Johnny... O bom detetive
8 Parte 03: Investigação // Capítulo 02: Contenda familiar
— Ah, pelos céus! Que clima de tensão. Por acaso estamos no programa da Cristina Rocha?
— Foi você mesmo quem acusou o seu namorado de ter cometido um homicídio. Lembra?
— Sim, senhor Johnny. Mas eu apenas repeti o que os meus irmãos disseram. — Foi até a varanda enquanto terminava de fumar. — Eles odeiam o Henkel desde que eu o apresentei. Os meus irmãos sabem que eu pedi que contratasse-o para o cargo de supervisor na fábrica. Sabem que eu tenho interesse amoroso nele, sabem das minhas discussões com o velho. Depois da morte dele, tentaram acusá-lo já que ele brigou com o papito semana passada.
O herdeiro mais novo terminou o fumo e agarrou o namorado por trás. Deveras o tamanho de ambos era contrastante, e Rodrigo facilmente poderia ser confundido com um ômega.
— Por que você brigou com o senhor Foster? — indagou Lucas.
— Ele quis... bater nele... eu revidar com um soco.
— Exatamente. Eu tive uma discussão feia com o papito. Ele era um puto homofóbico e queria porque queria que eu me casasse com a filha do colega empresário. Eu disse um não do tamanho de um arco-íris e ele puxou o cinto para me bater. Foi quando Henkel se meteu na frente e deu um soco no velho. Bom, foi uma merda muito grande, não devia ter feito, mas fez. Meus irmãos agora estão acusando ele, e eu quero encontrar a verdade. O delegado já pediu o depoimento do Henkel. Tive que contratar uma boa advogada, porque querem até uma prisão preventiva. Como pode? Meu amado alfa.
Lucas percebeu que o semblante de Johnny mudara de atento para algo como preocupado. De fato a relação entre Rodrigo e Nestor era muito parecida com de Johnny e Hugo, menos com o agravante do filho ser um ômega. E o moreno sabia que o casamento com Bia era só uma fachada, que até mesmo o sexo entre eles era limitado. Um ômega dominando uma alfa na cama não fazia o menor sentido.
— Tá no mundo da lua?
— Oi? Nã-ão. Claro que não. Só estava pensando no caso.
— Então me ajude colhendo o depoimento. Vai anotando tudo na minha caderneta. Posso saber o seu nome?
— Germaine Henkel.
— Certo, Germaine. Você brigou com o senhor Foster...
— Dias antes de ele morrer. Foi na semana passada que Henkel socou o papito. Isso foi na fábrica de enlatados. Foi lá que ele morreu — respondeu o beta.
Johnny fez toda a sorte de perguntas para os dois. O alemão arranhou um português precário, mas legível. Explicou que fazia estágio como supervisor no departamento de produção, que desde o começo não era bem visto pela família de Rodrigo.
O beta explicou que o seu pai ficava até tarde na fábrica e retornava para a fazenda à noite por helicóptero. Que na quinta-feira, três dias antes, alguém o assassinou com dois tiros no peito dentro do seu gabinete.
— Quem mais acusa o seu namorado?
— Senhor Zawaski, quem acusa são os meus irmãos, Olavo e Nathália, mas o meu irmão é mais incisivo. Ele de fato odeia o Henkel de um modo que chega a ser inexplicável. Eu quero acreditar que ele é inocente. Olha para a carinha dele.
O detetive chamou o seu fiel companheiro para uma conversa do lado de fora do quarto. Olhou a caderneta e todas as anotações que Lucas fez.
— O que foi que houve? Conseguiu alguma pista?
— Ainda não. Esse tal de Henkel assim como o Rodrigo podem muito bem serem suspeitos pelo crime. Mas precisamos continuar a nossa investigação interrogando os irmãos dele. Agora eu saí de lá pois quero dar um respiro.
— Chefe, ficou bolado quando ele te perguntou se era alfa, não é?
Johnny pediu para o colega não citar algo assim com um tom de voz alto. Não queria se arriscar ser descoberto por essas pessoas.
...
Os depoimentos de Rodrigo e Germaine foram coletados, além daquela pouca conversa com o mordomo. A intenção do detetive Johnny era colher mais informações e os próximos seriam os irmãos acusadores.
Por fim o velório durou até quinze horas. O corpo do senhor Foster foi levado para um cemitério particular local. Enquanto isso, ambos aguardaram o retorno dos familiares e a ida dos convidados.
Por volta das dezessete horas daquele domingo os familiares se reuniram. Rodrigo desceu com Henkel. Porém, com a forte reprovação dos irmãos, foram embora.
— Quanta demora. — Resmungou Lucas sentado na poltrona da biblioteca. — Aonde vai?
— Fique aqui um pouco. Tenho que pegar alguém de surpresa.
Olavo Foster terminou uma importante ligação quando deu de cara com o detetive no vestíbulo. O empresário pediu para que o homem fosse o mais rápido possível. Johnny convidou-o para o lado de fora da casa.
— O que você tem que falar comigo? Estou muito ocupado com os trâmites da fazenda.
— Só quero saber sobre o seu irmão e o envolvimento dele com o alemão. Que tipo de relação você tem com eles?
Olavo suspirou, guardou o celular dentro do paletó e passou a mão na nuca. Depois explicou que a culpa do loiro era óbvia pois havia batido em seu pai dias antes. Explicou ainda que Rodrigo sempre ambicionou ter a fortuna de Nestor, mas que odiava o seu pai apenas por ser um homem mais conservador. Falou também que o irmão se frustrou por ser o único dos três filhos que era beta.
— Eu não posso crer que o senhor Rodrigo tenha matado o próprio pai só por uma frustração de ter nascido com um gênero diferente do resto da família.
— Por quê? Fala isso por experiência própria?
Aquilo deixou Johnny um pouco incomodado, mas se recompôs. Por causa das horas naquela fazenda, do calor e da pergunta inoportuna de Olavo, Johnny suou. Logo seu feromônio saiu descuidadamente e entrou pelo nariz do alfa. Pegou um lenço para se enxugar e lembrou de não ter tomado o segundo supressor.
— Preciso voltar...
— Espera. — O alfa segurou-o pelo braço, aproximou o rosto perto do pescoço do detetive e cheirou. — Você é um ômega?
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