Johnlocked
4 Johnlocked
Notas iniciais
A noite caía sobre a cidade de Londres mais uma vez. De alguma forma, por algum milagre, Sherlock Holmes estava de pé, dentro de uma residência que conhecia muito bem. Mas não era a sua, não; era a residência de John Watson.
Felizmente, John não estava em casa, de forma que tudo aquilo tinha sido premeditado.
Aguentara o quanto pôde. Fizera tudo o que pudera para evitar ver-se naquela situação, mas as coisas tinham tomado um rumo extremo; estavam fora do seu limite de controle. Ao ver as palavras desesperadas de John naqueles três jornais, o detetive se sentira obrigado a dar chances àquele encontro. E quando o encontrasse cara a cara... quando o encontrasse cara a cara, já sabia o que estava por vir consigo.
Naturalmente, seria rejeitado; nem sequer daria a John chances de mostrar reciprocidade àquele sentimento tão infame que se apoderara do seu peito. Explicaria a ele a situação; passaria a ele as instruções para que prosseguisse agindo como detetive em Londres, apresentando sempre as soluções dos casos aos clientes; deixaria seu legado para ele e passaria a atuar em outro lugar da Europa, talvez até mesmo na América ou na Ásia, para garantir que a proximidade física nunca mais o perturbasse daquela forma. Mycroft seria encarregado de ocasionalmente lhe enviar notícias de John, mas nunca fotos ou textos escritos à mão, porque aqueles eram íntimos demais e poderiam reavivar no seu ser justamente o que pretendia matar dentro de si: os sentimentos por ele.
Sim, sim. Uma vez realizado aquele encontro, Sherlock estaria livre para partir. Mas o problema era... e no ato do encontro? Tentava planejar e re-planejar os seus passos, mas tudo parecia inconstante demais para ser programado. Já havia sido torturado por informantes sérvios de seus inimigos, mas nenhuma tortura seria pior do que olhar no fundo dos olhos de John e admitir os sentimentos.
Como as pessoas normais passavam por aquilo? Como era possível que gostassem daquilo? Acima de tudo, como raios conseguiam sequer conviver com aquilo?!
Independente de já ter programado os seus próximos passos, os passos seguintes de John eram incertos. O pobre John era um homem emocional e inconstante, e Sherlock não sabia como ele reagiria àquela declaração — que provavelmente nem daria certo. Mesmo assim, receber aqueles anúncios do jornal que pediam sua ajuda para encontrar Sherlock Holmes era a melhor coisa que lhe havia acontecido; pelo menos, tiraria aquilo da frente. Daria as malditas satisfações a John e sumiria da sua vista definitivamente, sem precisar sentir que algo do passado ainda estaria pendente.
Justamente por não saber como John reagiria àquele encontro, optava agora por fazer o que qualquer ser humano decente faria: mostrar-se à segunda pessoa mais prejudicada naquele jogo. A pessoa que teria as responsabilidades de consolar o seu melhor amigo depois que tivesse partido.
— Então, você finalmente percebeu? — sussurrou Mary às suas costas.
Sherlock estalou a língua dentro da boca. Incomodou-se ao ver que ela carregava nos braços o bebê Rosemund, que dormia profundamente. Ah, quantas pessoas mais estaria correndo o risco de desestabilizar por causa de um estúpido sentimento que aflorara?
Por isso sempre evitara as emoções. Sabia que tipo de preço seria pago por elas. Mas agora que elas finalmente se manifestavam dentro de seu peito, vinham como uma avalanche; talvez tivesse sido melhor deixá-las entrar aos poucos do que evitar tanto para sofrer agora tudo o que não sofrera ao longo da vida.
Se aos menos pudesse se esconder daqueles sentimentos. Ou, ao menos, se aqueles sentimentos não estivessem inutilizando o seu cérebro e tornando-o um lunático... Não estaria tomando as atitudes que agora se via obrigado a tomar.
— Entendo — murmurou ele de volta, assentindo lentamente com a cabeça. — Você já sabia.
Um suspiro calado deixou os lábios de Mary. Um sorriso fraco e triste formou-se em seu rosto. As olheiras profundas indicavam que ela também não dormia há algum tempo. A expressão cansada, porém conformada, dava a entender que ela já soubera do assunto a ser tratado desde o começo. Havia também alguns respingos de leite no seu roupão de seda, mas Sherlock tentou não se deter nisso.
— Eu tentei me convencer do contrário — respondeu ela. — Mas desde o começo, as evidências estavam ali. Então... — e pausou, antes de completar: — O que você vai fazer?
— É claro que vou embora — respondeu, seco. Por que as pessoas lhe perguntavam aquilo, como se resposta não fosse óbvia?
Ao ouvi-lo dizendo que partiria, a mulher fez menção de protestar, provavelmente por pensar no estado que John ficaria ao se ver abandonado pelo melhor amigo, sem nem mesmo uma explicação. Mas antes que tivesse que ouvir aquele protesto, Sherlock emendou:
— Vou me encontrar com ele antes.
— Você sabe que ele não vai te deixar ir, certo?
— Claro que vai.
— É claro que não.
— Você não o conhece.
— Você é que não o conhece, Sherlock.
O silêncio se instalou no recinto por alguns segundos. Sherlock abriu e fechou os lábios algumas vezes, considerando o que deveria ser dito em uma situação com aquela. Talvez devesse se desculpar por causar a Mary aquele transtorno; é claro que não fugiria com John ou coisa do tipo, mas era certo que o deixaria em um estado emocional muito fragilizado. Talvez, John até mesmo passasse a se questionar sobre seu casamento, talvez até optasse por fazer novas escolhas.
Nesse caso, a culpa não seria sua?
Estava decidido: em uma situação com aquela, o certo era se desculpar. Mas se desculpar como, se no fundo ela parecia ter suspeitado daquilo desde o início, quando nem mesmo Sherlock o fazia de maneira tão clara?
— Mary, eu...
Mas foi interrompido, porque não pôde crer no que seus olhos viam.
Mary era uma mulher de ferro. Ela havia presenciado algumas das maiores atrocidades da humanidade, sobrevivido a torturas, a situações que estavam muito além do limite de perigo de uma pessoa comum. Sherlock nunca a havia visto chorar; no máximo, percebera a contenção de algumas lágrimas no momento de seu casamento e no momento que reatara o seu relacionamento com John após o homem descobrir sua verdadeira identidade. No demais, ela jamais realmente se rendera às lágrimas em sua frente.
Mas bem ali, naquele exato momento, ela estava a um passo de fazê-lo. Mary pigarreou, abaixou a cabeça, limpou os olhos com a mão livre enquanto a outra permanecia segurando Rosie. A sua voz saiu trêmula e abalada.
— Independente do que for fazer... Independente do que for dizer, não o deixe pior do que ele está agora.
Mais uma vez, Sherlock estalou a língua dentro da boca. O fato era: por mais que quisesse negar, também havia uma emoção nascendo dentro de si. Por mais que o ego não admitisse, queria se desculpar com aquela mulher. Queria lhe dizer que sentia muito por ter falhado na mais óbvia das suas deduções.
— Eu vou fazer tudo o que posso — respondeu, também em um murmúrio. Não podia mais se dar ao luxo de fazer promessas que não poderia cumprir. Não podia mais se dar ao luxo de fazer juramentos vazios. Já se sentia culpado pelos votos que estava quebrando.
Por fim, a sua mensagem havia sido dada. Acabava de confirmar que Mary já suspeitara do seu sentimento desde o princípio. Mais do que isso, terminava agora de apresentar a ela a verdade, confirmando então todas as suas suposições e já deixando-a preparada para o que poderia vir a seguir — por mais que ele próprio não soubesse exatamente o que viria.
— Sherlock — chamou ela novamente. Os olhos outrora frios, agora embebidos em um sentimentalismo miserável, dirigiram-se a ela. Mary prosseguiu: — Se John se escolher a você...
— Essa possibilidade não vai existir — interrompeu ele.
— Se ele escolher a você — insistiu ela, agora em um tom mais alto, fazendo questão de ser ouvida. Abriu mais um sorriso fraco, completando: — Faça-o feliz. Esforce-se todos os dias, eu não me importo em como você vai fazer. Apenas... Consiga.
Sherlock fechou os olhos, incomodado, ao ouvir aquela frase final. A simples possibilidade de também ser escolhido por John dava-lhe calafrios. Já tinha se envolvido com outras pessoas por conta de casos ou outros interesses mais elevados, mas envolver-se com aqueles sentimentos? Envolver-se com amor? Ter uma relação recíproca, saudável, feliz?
A qualquer momento, teria uma ânsia de vômito. Não porque tivesse nojo de John, pelo contrário; a cada dia mais, o seu coração palpitava por ele e as glândulas produziam saliva, como se os efeitos de John sobre si fossem ainda mais intensos e viciantes que o da cocaína. Mas o fato era que estava com asco de si mesmo. Simplesmente não se reconhecia.
Ainda assim, não respondeu a Mary. Sentia que já tinha feito estragos o suficiente por ali. Um aceno curto de cabeça entre eles foi o símbolo da despedida. E Sherlock tomou novamente o rumo das ruas frias e escuras da cidade.
~
O destino de John Watson foi um único naquele dia: o número 221 B, Baker Street. Ignorou os gritos da sargento Donovan para que continuasse na delegacia, ignorou as cem chamadas de Mycroft em seu celular para que lhe desse possíveis notícias, ignorou até mesmo a cara surpresa da senhora Hudson quando praticamente arrombou a porta daquele apartamento.
Se sabia qual era o motivo de estar se dirigindo àquela casa? Claro que não sabia. Era mais do que óbvio que não iria encontrar Sherlock no meio das tralhas daquela sala, muito menos o encontraria repousando sobre sua cama ao lado da parede cheia de furos de revólver. Mas por algum motivo, aquele apartamento lhe ajudava a pensar.
De alguma forma, sentia a energia de Sherlock ali dentro, e o simples cheiro dele o fazia se sentir mais inteligente. Mais competente. Menos inútil. Além disso, a presença dele o acalmava, por mais que fizesse também a adrenalina correr em seu sangue.
Sim! Porque, ao contrário de uma pessoa normal, John não encontrava sua calmaria nas praias desertas do Caribe, muito menos nas casas de campo isoladas do topo da Inglaterra. Encontrava sua calmaria ali: na adrenalina, na pressa, nas pupilas dilatadas que sempre se direcionavam a ele. Que sempre o procuravam.
John encontrava sua calmaria em Sherlock. O centro do seu mundo era aquele maldito detetive e tudo que o envolvia.
— Oh, John, pelo amor de Deus! – clamou a senhora Hudson às suas costas. Já fazia quase quinze minutos que John estava sentado na sua poltrona da sala, o bilhete de Sherlock ainda fechado em suas mãos, os olhos claros direcionados à mensagem que não tivera ainda a coragem de abrir. – Você vai abrir ou não vai? – ansiou ela, aflita.
É claro que já tinha percebido que o bilhete provavelmente era de Sherlock. Afinal, mais nada no mundo fazia John encarar a parede com aquela cara de peixe-morto.
— Você acha... que ele...
— Pelo amor de Deus! – insistiu ela, nervosa.
John suspirou. Estivera esperando por uma mensagem de Sherlock durante tantos meses... E justamente agora que a tinha, ficava daquele jeito. Por que ficava daquele jeito? Estava com medo de um pedaço de papel? De um simples pedaço de papel que poderia lhe descrever o estado de Sherlock e lhe dar a pior notícia de sua vida?
Engoliu em seco, mas lembrou-se de que era um soldado. Lembrou-se do que Lestrade havia lhe dito e considerou a possibilidade de... Apenas considerou a possibilidade de...
— John! – gritou ela, fazendo-o pular de susto.
Sem pensar mais, abriu o papel em um único movimento. E ao se deparar com as letras corridas de Sherlock, o seu estômago se contraiu e o coração quase parou. A mensagem dizia:
“Trancado em você.”
As palavras saíram em forma de murmúrio da boca de John, e nem mesmo a senhora Hudson foi capaz de escutá-las. Falava apenas consigo mesmo conforme os dedos gelados eram passados sobre as letras corridas e os lábios balbuciavam:
— Trancado... Trancado em mim.
Oh, meu Deus. Oh, meu bom Deus. Tantas vezes na vida John havia se martirizado por não conseguir ajudar Sherlock como gostaria; tantas vezes havia se culpado por não ser um gênio como ele e Mycroft, tantas vezes tinha se lamuriado por sempre ser o último a atender a seu chamado, simplesmente porque não conseguia entender as mensagens da onde vinham. Mas agora, John se detestava mais do que nunca.
O que aquilo queria dizer? O que queria dizer?!
Ergueu-se da poltrona em um pulo e voltou a andar de um lado para o outro, inconsolável. Não era possível que o maldito Sherlock tivesse escrito aquilo para si em um grau alto de complexidade! Se tinha feito aquela mensagem justamente para John, devia ter feito algo do seu nível!
Leu. Releu. E leu mais uma vez. Cinco, dez vezes. A mensagem não mudava.
“Trancado em você.”
De súbito, uma luz se acendeu dentro do seu ser. A sua mente não era composta por chiclete, afinal.
— Trancado em mim! – gritou para a senhora Hudson, um sorriso lunático estampado em seu rosto. – Ah, senhora Hudson! – exclamou ainda. A mulher assustada recuou alguns passos, mas não conseguiu escapar de John, que lhe deu um vigoroso beijo na bochecha por sua mente ter se iluminado; quase igual à forma como Sherlock fazia quando ficava eufórico.
Ora, era óbvio! Uma mensagem daquelas só podia indicar que as pistas para encontrar Sherlock estavam em seu antigo quarto, justamente no apartamento de Baker Street! Sim, só podia significar isso, e a teoria explicava plenamente as palavras “Trancado em você”. Certamente alguma gaveta ou baú trancado no quarto de John Watson o levariam até o detetive.
Desviando da mulher assustada, John correu para seu antigo quarto. Começou a revirar os móveis, as peças de roupa que o próprio Sherlock tinha espalhado no local, o antigo relógio de cabeceira, os livros caídos pelo chão, folhas impressas de casos que tinham e que não tinham resolvido. Revirou tudo. As roupas de cama foram para o chão, bem como a própria cama, que foi empurrada, puxada, revirada e tombada.
Não haviam baús mágicos, muito menos gavetas trancadas que contivessem pistas. Na verdade, não havia pista nenhuma em lugar algum e o quarto estava quase igual ao que John tinha lhe deixado, à exceção de algumas novas tralhas que Sherlock enfiara ali dentro.
— Merda... Merda! – gritou, chutando a escrivaninha também revirada. Não era possível que não conseguisse resolver aquilo, mesmo com uma mensagem bem debaixo do seu nariz!
Mas então, ouviu um barulho às suas costas. O barulho de uma senhora pigarreando.
Incomodado, John virou-se para encará-la. Ela agora pigarreava? Ou tinha também decidido caçoar da sua cara?
A senhora Hudson estava de braços cruzados em frente ao corpo, totalmente apoiada no arco da porta, os olhos sérios e decididos direcionados para si.
— Bem — disse ela.
John revirou os olhos nas órbitas, já puto da vida.
— Bem o quê? — rosnou, irritado. — O que é?! O que você está olhando?!
Ela deu de ombros, antes de responder:
— Bem, não é preciso ser nenhum gênio pra entender o que ele quer dizer. Pelo menos não dessa vez.
John piscou, incrédulo. A senhora Hudson tinha entendido a mensagem? Ela tinha entendido aquela maldita e indecifrável mensagem?
— Ora, John... — retomou ela, com um sorriso bondoso. — A convivência com ele deve ter afetado os seus neurônios. Sherlock não quer que você encontre coisas nesse quarto. Ele quer é ser encontrado por você.
— En...contrado? — murmurou o baixinho, o cenho franzido em direção a ela.
— "Trancado em você" — repetiu a mulher, com aquele mesmo sorriso. — Quantas mensagens subliminares mais ele precisa enviar até que você entenda o verdadeiro problema?
Oh, meu bom Deus.
Trêmulo, John passou as mãos sobre o rosto, tentando se encontrar. As pernas subitamente ficaram fracas, e borboletas imaginárias surgiram em seu estômago. Lembrou-se das palavras de Lestrade. "Sherlock se apaixonou por você", tinha lhe dito ele.
..."se apaixonou por você"..., dizia Lestrade.
..."está perdido"..., dizia Lestrade.
..."percebido coisas que antes não percebia"..., dizia Lestrade.
..."quer é ser encontrado por você"..., dizia a senhora Hudson.
..."Salve-o, John. Salve-o de si mesmo", dizia Mycroft.
— Oh, meu Deus — sussurrou. As mãos fracas se abriram, permitindo que a mensagem escrita caísse agora no chão. Os olhos tristes, temerosos, foram direcionados à senhora Hudson.
Então, era isso. Sherlock o amava. Estava trancado em si. E apesar de John ser um soldado veterano, um médico formado há anos, um assistente de detetive que já tinha visto de tudo na vida.... Apesar disso tudo, sentiu-se um menino. Um menino que sabia o que fazer, mas que estava com medo demais para fazê-lo.
— Ora, vá logo — sussurrou ela, agora com um sorriso animado, as mãozinhas gesticulando para que John fosse em frente. — Vocês vão ficar bem!
Então, agindo como se a mensagem tivesse sido clara desde o início, John cambaleou até o computador aberto de Sherlock, que se encontrava na mesa da sala. Sentou-se na cadeira à frente da máquina e não se surpreendeu ao perceber que o detetive já tinha deixado o notebook aberto justamente na página de rastreamento de chip.
Sherlock sempre fora um mestre em códigos. Era capaz até mesmo de desvendar a senha de um criminoso completamente desconhecido, baseando-se em gostos, hábitos, profissões, bichos de estimação, pessoas amadas...
Mas as senhas de Sherlock eram sempre impossíveis de serem desvendadas. Sim. Afinal, um mestre em códigos foge de qualquer padrão possível. Um sociopata funcional sabe exatamente como as pessoas pensam e evita cair no mesmo erro que a massa. Certo?
Errado. Sherlock não era aquela máquina. Não mais.
Agora, ele estava apaixonado por John. Trancado em John. Johnlocked.
E quando os dedos trêmulos do baixinho digitaram a palavra "Johnlocked" no campo de senha, o computador respondeu imediatamente. Uma página com um mapa se abriu. E começou a piscar, em um ponto muito específico daquele mapa, uma bolinha azulada. A bolinha azulada que indicava a exata localização de Sherlock, a pouquíssimas quadras dali.
Por breves segundos, John palpitou. O coração desenfreado tremelicou de medo, a boca secou, as lágrimas contidas e desprezadas formaram-se no canto dos olhos, proibidas de rolar face abaixo, simplesmente porque John Watson não chorava.
Conseguiria encarar aquilo? Conseguiria encará-lo após dez meses de buscas infindas e lidar com aquilo?
— Vá, John — sussurrou a senhora às suas costas. — Você tem ir.
Sim. Tinha que ir. Tinha que ir!
Apavorado pelo que estava por vir, o baixinho assentiu com a cabeça. Ergueu-se da cadeira como quem levantava do lodo pela primeira vez na vida. E saiu de casa naquele fim de tarde com a exata localização da única pessoa na face da Terra capaz de fazer seu sangue circular no corpo: o maldito e insubstituível Sherlock Holmes.
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