Johnny... O bom detetive

9 Parte 03: Investigação // Capítulo 03: O Ciclo


O movimento surpresa de Olavo assustou o detetive. O alfa se aproximou e cheirou perto do seu pescoço. Logo após perguntou ao Johnny se era um ômega.

— Não sei do que o senhor fala. Pensei que isso era uma investigação e que eu fazia as perguntas — falou calmamente, recompondo-se.

— O seu cheiro é inconfundivelmente de um ômega. Ou você recentemente se relacionou com um. Sabe... pelas leis brasileiras um ômega masculino é a mesma coisa que uma mulher. Dizem que o sexo é melhor do que de uma mulher alfa e beta.

Johnny suou frio quando Olavo segurou-lhe o pulso. Pediu para que soltasse, porém o alfa liberou seus próprios feromônios. Aquilo enfraqueceu a determinação do detetive.

— O que estão fazendo? Ele pediu para soltar! — Lucas ficou no meio dos dois e encarando o empresário.

— Chegou o seu escudeiro. Até mais.

O moreno se virou e foi ajudar o amigo a se recompor. Perguntou sobre o que falaram, mas o ômega apenas pediu para que fosse embora e que a investigação encerrasse ali. Lucas assentiu, percebendo que um leve aroma de feromônio saía do corpo do chefe. Falaram com o mordomo e encerraram o dia.

Dentro do carro, Lucas perguntou o porquê de Johnny passar mal perto do irmão do Rodrigo. O ômega respondeu que havia esquecido de levar consigo um segundo remédio que ele usava quando o seu ciclo começava.

— Não posso acreditar que você aceitou esse caso no começo do seu ciclo?

— Eu tomo Ciclozym pela manhã e me sinto ótimo. Já o Vaxenyr tomo dois dias antes do começo do meu ciclo, à tarde, pra controlar meus feromônios. Mas uns cinco meses pra cá eu não precisei tomar o Vaxenyr porque minhas glândulas se estabilizaram.

Lucas ficou emburrecido.

— Que foi?

— Você é um ômega. Precisa se cuidar e parar de querer ser independente do que o médico fala. Devia ter tomado o remédio. Eu tomo o meu, sabia? Mas os feromônios de um ômega são muito mais fortes do que de um alfa.

— Você só toma o supressor para alfa quando chega o teu ciclo. Eu tenho que tomar um comprimido por dia para o resto da vida, além de tomar outro durante o meu ciclo. Não reclame de barriga cheia. Não é você que tem um corpo merda como o meu.

— Tudo bem, chefe! Não precisa ficar com raiva. Desculpa. Eu só fiquei irritado quando aquele cara se aproximou daquela maneira.

...

Rodrigo dirigia o seu carro quando foi parado numa blitz. O policial pediu para que o rapaz entregasse a habilitação e o documento. Depois olhou para o passageiro e pediu para que ambos saíssem.

— O que foi agora? Estou limpo e a minha habilitação em dia.

— Só aguardem um pouco, senhores.

Os dois ficaram esperando os policiais conversarem perto da viatura. Quando o mesmo guarda pediu para Henkel colocar as mãos para trás e deu a voz de prisão. Aquilo deixou Rodrigo surpreso. Tentou saber o motivo da prisão, mas apenas que havia uma prisão preventiva contra o alemão.

— Isso é uma palhaçada. A minha advogada está nesse caso e me disse que a prisão preventiva não seria problema.

— Houve uma denúncia formal. Você poderá conversar com o delegado da delegacia de homicídios.

O alemão pediu para que Rodrigo ficasse tranquilo. O beta falou que o libertaria imediatamente. Ligou para o seu irmão.

— O que foi agora?

— Isso é coisa sua, Olavo. Você denunciou o Henkel sem nenhuma prova! Seu sujo do caralho. Mas eu vou me vingar, tá ouvindo?

— Isso é uma ameaça, irmãozinho?

— Interprete como quiser. Isso não vai ficar assim!

Olavo desligou na cara dele. Rodrigou ficou furioso e tentou jogar o celular no chão, mas foi impedido pelo policial. O homem pediu educadamente que ele fosse falar com o delegado.

...

De volta ao seu quarto, Johnny resolveu tomar banho de chuveiro e tirar o cansaço. Ainda sentia a mão lasciva daquele homem segurá-lo. Realmente o poder de um alfa era fora do comum, apesar de Lucas e Bia nunca terem feito tais coisas.

Colocou uma camiseta simples, bermuda e chinelo. Pegou a chave do carro e saiu. Viu Lucas parado quase em frente.

— Aonde vai?

— Vou procurar o meu remédio.

— Posso ir contigo?

— Não. Eu só vou numa farmácia comprar o supressor. Não precisa desse grude todo.

— Tá bom. Boa sorte então.

— Escute... desculpa por mais cedo eu ter descontado em você a minha raiva por aquele homem. Estou mais tranquilo agora.

Aquelas palavras acalmaram o coração de Lucas. Ver o homem que amava sofrer era doloroso para ele.

Já passava das sete da noite quando o detetive encontrou uma farmácia. Entrou, mostrou a receita ao farmacêutico.

— Não temos Vaxenyr, mas remédio genérico. Vai querer?

— Eu nunca tomei genérico. Só tomei dessa marca. Mas pode me vender, por favor.

— São R$18,50.

Algumas pessoas ficaram vendo ele comprar um remédio supressor para ômega. Aquilo incomodou-o demais. Saiu rapidamente e voltou ao carro.

— Droga.

O celular tocava no silencioso. Já era a quinta chamada perdida que Ana Beatriz fazia. Ele respirou fundo e ligou de volta.

— O que houve? Eu fiquei preocupada te ligando e você não atendendo.

— Desculpa, amor. É que hoje o dia foi realmente puxado. Viemos no meio de um velório e saímos depois do enterro. Foi realmente cansativo.

— Coitadinho. Não se esforce muito. Fiquei preocupada com a sua saúde. Tem que pegar leve.

— É para isso que sempre tenho a companhia do Lucas. Ele me auxilia em tudo.

— Ah... o Lucas. Eu só acho que você precisa ser mais independente dele. — Bia estava escorada à mesa da própria casa enquanto Paulie beijava suas pernas. — Sabe que sinto ciúme dele.

— Não se preocupe. Ele nunca deu motivos para a sua preocupação. Tenho que desligar. Beijo.

— Beijo. — Ela desligou e passou a dar atenção ao amante. — Que estranho.

— Que foi? O corno tá pulando a cerca também?

— Não, mas ele muda de tom quando fala daquele Lucas. Preciso me apressar. Não quero que outro alfa possua o meu precioso Johnny.