Johnny... O bom detetive

24 Parte 03: Investigação // Capítulo 18: Von der Kramer


— Por que você não me contou antes, Bia? Pelos céus. Deve ser por isso que ninguém me deu notícia do remédio. — Ele sentou na cama com as duas mãos no rosto.

— Remédio?

— Eu não levei o meu segundo supressor que uso quando o meu ciclo está próximo. No dia que você deixou o celular desligado, eu liguei para a dona Lúcia pegar o remédio e te avisar quando a visse.

Nesse momento Bia imaginou o motivo de Lúcia voltar e a surpreender na cama com o amante: era o recado sobre o medicamento.

— Terei que visitar a família dela. Sabe onde ela morava?

— Não precisa. Hoje mesmo eu fui no enterro e dei os meus pêsames para a filha dela.

Consternado, Johnny se levantou e foi direto ao banheiro sem demonstrar carinho à esposa. A atitude preocupou a mulher, por isso agarrou-o e encheu-o de beijos.

— Você cheira bem. Quero fazer agora.

— Creio que não seja o momento adequado. Lucas está lá em baixo.

A ira dela surgiu quando soube que o outro alfa esperava o marido na sala de casa.

— Mesmo assim eu não tenho cabeça para pensar em sexo agora. Estou no meio de um caso. — Despiu-se, beijou a mulher no rosto.

Pela primeira vez na vida pensou em utilizar os seus feromônios no marido. Queria imobiliza-lo, violá-lo e morder a sua nuca para selar de uma vez por todas a sua relação. No entanto, com o seu rival por perto, seria impossível. Lembrou quando Johnny disse estar perto do ciclo de calor e que pediu o remédio para Lúcia. Entrou no closet, abriu uma gaveta e pegou um vidro pequeno.

— Lucas Souza. Mais uma vez que bom te ver.

— Bia. Tudo bom?

— Tudo. Por que eu não estaria, não é? Afinal o melhor amigo do meu marido está sempre por perto.

— Que exagero seu. Só estamos juntos a trabalho. Sou apenas o assistente que ele tanto precisa nessa tarefa.

— Eu percebo. E você? Não pensa em casar, namorar ou parear-se com alguém? É um homem muito bonito para ficar solteiro.

— Não tenho essas pretensões.

— Bom, se não está casado, não corre o risco de ser traído. Sempre gostei dessa sua fraternidade com o meu marido. Somos praticamente família. Cada qual com a sua função: você como melhor amigo e, no máximo, irmão mais novo, e eu como a esposa e parceira por toda a vida do Johnny. Cada um respeita o seu espaço, não é?

— Sempre considerei o Johnny como o meu melhor amigo. — Lucas respondeu deprimido.

— Acredito. E como um ato de amizade, que tal um pouco de uísque? Aceita?

— Sim.

Ela foi até o bar, pegou um copo, pôs a bebida, colocou o tal remédio do vidro pequeno e mexeu. Deu para o moreno beber.

— Um brinde à amizade e nada mais. Precisamos tomar consciência das nossas funções nessa vida. Eu como E-S-P-O-S-A, e você como A-M-I-G-O.

Lucas tomou a bebida com gosto sem desconfiar de nada. Beatriz apenas bebericou.

Esperaram Johnny na sala. O detetive apareceu arrumado e banhado. Bia foi até ele e entregou o vidro: era o tal Vaxenyr que ele tanto procurava. Indicado para ômegas e contraindicado para alfas.

— Obrigado, amor.

— De nada, carinho. Só faço o meu trabalho como esposa. — Ela deu um beijo de língua nele na frente do moreno.

— Vamos embora, Lucas.

— Sim, chefe. Tchau, Bia.

— Tchau, Lucas.

Sozinha, ela vibrou ter batizado a bebida do outro alfa.

— Essa amizade colorida está com as horas contadas.

...

De volta ao bunker de Gileade depois de uma parada num restaurante, os dois detetives esperaram o hacker concluir a investigação durante algum tempo. À noite, por volta das 20h, o loiro concluiu tudo.

— Até que enfim. Pensei que chegaríamos na madrugada.

— Sonso. Eu disse que poderia varar a noite. Melhor sentar pois se ficar em pé levará um tombo.

Enquanto isso, Lucas sentiu uma febre inexplicável.

— Olhei o sistema de pessoas físicas do governo alemão e procurei alguém chamado "Germaine Henkel". Surgiu uma lista com 689 pessoas com esse nome naquele país. No banco de dados não constou nenhuma foto do tal Henkel que você me deu.

— Impossível. O nome dele é esse e mora na Alemanha. Eu vi os documentos dele.

— Mas aí que vem a melhor parte, Jon Jon. Decidi procurar os "GH" que trabalham ou trabalharam, 277 resultados. "GH" que trabalharam em casas de famílias e achei 15 resultados. Desses quinze eu obtive esse resultado.

A foto de um homem gordo e bigodudo apareceu na tela do PC.

— Eis o Germaine Henkel que trabalhou entre 2009 a 2017 para a mafiosa família alemã Von der Kramer. Essa família é conhecida por ser poderosa naquele país e ter negócios escusos com outras máfias como os sicilianos e a yakuza. O cabeça é Greg Von der Kramer. Tem cinco filhos, todos homens. O mais novo... esse aqui.

A foto de Henkel apareceu. Johnny se levantou repentinamente.

— Eis Fredderick Von der Kramer, namoradinho do cara que te contratou. Quando surgiu aqueles 277 resultados anteriores, eu deduzi que o seu amigo usou identidade falsa de algum funcionário e que ele era rico. Cheguei ao meu resultado.

— Rodrigo... Rodrigo Foster. Por que ele mentiu esse tempo todo? Ou ele não sabia também?

— Provavelmente ele sabia. Ano passado ele fez uma transação financeira em Las Vegas. Nada de declaração de impostos. Provavelmente houve evasão fiscal e paraíso fiscal aí. E chuto que foi nessa ocasião que eles se conheceram.

— Então a conversa de que as brigas familiares eram porque o pai do Rodrigo queria casá-lo com uma mulher foi mentira? — Lucas indagou.

— Aí, meus consagrados, vocês terão que enfrentá-los tete à tete. Só os dois poderão respondê-los o que realmente aconteceu. É fato que o falso Germaine Henkel está usando uma identidade falsa para esconder algo.

Johnny começou a duvidar da sinceridade de Rodrigo a partir daí. A investigação foi prejudicada por uma mentira, e o solicitante entrou na lista de principal suspeito. Odiou a ideia de ter que concordar com os irmãos Foster.