiscal que você já sabe.
Lucas sorriu.
— O chefe acabou de fazer amizade com a delegada da polícia federal e agora está cometendo crime invadindo o sistema deles.
— Eu não te disse? Esse cara aqui é um puto. Esse filho da puta é capaz de tudo para atingir os seus objetivos. Deus me livre ter me pareado a ele. Só quem suporta esse ser é a mulher dele.
— Os dois já acabaram com a conversinha? Já enviei pro teu email as fotos e os dados dos alvos. Eu espero resultados, Gileade.
— Pode deixar comigo, amor.
Ambos voltaram para a lanchonete e viram dona Selma esperando ansiomente por eles. A secretária deu um aleluia pois a demora levou mais de uma hora e o dono do local já pedia para ela sair fora.
— Qual é o próximo destinho, chefinho?
— Minha casa.
Lucas ficou surpreso. Pensou que voltariam para Guaramiranga.
— Tenho que tomar um banho, trocar de roupa e pegar meu supressor. Vai.
...
Quatro dias desde que começou a investigação, Johnny retornou para a sua casa no bairro nobre da cidade. Percebeu que o ambiente estava em completo silêncio, o que era bem estranho pois as empregadas normalmente eram vistas.
— O que pretende fazer? — Lucas o seguiu à cozinha.
— Quer um suco, leite ou água?
— Leite.
Ele abriu a geladeira de duas portas e retirou um galão de leite. Procurou por Lúcia, sem sucesso.
— Quer tomar banho também?
— Vou ficar na sala esperando. Prefiro tomar quando voltar ao hotel.
Johnny subiu a escada e foi para o quarto. Encontrou Bia no notebook.
— Carinho. Que surpresa! — Ela o abraçou. — O que faz aqui? Acabou a investigação?
— Não. Eu voltei para pegar o meu supressor e tomar um banho.
— O que foi?
— Eu não vi a Lúcia. Por que ela não está em casa?
Bia se afastou um pouco e fez cara de triste. O homem perguntou outra vez.
— Eu sei que devia ter falado isso há mais tempo. A dona Lúcia... morreu.
— Como assim morreu?
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