Johnny... O bom detetive

11 Parte 03: Investigação // Capítulo 05: Feromônio


— Tá de brincadeira comigo, não é? Desde quando tu é um ômega?

— Desde que eu nasci — respondeu Johnny enquanto tomava o comprimido.

— Eu jurava que você era um alfa. Bom, qualquer um juraria pois seu físico é bem diferente dos outros ômegas. Olha pra mim. Eu sou beta. O meu corpo é franzino. Teve gente que me confundiu pois sou de tamanho médio.

— Talvez porque a genética da minha família seja boa. A maioria dos meus familiares são alfas.

— Juro que fiquei de queixo caído, senhor Johnny. É raro um homem nascer ômega. O único que eu conheço é o seu Chico... ESPERA! EU ME ESQUECI DO HENKEL!!!

— Pode ficar calmo? Preciso tomar café da manhã antes de irmos para a delegacia. Antes tenho que acordar o Lucas.

Ambos saíram do quarto e ficaram em frente à porta do moreno. Johnny bateu algumas vezes até que o alfa atendeu.

— Chefe... ainda é cedo. Eu ia tomar banho.

Rodrigo ficou completamente desconcertado, Johnny corou. Essas reações foram porque Lucas atendeu a porta apenas de bermuda, mostrando todo o seu tórax e abdômen musculosos.

— Dá pra se apressar? Vamos tomar café da manhã daqui a pouco.

— Sim, chefe.

O detetive pediu para Rodrigo fechar a boca e se concentrar em outro alfa.

Minutos depois os três estavam no restaurante discutindo acerca da prisão de Germaine e das próximas etapas da investigação. Rodrigo contatou a advogada enquanto Johnny propôs visitar a fábrica de enlatados e interrogar os outros acionistas.

— Que cheiro é esse? — perguntou Johnny ao sentir um leve odor doce.

— Não sinto nada.

— Eu consigo sentir, mas muito pouco... Ah não! Isso é feromônio. Chefe, melhor sair daqui.

Johnny sentiu o feromônio e começou a se tremer. Não era tão forte quanto do Olavo, mas ainda assim era ameaçador.

Rodrigo se levantou e foi tentar falar com o Francisco.

— Desculpe-me, senhor Foster. Deve ter sido algum cliente no restaurante que soltou esse feromônio. Vou pedir para o segurança averiguar imediatamente isso. Senhor Zawaski, está bem?

— Sim, senhor Lulia. Apenas com náusea. Esta semana o meu ciclo inicia, mas estou no controle. Eu tomo medicamento.

— E esse remédio tá surtindo efeito? Você passou mal agora pouco — disse Lucas bastante preocupado.

— Eu acho que não. Droga. Eu comprei o mesmo tipo de remédio ontem, mas genérico. O ruim que esse tipo de remédio leva tempo pro organismo se acostumar.

— Então o remédio que toma é de marca. Não tinha na farmácia? — perguntou Rodrigo.

— Não, tava faltando. Eu tenho uma caixa na minha casa, mas achei mais prático comprar um remédio por aqui mesmo do que voltar pra capital.

— Ai meu pai amado. Senhor Chico, é lamentável que aceite esses tipos de hóspedes. Não sabe que muitos alfas dominantes são promíscuos? Sinceramente o senhor me decepcionou. Não te demito por causa do seu bebê.

— Perdão, senhor Foster. Eu sequer senti o feromônio. Estava na área administrativa. Como disse vou me averiguar disso.

Depois do incidente os três foram para a delegacia da cidade. Conheceram a advogada chamada Sabrina Lima e o delegado Jarbas. Os únicos que entraram no gabinete do Jarbas foram os dois detetives e a advogada. Johnny mostrou o documento do ministério público que dá direito a investigar em todo o território cearense.

— E como foi?

— Calma, senhor Foster. Os detetives conseguiram o depoimento do delegado e eu um habeas corpus para o seu namorado. Mas ele não poderá sair da cidade até concluírem as investigações.

O beta deu abraço de urso na advogada e agradeceu aos detetives.

— Sente-se bem?

— Ainda com enjoo. Preciso voltar para Fortaleza e pegar o remédio.

Lucas segurou Johnny no pulso e pediu que ele não fosse sozinho. Ao ver a cara de cachorrinho abandonado do seu colega, decidiu não ir.

— E o que vai fazer?

— Ligar para a Selma.

— Oye, e a Bia? Ela não é a sua esposa?

— Eu já tentei, né? Mas o celular dela tá desligado.

Zawaski saiu da delegacia e ligou para a secretária.

— Desculpa, chefe, mas eu não posso sair hoje. Lembra que é meu dia de folga?

— Eu te pago hora extra. É só ir na minha casa pegar o remédio. Melhor, liga para a Beatriz. Vou te passar o número... Alô? Alô, dona Selma. Merda. Desligou na minha cara.

— Chefe, o que um assalariado mais preza depois do salário e das férias é o dia de folga. Eu te disse.

— Ai droga. Quem eu vou ligar? Já sei.

...

Fortaleza

Bia terminou de se arrumar. Manteve o celular desligado pois não queria que Paulie ligasse. Prometeu a si mesma que trocaria de número.

— Dona Ana, cheguei.

— Sim, dona Lúcia. Meio atrasadinha hoje, não?

— Desculpe, senhora.

— Tudo bem, eu vou sair agora. Estou com o celular desligado. Se o meu marido entrar em contato me avise. Tchau.

A empregada ficou sozinha no apartamento quando o telefone tocou.

— Bia?

— Não, seu Johnny. Sou a Lúcia.

— Por que que ela não está atendendo as minhas ligações? Vai ser contigo mesmo, dona Lúcia. Preciso que a senhora vá até a escrivaninha do meu quarto e pegue uma caixa de Vaxenyr. V-A-X-E-N-Y-R. Da próxima vez que ver a Bia, dê a ela a caixa e peça para trazer para mim na entrada da cidade de Guaramiranga. Eu vou enviar o endereço do hotel para o seu wattsapp, e quero que mostre a ela. Entendeu?

— Sim, senhor Johnny.

...

No escritório, a secretária chamou por Bia. Avisou que um homem indentificando-se como primo dela estava na recepção.

— Ele disse que o seu nome é João Paulo. Falo para o segurança colocá-lo pra fora?

— Não. Eu mesma falarei com esse homem.

Ela saiu apressadamente e desceu os dez andares até a recepção. Paulie, sentado numa poltrona, sorriu quando viu a sua amante.

— O que faz aqui?

— Vim ver a minha amada. Trouxe até flores. Olhe ali?

— No meu trabalho? Muita gente conhece o Johnny, ou pior, os pais dele.

— Então melhor conversarmos num lugar discreto.

Os dois foram para a escada de incêndio. Beijaram-se violentamente.

— Preciso de vinte mil reais.