Johnny... O bom detetive
2 Parte 01: Bons detetives // Capítulo 02: Lucas Souza

Lucas corria na esteira quando Johnny apareceu repentinamente por trás e retirou um dos fones do seu ouvido. O moreno olhou para o lado e ficou surpreso com o seu parceiro na academia naquele dia.
— O que faz aqui, chefe?
— Eu resolvi fazer musculação seis dias por semana. Antes eu fazia apenas cinco, mas tenho mais tempo livre fora de casa. Também vim te lembrar que amanhã iremos ao interior. Lembra, não é?
— Lembro sim, hehehe. Chefe, eu tava querendo falar contigo mesmo. É sobre aquele serial killer que a gente conseguiu prender.
Johnny respirou fundo e pediu para se encontrarem numa lanchonete perto da academia. Após uma sessão de exercícios físicos, os dois foram comer algo nesse lugar. Lucas explicou para o colega que o julgamento do assassino em série ocorrerá em poucos dias. A prisão do bandido foi essencialmente boa para o detetive Johnny.
— Graças à prisão daquele vagabundo, muitas pessoas se salvaram. Sobretudo para você, não é, chefe? A sua condição física era o que aquele assassino mais queria. As vítimas possuíam uma coisa em comum com você. Sinceramente quando eu descobri que o serial killer matava pessoas que tinham algo parecido contigo... eu fiquei muito preocupado.
— Melhor não falar essas coisas em público. Ah, Luquinhas, até parece que eu sou uma menininha indefesa. Certo que você tem o corpo do The Rock, mas não abuse da sorte. Sou muito mais forte do que você. Eu sou uma rocha.
A namorada de Lucas apareceu por trás dele e o abraçou. Ela era bem menor do que ele, contrastando em tamanho. Conhecia Johnny e deu um oi a ele.
Era sábado, dia de folga deles. Johnny se despediu do amigo e entrou no seu carro Corolla preto e partiu para casa. Viu Bia dormir no sofá da sala, aproximou-se e deu um beijo em sua testa. Ela costumava malhar com ele, porém não nos sábados.
— Dormindo uma hora dessa? Ainda nem é meio-dia.
— Acho que eu vou ter uma promoção, por isso ultimamente estou trabalhando feito uma condenada. Sabe de uma coisa? Quando essa fase terminar, e creio que seja no mês que vem, serei mais atenta ao meu marido.
— Ah, para. Vocês dois combinaram hoje?
— Quem?
— Lucas e você. Hoje o Lucas ficou me adulando como se eu fosse feito de cristal. O julgamento daquele assassino será semana que vem e ele ficou me relembrando o passado. Agora você achando aí que estou triste por causa do seu trabalho?
— Mas... mas...
— Não se preocupe com isso, eu entendo — disse ele alisando o rosto da esposa e beijando-a. — Preciso tomar um banho.
— Johnny, espera. Que tal se hoje à tarde irmos para a Praia do Futuro, numa barraca...? Vermos o pôr do sol. O que acha? Você pode chamar o Lucas e a namorada dele. Nós quatro. Topa?
O homem concordou.
...
Horas depois...
Pouco antes de sair à praia, Johnny ficou procurando algo em seu apartamento. Bia acabava de arrumar quando viu o seu cônjuge atordoado.
— Que houve? Esqueceu a chave do carro?
— Não. Apenas não acho os meus comprimidos. Eu deixei a bolsa com o meu remédio no armário do banheiro. Mas não o vejo. Por acaso você viu?
— Deixa eu ver — ela achou dentro da gaveta da escrivaninha. — Acho que foi a empregada que deve ter posto ali. O que me intriga mesmo é você pedir o remédio uma hora dessa.
— Não começa.
— Não seja tão displicente, John. Olha o perigo de você sair sem tomar remédio. Foi na academia hoje cedo... Fala sério. Você está tomando o remédio todos os dias?
O homem achou fofo a preocupação da esposa e deu um beijo em sua bochecha. Explicou que o trabalho também lhe tomava tempo e às vezes esquecia de tomar o remédio. Bia repreendeu-o mais ainda e disse que era perigoso demais ele sair sem ter tomado o comprimido.
— Tudo bem, mamãe. Podemos ir?
Praia do Futuro
Por volta das 16 horas o quarteto foi para uma das barracas de praia. Johnny usava uma camiseta regata com bermuda surfista e um chinelo. Lucas também vestiu-se à vontade e as duas mulheres usaram canga, short e biquíni. Ficaram conversando, batendo um papo até que comeram lagosta e outros frutos do mar.
A namorada de Lucas pediu para que ele fosse com ela tomar banho juntos na água. O moreno a princípio não quis, mas cedeu. O outro casal, Johnny e Bia, continuou na barraca. Não havia muita conversa entre os dois mesmo sendo casados. Esse vácuo ou "gelo" era comum entre eles mesmo depois de quatro anos de casamento.
— Algum problema, amor? — perguntou ao ver a esposa olhar para o lado com tamanha atenção.
— Nada. Espera um momento — retirou uma escova da bolsa levantou-se e ficou penteando os cabelos lisos do marido. Como o vento bagunçou tudo, ela decidiu escovar para trás. — Esse penteado destaca mais ainda seus olhos. Ficou lindo.
O homem deu uma risadinha.
Lucas saiu da água com a namorada e voltou para a barraca. Passou por trás de Johnny para chegar à sua cadeira. Por cinco segundos desviou seus olhos para a nuca do colega que massageava com a mão numa demonstração de tirar a tensão de algo. Quando Johnny retirou a mão do lugar expôs a nuca branca e cheia de pintas. Para Lucas a nuca do seu colega detetive era muito mais bonita do que de muitas mulheres.
— Que foi, cara? Senta aí. Ou já vai embora?
— Não, vou ficar mais um pouco. A Sílvia que decidiu ir embora logo. Ela tem que fazer um trabalho para a faculdade.
— Você e a sua mania de pegar estudantes — Johnny acendeu um cigarro. Ele chupava a base do objeto enquanto queimava a ponta. Soltou a fumaça.
Lucas apenas viu de relance a boca de Johnny que lambia os lábios depois da tragada.
— Quer um?
— Sabe que eu não fumo. Você devia parar disso. Tenho que ir também. Preciso arrumar umas roupas para a viagem.
— Atrasado como sempre. Tá. Até amanhã.
Ah... aquela nuca!
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