Johnny... O bom detetive
1 Parte 01: Bons detetives // Capítulo 01: Johnny Zawaski

Fortaleza, Ceará, Brasil
Meados do ano 2019
A empregada olhou para o relógio e viu ser 18 horas. Retirou o avental, preparou-se para acabar o turno, mas antes deixou a torta de frango no forno do fogão.
— Dona Ana, já fiz a lavagem dos pratos e a torta no forno. Quer algo mais?
— Não, dona Lúcia, pode ir. Muito obrigada.
A mulher de meia idade se despediu da patroa e a deixou sozinha no apartamento.
Ana Beatriz Lemos Zawaski continuou na mesinha de vidro da sala. Mexia no seu notebook, sequer olhou para o relógio, ou seja, era uma mulher ocupada. Trabalhava como gerente de vendas e terminava uma planilha para ser entregue no dia seguinte. Deu uma pausa, já passava das 19 horas. Seu marido ainda não chegou, mas isso não era o problema para ela já que ele era detetive particular.
O tempo passou rápido. Às 20 horas ouviu algumas conversas no corredor do andar, algumas risadas, duas vozes que eram inconfundíveis. Seu marido abriu a porta e entrou com o colega de profissão.
— Amor, cheguei.
— Boa noite, querido. Lucas... o que faz aqui?
— Johnny me convidou para jantar hoje com vocês. Serei um incômodo?
— Claro que não. Ana fala assim porque está exausta pelo trabalho.
Johnny Zawaski era um detetive particular e ex-policial. Aos 29 anos decidiu seguir essa carreira promissora. Casado com Ana, ambos formavam o "casal perfeito". Ela era descendente de portugueses, ele um rapaz moreno com cabelos pretos e olhos azuis.
Durante o jantar, Johnny falou sobre o trabalho e as investigações que fazia. Lucas era o seu fiel escudeiro. Com 1,95 o rapaz era apelidado carinhosamente por seu colega como "Armário", pois Johnny era quinze centímetros mais baixo. A mulher ficou calada a maioria do tempo, observando a interação dos amigos. Eles eram bem amigos mesmo. Mesmo antes de se casar com Ana, Johnny já conhecia o Lucas da época da escola.
— Você vai de uber, Lucas?
— Não, prefiro táxi convencional mesmo. Já são quase dez e a viagem é longa para Messejana.
Durante os minutos após a partida do Lucas, Johnny ficou impaciente e utilizou o Whatsapp para conversar com o amigo. O rapaz respondeu que havia chegado por volta das 22:40. Johnny aliviou-se e pode ficar à vontade. Retirou o terno, gravata e a camisa social ficando com o tórax atlético exposto.
— Querida, essa salada de frutas na geladeira...?
— Pode tirar. Vamos comê-la na sobremesa — respondeu fechando o notebook e suspirando.
Os dois ficaram à mesa enquanto comiam. Johnny percebeu que a sua esposa estava mais fria do que das últimas vezes, porém não quis forçá-la a dizer algo que não queira. Apenas conversou mais um pouco sobre o trabalho dele e dela. Terminaram, o homem lavou os pratos e foi para o banheiro logo em seguida.
Bia, como era conhecida, foi a primeira a tomar banho e a se deitar na cama. Ficou mexendo enquanto o marido se banhava. Ele saiu apenas com a tolha na cintura e os cabelos negros escorridos.
— Mais uma noite sem sexo. O chefe não está dando conta do recado? — disse Lucas rindo na lanchonete do escritório.
— Como você consegue ser tão irritante, jovenzinho? — Na verdade o homenzarrão tinha dois anos a menos que o seu chefe. — Bom, ela e eu trabalhamos duro e o trabalho suga as nossas forças. Nossa vida não é uma história de ficção.
— Tudo bem. Não está mais aqui quem falou. Mas é muito massa essa vida de solteiro que eu tenho. Cara, consigo ficar com umas gatinhas topzeira. Se você não fosse casado certeza que teria muitas mulheres ao redor.
Havia um prédio na Avenida Desembargador Moreira que servia como escritórios em geral. No décimo andar havia o escritório de investigações particulares. Johnny e Lucas trabalhavam como detetives mas também ficavam a maior parte do tempo em computadores como PAs. Investigavam casos não solucionados pela polícia civil e até mesmo casos inéditos que os clientes pediram sem envolver a polícia.
No ano de 2017 o congresso aprovou uma lei que permitia detetives particulares agirem como polícia. Os detetives possuem distintivo, armas e voz de prisão.
— Meninos, tem alguém bem ali que quer falar com vocês — disse uma colega de trabalho chamada Selma.
Ela apontou para a vidraça que dava para o corredor externo. Viram um rapaz franzino e muito bonito. Selma explicou que o cliente era filho de um rico fazendeiro do interior do Ceará e que só passou na capital para contatá-los.
— Você sabia disso?
— Hum?
— Esse moleque... Você sabia que ele viria hoje?
— Não, Lucas. Estou surpreso também. Normalmente os nossos clientes sempre entram em contato pelo número da empresa. Mas vamos lá, não é?
Selma deu um sorrisinho enquanto segurava uma prancheta desenhando algo.
A dupla de detetives se aproximou do rapaz. O guri se apresentou como Rodrigo Foster, filho de Nestor Foster fazendeiro mais rico do estado. O rapaz tinha uns 22 anos, mas aparentava ser adolescente. Ele ficou corado com a beleza dos dois homens.
— Bom dia. Eu sou detetive Zawaski e esse é o meu colega Lucas Souza. Posso ajudá-lo?
— Bom dia, senhores. Eu me chamo Rodrigo Foster — Ele ficou intimidado com a altura dos dois. Rodrigo não passava de 1,70. — Procurei vocês porque me disseram que são os melhores. Eu pagarei bastante dinheiro para solucionarem um caso.
Johnny manteve a pose séria até escutar o valor que Rodrigo ofereceu. Os olhos do detetive, que eram azuis, viraram dois cifrões azuis. Em matéria de ganhar dinheiro era com ele mesmo. Lucas suspirou depois que o seu colega deu o vexame.
— Diga-nos o seu caso — disse Johnny com papel e caneta.
O rapaz respirou fundo:
— O meu namorado matou o meu pai.
Selma, que bebia café perto deles, deu uma cuspida e quase se engasga. Olhou para os dois detetives e para o cliente. Retornou para a sua PA e voltou a desenhar um sexo a três agora incluindo o jovem Rodrigo.
Johnny aceitou a oferta do Rodrigo.
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