Johnny... O bom detetive

10 Parte 03: Investigação // Capítulo 04: Bia Zawaski


Apesar de ter feito contato com a esposa mais cedo, Johnny sentiu novamente a presença do seu pai naquela simples ligação. A lembrança do senhor Hugo Zawaski aprovando o casamento entre ele e Bia passou como um filme.

Após uma breve refeição, deitou-se na cama e ficou mexendo no celular quando viu na agenda o número do celular da sua mãe. Por motivos de brigas entre pai e filho, Johnny decidiu não ter muito contato com o patriarca Zawaski. Também a história acerca de Rodrigo e o seu pai era igual a sua.

— Que coincidência. Parecia até eu me vendo com o meu pai.

...

Enquanto isso, Bia terminou de jantar com o seu amante, porém ainda preocupada com o seu marido.

— Pensei que hoje seria um dia só nosso, mas você não para de falar no corno. Deixa aquele cara pra lá e foca em mim. Nós somos alfas, somos dominadores naturais. Seu marido é um ômega e broxa.

— Você não entende, não é mesmo? Johnny é um homem que é o sonho de qualquer pessoa. Ele é muito carinhoso e decidido a dar amor para o parceiro. O único problema de fato é que ele demora muito para chegar ao orgasmo, às vezes eu fico na mão...

Paulie se levantou abruptamente e riu da cara de Bia.

— Para de achar pelo em ovo. Você sabe que o corno não te faz feliz. Por mais que você tente, ele nunca vai te amar de verdade. Isso eu sei. Eu sinto o cheiro de longe. O querido Johnny não nasceu para ser o seu ômega, meu bem. Por isso que aquele outro alfa vive rondando-o. Acho que eles estão destinados a ficarem juntos.

Bia pediu para o homem sair imediatamente da sua casa. Paulie não precisou que lhe mandasse pois já estava de saída.

— É o que veremos, querido. — Pegou a taça e jogou contra a parede.

...

Revisando os poucos depoimentos que colhera na fazenda, Johnny chegou à conclusão de que o seu próximo passo será ir à fábrica de enlatados da família Foster. Foi lá que Nestor morreu com dois tiros no peito. Precisava também conversar com o delegado envolvido no caso.

— Amanhã será um dia cheio.

Guardou tudo e foi dormir. Não conseguiu o tão almejado sonho, porém. Ainda pensava no que rolou mais cedo com Olavo Foster e o seu medo repentino quando o mesmo soltou os feromônios. Imaginou o seu pai vendo aquela cena, recriminando-o por ser fraco, ou pior, por ser um ômega. Lembrou do dia em que Hugo soube da verdade.

— Isso é um inferno. Meu único filho ser um ômega. Um ômega! Sabe o que isso significa, Júlia? Que o meu filho nasceu para dar a bunda.

— Não fale assim, querido. Você está se precipitando. O doutor Túlio disse que ser um ômega não é tão ruim assim.

— O doutor Túlio não sabe de nada sobre a nossa família. A nossa tradição é ter homens fortes e obstinados. Meu pai, avô e bisavô foram alfas de renome. Obviamente fui prestigiado como um alfa. No entanto, meu herdeiro, aquele que coloquei todas as fichas, é um ômega.

Júlia suspirou. Tentar dialogar com o esposo e tentar tirar o seu preconceito contra ômegas eram duas tarefas praticamente impossíveis.

Hugo era um homem frio, calculista e conservador. Como um alfa ele era bastante dominante e competitivo. Seu único defeito físico visível era a calvície que obrigou-lhe a raspar os cabelos. Apesar da meia-idade, porém, tinha um físico bastante viril para a idade.

Quando soube que o seu filho herdeiro era um ômega, ficou quase uma semana sem falar com ele. A única vez que ficou cara a cara com Johnny foi quando anunciou que transferiria para o exterior. Isso deixou Júlia arrasada, haja vista não fora consultada. Johnny, porém, aceitou a oferta.

— Também não quero que se aproxime daquele tal de Lucas. Ele é um alfa e alfas só querem saber de uma coisa quando estão perto de um ômega.

— Pare com isso, Hugo! Não trate o nosso filho como se fosse uma pessoa da vida. Ele não é assim.

Anos se passaram desde a ida de Johnny aos Estados Unidos. Retornou com a notícia do noivado com uma colega chamada Ana Beatriz. Conheceu-a durante a sua estadia no exterior, eram colegas na mesma universidade. Filha de um engenheiro. Logo a moça chamou a atenção positivamente de Hugo.

— Johnny e eu nos amamos, não é, querido?

— Sim, claro.

Os quatro ficaram na sala conversando. O menos interessado era Johnny.

— E quando será o casamento? — perguntou o patriarca.

— Não sabemos ainda. Estamos nos conhecendo melhor...

— Despreocupe-se com isso, papai. Logo o seu filho ômega poderá levar a vida do jeito que você quer. Não era isso? O senhor não quis que eu fosse alguém que poderia dar a bunda. Agora tenho uma mulher.

Johnny saiu de perto dos três, deixando Hugo envergonhado.

Batidas surgiram dentro do sonho de Johnny. Abriu os olhos, observou o celular e viu ser cinco e meia da manhã. Aquilo era demasiadamente estranho. Pegou a arma e aproximou-se da porta.

— Quem é? Quem é que tá batendo?

— Senhor Johnny, sou eu, Rodrigo. Por favor, abra a porta. É um caso de vida ou morte.

Revirou os olhos. Nunca acordou tão cedo e tão abruptamente. Guardou a arma e foi atendê-lo. Rodrigo estava descabelado, aparentemente cansado e com olheiras. Abraçou Johnny assim que o viu.

— Espera. O que foi? O que é isso?

— Ajude-me, por favor. Meu precioso Henkel foi preso ontem.

O detetive pediu calma e também para que soltasse-o.

— Pode me dizer o que foi que aconteceu? Depois do enterro parecia que vocês estavam bem.

— Estávamos, mas paramos numa blitz e o policial prendeu ele. Passei a madrugada toda acordado. Não dormi um pingo essa noite. Liguei para o Olavo, achando que o denunciante era ele, mas não é.

— Quem foi o denunciante?

— Nathália, minha irmã do meio.

Não bastou as lembranças ruins do seu pai. Johnny terá uma segunda-feira bastante movimentada.