Johnny... O bom detetive
19 Parte 03: Investigação // Capítulo 13: Celular
— Celular? Você tem certeza do que acabou de dizer?
— Claro que sim, dona Ana. Ela me pediu para guardar esse celular como se pedisse para guardar um tesouro. Não entendo o porquê ela fez isso.
Bia suou frio. Obviamente esqueceu desse detalhe precioso. No dia que Paulie e ela foram pegos, escutou um som de notificação. Um erro grotesco que poderá acabar com a sua vida e reputação.
Agarrou o braço de Camila e pediu para ir à sua casa.
— Eu te dou carona. Entra.
— Obrigada.
A mulher olhou de relance a filha da empregada enquanto dirigia. Seu desejo era perguntar diretamente sobre o celular, mas teve que usar da perspicácia para não levantar suspeitas.
— E na sua casa mora mais alguém?
— Não. Apenas minha mãe e eu morávamos. A casa ficou só pra mim agora. Por quê?
— Nada em especial. — Parou no sinal vermelho. — Camila, quero saber mais sobre esse assunto da sua mãe. Estou preocupada com isso. Posso ir contigo?
Camila suspirou. Aceitou que Bia fosse à sua casa.
O carro parou ao lado do prédio, as duas saíram, Camila ficou no lobby enquanto a ricaça subiu ao duplex. Dentro do seu quarto, Bia procurou pelo calmante líquido.
— Esperou muito?
— Não. Fiquei confortável aqui.
— Vamos.
O veículo cantou pneus e rumou para a periferia da cidade.
...
Um silêncio perdurou durante o trajeto do hotel até a delegacia. Foi um incômldo que Lucas jamais sentiu em sua vida, porque em nenhum momento Johnny mencionou sobre o beijo. Era difícil para o moreno entender o que passava na cabeça do ômega.
— Tem alguma coisa no meu rosto?
— Perdão?
— Não para de olhar pra mim. Já chegamos. Pode sair do carro.
Um diálogo seco. Será que Johnny ficou chateado por causa do beijo? Era uma ideia aterradora que não saia da mente de Lucas.
Enfim, chegaram à delegacia. O delegado Jarbas atendeu os dois e levou-os para a sala de interrogação. Mais policiais trabalhavam, incluindo uma mulher.
— Senhor Johnny, essa é a delegada Geane Batista. Ela é da Polícia Federal.
A delegada era baixinha, jovem e usava óculos. Seu estilo era bem simplista: usava roupa preta e cabelo amarrado.
— Eu soube que a PF iniciou uma investigação às empresas cearenses devido à alta evasão fiscal que ocorreu e que tem ligação com a Lava Jato.
— Estábem informado, detetive. Isso mesmo. Parece que o caso de vocês é sobre o assassinato de Nestor Foster, não é? Que tal se unirmos os nossos interesses?
— Como assim?
— O departamento federal tenta investigar uma possível corrupção da Foster Alimentos enquanto ajudamos vocês a resolverem o homicídio. Que tal?
Johnny aceitou o acordo com a delegada. Os dois apertaram as mãos. Curiosamente Lucas não sentiu ciúmes.
O vídeo da câmera de segurança do estacionamento da empresa foi a primeira peça desse quebra-cabeça. A imagem, com qualidade 240, mostrou um carro sedan preto de modelo ainda desconhecido estacionar perto de um arbusto. O suspeito do crime parou num local sem veículos por volta das 22h, saiu poucos segundos depois carregando uma mochila azul escura. A outra gravação mostrou a pessoa de costas, caminhando pelo estacionamento até chegar ao depósito de cargas atrás da fábrica. Nas duas imagens o suspeito estava de balaclava.
— Parece que nosso assassino chegou decidido. Aposto que ele tinha a arma dentro dessa mochila — disse Jarbas.
— Pode voltar? Quero ver algo que me chamou atenção. Pouco antes do carro estacionar.
— Chefe, o que viu? — Lucas percebeu que Johnny ficou totalmente focado.
— Pausa aqui. Isso. Amplia mais no párabrisa, por favor. A imagem não é nítida, mas aqui no párabrisa tem esse borrão meio cor de pele. Prossegue... Para! Viram? Essa mancha ficou preta em 1 segundo. Depois ele sai do carro tranquilamente com a mochila.
— O que tem de importante, detetive? — Indagou Jarbas.
— O suspeito tem consciência que havia uma câmera bem nesse local. Levou pouco menos de dois segundos para por a balaclava e saiu. A minha conclusão é de que essa pessoa sabia exatamente por onde andar, portanto é uma pessoa que conhece a fábrica.
— É verdade, chefe. O que me surpreendeu foi a calma desse suspeito.
— Se o que você diz for verdade, teremos que investigar todos os funcionários de lá, inclusive os que foram demitidos. Levará semanas para tirarmos uma conclusão.
— Delegado, sou Johnny Zawaski. Enquanto os trabalhos burocráticos ficam para a polícia, eu entro no esgoto para ir atrás de respostas. Não preciso investigar um por um. Meu método é outro. Enfim, está na hora de fazermos uma visita à Foster Alimentos. Finalmente.
...
Bairro Bom Jardim, Fortaleza
Camila convidou Bia para entrar no condomínio de apartamentos dado pelo governo. Era um local tranquilo apesar do bairro ser periférico. As paredes não eram rebocadas em algumas partes e os móveis eram simples.
— Fica à vontade, viu.
Um sofá serviu como assento. O plástico fazendo barulho quando sentou. Para Bia era uma tortura.
— Onde posso começar? Eu acho que a mamãe se meteu num rolo grande e alguém a matou por isso.
— Jura?
— Sim.
— Tá, mas você disse que ela pediu para tu guardar o celular dela. Onde está?
A pergunta repentina pegou Camila de surpresa. Lembrou quando a mãe falou sobre não dar para ninguém o celular.
— Não vai falar? Estou aqui para ajudar.
— Eu dei para o meu tio. Sabe, ela me pediu pouco tempo antes para dar a ele caso ocorresse algo com ela. — Mentiu.
Bia levantou a sobrancelha.
— E o seu tio? Onde mora?
— Mora em Eusébio.
— Por acaso você viu o conteúdo desse celular?
— Ainda não.
— Tá bom. Eu acho que não é nada demais para se preocupar. Foi muito bom conversar. Mas antes de ir embora, poderia me dar um pouco de café?
— Tem suco.
— Melhor ainda.
A anfitriã trouxe um copo com suco de laranja. Bia aproveitou a distração da outra para colocar o calmante. Pediu para Camila provar pois disse que estava ruim.
— Tem razão. Tá amargo.
Cinco minutos foram suficiente para Camila desmaiar na sala de casa.
— Deu pro seu tio uma ova.
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