Jogos Justos

6 V - Estaca Zero


Notas iniciais
Oie! Cadê meu povo lindo que fica puto da cara comigo quando eu sumo e só volto de um em um mês?!
FIQUEM MAIS ANIMADOS, MEUS AMORES! ESTOU PRATICAMENTE DE FÉRIAS JÁ!
UHUUUU!
:3
Boa Leitura! ;D

Os dias passam e não temos muitas alternativas do que aprender um pouco de cada coisa que está a nosso dispor, já que não temos qualquer poder para nos dar vantagem. Eu e Roy parávamos a cada estação, aprendendo a manusear outras armas que não arco e flecha, por mais útil que ele fosse. Tentamos as manobras de sobrevivência e não saímos mais dali depois que chegávamos, tínhamos de saber o que podíamos para sairmos vivos dali.

Zatanna, a garota da Zona 1, começou a sentar perto de mim, de repente, durante as aulas de anatomia e botânica, até me perseguia durante as aulas de sobrevivência, mas quando eu a olhava para tentar enxotá-la, ela sorria receosamente para mim e eu não sentia mais vontade de desencorajá-la a ser minha sombra. Roy reclamou a respeito disso, mas ela é forte e se eu a tivesse por perto poderia me livrar de muitas roubadas.

Eu não gostei de pensar assim, mas Oliver nos disse que não há problemas em fazer aliados. Entretanto, amigos está fora de cogitação – quem dirá amantes... Não que eu estivesse pensando nisso claro.

A partir do terceiro dia, Roy convidou Kaldur e Tula, os tributos da Zona 6, para conversarem conosco durante o almoço, discutindo sobre coisas que conversávamos quando éramos mais novos e Jade ainda estava por perto. Coisas boas que não têm a ver com os Jogos. A pessoa mais calada, depois de mim, era Tula, que mal conseguia comer os vegetais dispostos em seu prato.

Durante um dois treinos de arco e flecha, onde as pessoas se limitavam a aprender, preocupando-se mais com as lanças e dardos como armas de longa distância, Roy decidiu discutir comigo a respeito de aliados e coisas do tipo. Eu não queria dar muita corda aquilo, porque depois da conversa aterrorizante que eu tive com o tributo da Dois, aliados não era uma boa idéia mesmo.

-O que acha de Kaldur? – ele me perguntou enquanto eu quase soltava uma flecha, fazendo-me atirar no alvo errado. Eu fiz uma careta e me apoiei no arco de cromo.

-Como namorado? – e Roy engasgou na própria saliva.

-Não! Como pode pensar nessas coisas na situação que estamos?! – ele me repreendeu, esticando os braços para cima e tentando parar a tosse seca.

-Você fez uma pergunta muito vaga. – brinquei e ele me fuzilou com os orbes azuis escuros.

-Artemis, é sério. – eu bufei e ele continuou a falar, acertando outro alvo, um milímetro de distância do centro – Ele é um bom atleta, agüenta o tranco e tem poderes.

-Você ainda respira ar, Roy. Não vai ter um tanque de oxigênio pra te salvar durante os jogos. – eu o alertei, mesmo que por brincadeira. Ele entendeu onde eu queria chegar.

Atirei outra flecha.

-Ele pode manipular água, então nem vamos chegar a desidratar.

-E as regras serão alteradas, os Jogos serão banidos e vamos sair vivos de lá. – disse sarcasticamente, ficando irritada – Roy, isso só significa que é mais fácil de Kaldur ficar desidratado do que nós.

-Não se ficarmos sempre perto da água.

-Nós e todos os restantes tributos. – eu lembrei-o – Ela é essencial para todos nós, cabeça oca. Não vai dar pra estar perto do rio o tempo todo.

-O que você sugere então? Não ter nenhum aliado com poderes?! Tentar a sorte?! – eu iria responder que sim, mas ele não me deixou falar – Não vai dar pra continuar assim! Vai ter uma hora em que vamos precisar de alguém!

-Eu não sou suficiente? – eu o perguntei e ele parou, respirando rápido e meio chocado com aquilo.

De repente ele estava nervoso, apertando o arco e a flecha em suas mãos, se segurando pra não me acertar. Só queria saber o que eu tinha dito de tão importante para deixá-lo tão nervoso...

-Não sei se posso confiar em você. – essa foi minha deixa de ficar nervosa e esmagar o arco em minha mão – ou ao contrário, porque a minha mão ficou marcada depois disso, e dolorida.

-O que?!

-Depois de saber que o Raspadinha Ambulante estava atrás de você para se tornar aliada dele, nem sei mais no que acreditar... – ele comentou com raiva, se posicionando no meu lugar para atirar outra flecha.

-Você ta desconfiando de mim porque o outro veio me convidar pra fazer parte do time dele? – eu não ia falar nada a respeito disso com ele, não falei com ninguém de qualquer forma.

-Você não me falou nada que ele tinha ido falar com você...

-Eu não me escondi pra falar com ele, Roy! Eu estava bem ali e foi durante o espetáculo do tributo favorito! Não fazíamos isso escondido de ninguém e, inclusive, o instrutor até brigou comigo porque pensou que íamos sair no tapa! – eu o avisei, mentindo dessa parte final.

-Não muda o fato de o convite ainda estar aberto...

-E você acha que eu vou trocar certeza por incerteza?!

-Pessoas mudam quando tem a vida arriscada, Artemis! Você viu o quanto a sua irmã mudou por causa desses jogos! – agora ele tinha, de verdade, me magoado.

-Por mais que as pessoas digam que eu e Jade somos parecidas, eu não sou ela e nunca serei. Coisas boas ou ruins. Então... – eu larguei o arco em sua estante, me preparando para sair dali – Antes de julgar os outros baseados em suas inseguranças, certifique-se de quem você é e se você conhece bem o outro para falar qualquer coisa.

-Eu te conheço melhor que você mesma Artemis. – ele falou, baixo, e eu reprimi um suspiro desapontado.

-Você tem que se conhecer antes de conhecer os outros melhor que eles mesmos.

Eu segui até a pista de corrida e, conseqüentemente, os tributos da 9 estavam ali, treinando e mostrando que são tão habilidosos quanto qualquer um. E eu me sentia mal por não responder a eles.

O garoto sorridente parou ao meu lado enquanto eu me alongava antes de correr e fazia alguns outros exercícios meio avançados para mim, pensando em algo para puxar a conversa.

-Você sabe como esse lugar mexe com a cabeça das pessoas? – ele me perguntou, estralando as juntas de seu corpo.

-Você não faz idéia. – eu respondi sem olhar em seus orbes azuis, focada em preparar meu corpo para a corrida dolorosa. A imagem de Jade se montando em minha cabeça.

-Então entende que tudo isso não passa de conseqüências, né? – e eu fiquei meio surpresa em saber que o garoto estava prestando atenção na nossa conversa – Não pegue tão pesado com ele. Ele está tão desesperado quanto o resto de nós.

-Deu pra ouvir meus gritos né? – eu perguntei, tentando centrar o tópico em mim e não naquele garoto do topete, maldito...

-Mais ou menos. – o menino respondeu rindo, e ele se esticou – Deu pra entender um pouco do que se trata.

-É algo complexo demais para apenas cinco minutos de explicação. – eu sugeri e ele procurou alguma coisa pra me responder.

-Para bom entendedor, meia palavra basta. – e eu ainda não lembrava por qual motivo eu não tinha falado com esse menino antes.

-Artemis. – eu me estendi até ele, apertando sua mão e cumprimentando-o, sem muitos sorrisos ou comentários animados. Ele já podia tomar conta dessa parte sozinho.

-Richard, mas pode me chamar de Dick. – eu ri com o apelido – Todo mundo me chama assim.

-Na verdade, eu o chamo assim. – e a garota ruiva parou de correr, seus olhos tão azuis quanto os de Roy me testando. Ela ofegava, claramente exausta pela corrida – Demorou pra vir falar conosco...

-Eu também não faço idéia porque não falei com vocês antes. Acho que estava prestando atenção em coisas alheias. – não ia me desculpar por coisas que não considero erradas. Minha vida não podia ficar mais arriscada de todo jeito.

-Sou Barbara. Mas pode me chamar de Babs. – ela sugeriu – Acho que vou te chamar de Deusa.

-É meio forte pra alguém como eu. – eu a adverti, certa de que ela estaria procurando por vantagens vindas de nossa introdução.

-Acho perfeito. Personalidades fortes têm que ser mostradas custe o que custar. – ela respondeu, passando por mim para tomar água – Além de seu nome fazer jus.

-Justo.

-Está no meu caminho, Rapunzel. – aquela voz não pertencia mais ao garoto sorriso, Dick, mas sim a uma pessoa extremamente irritante que fazia tempo que não mexia comigo.

Eu já não estava muito tolerante, mas quando me deparei com um velocista molhado da cabeça aos pés, parecendo um pinto molhado, não consegui prender o riso, nem que fosse pouco. Eu tinha que dizer algo a respeito disso.

-Desculpa, mas acho que você se perdeu no caminho pra praia, surfista. – eu o provoquei e Dick gargalhou atrás do ruivo, forçando-o a se virar para o garotinho.

-Ei, seu traidor! Pare de rir! Ela não é engraçada. – ele dizia, tão infantil quanto qualquer outra criancinha que estava por ali – Quem é você mesmo?!

-Deusa! – Barbara gritou do outro lado do salão, como se estivesse no meio da conversa.

-Deusa da Simpatia que não é, né? Nem da feminilidade! – ele argumentou e eu franzi meu cenho, desistindo da corrida para cair numa luta mano a mano com esse fedelho de cabelo de cenoura.

-O que aconteceu com você? Tropeçou nos cadarços e caiu na piscina? – ele corou e fez uma expressão tão engraçada, se delatando – Isso é sério?! Hahahahahaha... Grande veloz você! – eu zombei e Dick riu comigo, Barbara do outro lado se divertindo também.

-Humanos são imperfeitos! Se acostume com isso. – ele passou por mim, desistindo de correr também.

-Wally, não seja tão rude com a Deusa da Simpatia! Ela vai atirar uma flecha em você se não for legal! – Dick me provocou e eu decidi aceitar a brincadeira, da minha maneira.

-Outra em você também, Passarinho. – e acho que foi a primeira vez que eu ouvi a gargalhada de Wally – O que foi?

-Até terminar de falar Passarinho, o garoto aqui já foi embora. Chama de Robin quando for tirar sarro. – ele me deu a dica e eu não disse nada a respeito disso.

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-Ora, ora... – eu parei e bufei quando ouvi a voz desprezível do garoto da Dois me chamando pelas costas, o gelo já se emanando da pouca distância entre nós. Eu saía do treino de luta e seguia para a escalada – Se não é a Sete desfilando entre os aparelhos... – eu queria ignorá-lo – Não vai falar comigo, não?

-Ah... Ta falando comigo? – eu o olhei por cima do ombro e, dessa vez, ele estava com seus amiguinhos.

Os irmãos gêmeos e os esquisitos da Zona 3, a garota da zona dele estava sentada conversando com Klarion e os tributos macabros da Zona 10 do outro lado do salão, mas eles não tiravam os olhos da nossa conversa.

-Tem mais alguém aqui chamada de Sete? – ele tentou bancar o esperto e sorriu maliciosamente.

-Esse não é o meu nome, Raspadinha. – o sorriso dele sumiu e eu sorriu satisfeito com aquilo.

-Essa eu vou deixar passar. – ele me respondeu e voltar a me olhar com outras intenções – Meu nome é Cameron. Você pode me dizer seu nome como uma garota bem educada.

-Quem disse que eu sou educada? — estreitei meus olhos e Cameron franziu o cenho, meus braços já estavam cruzados tentando me proteger do gelo emanando dele.

A irmã revirou os olhos e se posicionou do lado do garoto-freezer, colocando uma mão na cintura e gesticulando com a outra. Os adereços prateados dela se misturavam com a maquiagem forte em volta de seus olhos claros, os lábios vermelhos estavam para baixo numa careta e ela era bem ousada para uma garota do tamanho dela.

-Escuta aqui, Sete... – ela me provocou e eu estreitei meus olhos mais, franzindo minhas sobrancelhas – Nós estamos te fazendo um favor vindo até aqui e te dando a chance de sobreviver lá na Arena. Não somos tão bonzinhos quanto o Cameron aqui e Klarion não vai pegar leve com você!

-Eu não me lembro de você ser mencionada na conversa. – meus olhos voltaram para Cameron – Você já veio cobrando a resposta de uma oferta que me fez ontem?

-Nós trabalhamos rápido por aqui. – ele mexeu os ombros se vangloriando.

-Se trabalham rápido, deveriam ter falado comigo logo no início do treinamento. Ficaram tão próximos de repente. – eu mencionei o primeiro dia em que os tributos da zona rica davam risadas entre si na ponta da mesa do almoço.

-Você se acha né, garota?! Acha que temos a obrigação de ficar correndo atrás de umazinha qualquer sem poderes! – eu torci meu nariz para a forma com que ela me tratou.

-E você é umazinha qualquer com poderes. Quer saber quem é a novidade por aqui? – eu a perguntei e ela fechou o punho, preparando-se para pular no meu pescoço.

-Evitem baixaria quando o Slade estiver por perto. – a garota cor de rosa da Três se manifestou pela primeira vez e eu não imaginava que uma voz tão rouca fosse sair da boca dela assim. Eu pensava que ela seria alguma patricinha de voz aguda e chata, como de costume.

Mas o fato de ela ser sinistra não mudou. O garoto anão nem se dava o trabalho de falar qualquer coisa.

-Vão ter tempo demais para brigar na Arena. – O irmão da garota irritante da Zona 4 disse sorrindo maleficamente para mim, como se eu já estivesse em sua lista negra.

-Não quero que você arranje briga com esses dois. – Cameron me disse, sorrindo meio sem jeito e eu dei um passo para trás, estranhando o gesto – Entre para nossa aliança.

O convite, dessa vez, pareceu bem sincero e, não sei porque, não sei se era mentira, mas seus olhos não pareciam querer me enganar quando ele admitiu não querer que eu brigasse com os gêmeos na Arena.

-Nós temos patrocinadores que vão estar sempre mandando comida, então você não precisa caçar; vamos ter as melhores armas e seu arco pode ser até de ouro. Só tem que vir com a gente. – ele sorriu para mim, me estendendo sua mão gelada para que nós fechássemos o acordo. A garota nervosinha do lado ele se acalmando e dando a volta para se retirar.

-Do que me vale um arco de ouro se eu não vou ter nada para gastar lá mesmo? Não podem sair duas pessoas da Arena. – eu o avisei, tentando acordá-lo de sua ilusão.

-Lembre-se do que eu te falei ontem, Sete...

-Artemis. – eu disse, finalmente, me apresentando.

A garota franziu o cenho para o meu nome, dando a volta e bufando enquanto a cor-de-rosa deu de ombros. O anão fez uma cara impressionada e o irmão gêmeo, depois de tomar uma cotovelada nas costelas de sua irmã, a seguiu para fazer supino na academia montada ali atrás.

-Seu nome é muito bonito. – e voltamos para os flertes – Pense com carinho. – Cameron pediu, sorrindo maliciosamente novamente e pegando a minha mão para se despedir.

-Eu vou cogitar a hipótese com o meu parceiro. – eu o avisei e ele me olhou diferente um tanto irritado.

-O convite é somente seu. Não o chame para a nossa aliança. Não queremos elos fracos entre nós e você, sozinha, já basta. – o anão disse e deu de ombros, indo embora. A garota cor-de-rosa continuou ali, contudo.

Eu me contive para não chutar a cabeça daquele baixinho folgado e Cameron estava no caminho, fazendo com que mais fumaça gelada saísse de seu corpo do que o normal. Eu me arrepiei de novo, só que de uma forma diferente das anteriores. Não foi só de frio.

-Vocês querem que só eu vá quando todos estão em dupla? – eu olhei-o incrédula, colocando as mãos na cintura e mostrando minha expressão de choque.

-Klarion não trouxe a parceira de sua zona para nossa aliança. Você não tem que trazer o seu. – o garoto respondeu, me olhando e tentando se manter paciente.

-Porque Klarion não precisa de ninguém! Ele vai se dar muito bem sozinho nesse jogo! Ele vai acabar matando todos vocês! – eu o avisei, irada com tudo aquilo.

-Klarion é a galinha dos ovos de ouro. Sem eles, estamos perdidos; Com ele, temos tudo.

-Você acredita no que diz? – eu o perguntei, sinceramente, tentando mostrar a Cameron que aquilo não fazia o menor sentido.

-Não importa no que eu acredito. Você quer entrar na nossa aliança? – aquela pergunta parecia ser a final, mas não caiu muito bem na cara dele. Ele parecia inseguro.

-E se eu disser não?

-Vai ser uma pena, porque eu realmente te queria por perto naquela Arena. – ele me falou e eu cruzei meus braços, me preparando para ir embora.

-Então, nada feito. – eu comecei a andar, mas Cameron continuou a falar.

-Mas você pode ainda entrar durante os Jogos... Se precisar, se não nos atacar. – apesar do receio, eu ouvi aquilo – Eu não vou deixar eles te machucarem.

-Devo agradecer o gesto? – perguntei sem voltar para trás.

-Eu não vou cobrar por enquanto.

Eu não tinha certeza de nada agora.

Wally passou por mim nesse instante em que eu ia embora e ele me olhou bravo, quase magoado, como se eu estivesse traindo a confiança dele ou qualquer coisa. Eu o encarei de volta, arqueando uma de minhas sobrancelhas e esperando que ele viesse me dizer alguma coisa, me provocar com qualquer comentário idiota dele, como ele fez durante essa última semana que treinamos juntos.

Nada. Ele balançou a cabeça negativamente e suspirou, chegando na estação de prontos socorros onde Dick e Babs estavam, falando qualquer coisa para eles que os deixaram meio chateados.

Nesse meio termo, eu recebi seus olhares e um meio sorriso do garoto sorridente da Zona 9.

Já imaginava o que aquilo queria dizer, só não podia acreditar. Eu tinha recusado duas alianças no mesmo dia, pensando que teria alguém para me acudir nos Jogos quando precisasse, pois nada vai mudar se um deles chegar a mim pedindo ajuda, sangrando até a morte. Eu iria tentar ajudá-los.

Agora, nem Roy. Estou sozinha. Não tenho ninguém.

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Eu não iria dizer nada para Helena nem pra o meu mentor a respeito do que acontecia de tão pessoal durante os treinos, o fato de eu estar socialmente sozinha e excluída, tanto por Roy ou pelos outros que eu viria a chamar de aliados. Mesmo que Cameron me ajudasse, não seria sem nada em troca – aqueles olhos azuis escondiam alguma coisa.

Mas é óbvio que ninguém é como eu e Roy é uma matraca ambulante!

-O que você tem contra aliados, Artemis? – Helena me perguntou quando tomava as medidas finais do meu vestido para a noite de perguntas que seria amanhã.

Roy já havia desembuchado para ela, o fato de nós não estarmos nos falando desde ontem. As subordinadas dela estavam em meu quarto também, brincando com as maquiagens de suas maletas no espelho enorme que ficava nele, sussurrando e prestando atenção na nossa conversa.

-Eu sei que é meio arriscado e que vai ter que se sacrificar por outros como divida, mas é uma loucura ficar sozinha durante os Jogos todos. – ela continuou, alfinetes em sua boca enquanto ela espetava aqui e ali.

-Eu não pretendia ficar sozinha. Roy era meu aliado até então. – eu lembrei-a e ela assentiu.

-Ele ainda é.

-Mas eu não sei se quero alguém tão desconfiado perto de mim. É capaz de ele me matar por achar que eu roubei a parte dele do almoço nos Jogos. Não sei mais no que acreditar... – eu brinquei, exageradamente, e Helena riu suavemente.

-Ele nunca faria isso.

-É. – o pior de tudo é que eu sei que ele nunca faria isso.

-O que acha de verde? – Helena me perguntou depois que ajeitou sua postura, sorrindo seus lábios vermelhos para mim.

-O único tom que se encaixa em mim é verde, é? – perguntei meio perturbada com o fato de todas as minhas vestimentas, com exceção do pijama, serem verdes.

-Você fica deslumbrante em dourado também. – seus olhos brilharam maliciosamente.

-Verde vai ficar ótimo. – eu a despachei antes que continuássemos a discutir.

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Oliver nos falou para mostrarmos tudo o que tínhamos na hora do exame, sem exceção. Todos os patrocinadores estariam ali e eles não renderiam muito dinheiro, sem falar em remédios e roupas quando precisássemos, então nós tínhamos que conseguir muita gente.

-Não adianta mostrar o quanto inteligente são! – as palavras dele ecoavam em minha cabeça enquanto Roy e eu aguardávamos nossa vez para o teste.

Nós sentávamos próximos, mas não tinha muito que fazer a respeito daquilo. Eu estava calada como um túmulo, nem minha respiração fazia barulho como a dele e eu comecei a prestar atenção nisso – quem sabe, durante os Jogos, eu possa deduzir quem a pessoa é só de ouvir seu respirar?

-Corram, dêem cambalhotas, atirem flechas no infinito se conseguirem, mas chamem a atenção deles! Eles são uns babacas que não dão segunda chance. Não percam a oportunidade de fazer bonito, entenderam?

Claro que sim. Nossa vida dependia disso.

-Desculpa. – eu não esperava por ouvir qualquer coisa vindo dele até a hora do jantar. Me virei para ver seu rosto arrependido, corado até. Eu franzi o cenho, preocupada com aquilo. Se não estivesse brava com ele, teria colocado uma mão em sua testa para medir sua temperatura – Não fui legal com você e disse coisas que te ofenderam. Eu sei que é difícil pra você estar aqui, estar lutando para viver no mesmo lugar que sua irmã lutou e não conseguiu. – ele lutava contra as palavras, claramente irritado com o som delas fora de sua boca.

Elas foram escolhidas terrivelmente, mas eu tinha que considerar a intenção... Focar na intenção, porque pelas palavras aquilo tudo só me deixava mais nervosa.

-Jade mudou porque ela tinha seus motivos, porque ela tinha uma estratégia, porque ela acreditava que ela fosse sair daqui viva. Não é justo eu comparar você com ela. Não quero que fique brava comigo. Não quando estamos tão próximos de não nos vermos nunca mais. – eu suspirei, cedendo.

-Que patético. Nem sabe pedir desculpas direito. – comentei e ele me olhou, fazendo careta, e eu sorri. Se eu pensasse em Jade naquele instante, todo o meu foco para tirar uma nota alta se esvairia e eu não ia conseguir me virar lá dentro. Dar um fim a isso era bem melhor.

Eu o cotovelei e ele relaxou um pouco, deixando até um meio sorriso formar em seus lábios.

-Se você se comportar, posso até fazer uma aliança com você. – eu o informei, brincando e ele assentiu.

-Eu queria conversar com você a respeito disso... – e ele ia começar a falar, mas a porta se abriu e o guarda chamou por mim.

Minha vez. Damas primeiro. Depois Roy iria ser testado e, então, nós íamos ficar o resto da tarde agonizando para saber a resposta de nossas provas, nossas notas. Eu caminhei junto com o guarda para a sala de testes, pronta para o que der e vier, mas olhei para trás e vi Roy fazer um sinal de figas.

Boa sorte pra você também.

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Eu usava a mesma roupa que tinha usado a semana inteira para treinar, de malha, preta e com alguns poucos detalhes em verde escuro, cortesia de Helena. Meu cabelo longo tinha sido trançado para permitir meus movimentos mais precisos do que seriam com ele num rabo de cavalo alto, aquele volume que cismava em parar a minha frente durante os exercícios.

Helena tinha me perguntado se eu a minha promessa era dessas que não tinha jeito mesmo, pois começou a ficar preocupada com o meu bem estar durante os Jogos, já que meu cabelo parecia ter crescido muito mais desde que eu chegara lá e me alimentara melhor, usando produtos bons e a temperatura equilibrada para ele, segundo os subordinados da minha estilista. E eu estava gostando de como ele ficava brilhoso, fazendo com que os fios queimados do sol não se dissolvessem na água do cloro da piscina quando eu tinha que nadar nela, mas fortalecendo-os.

E eu respondi que essa promessa dependeria do meu desempenho nos Jogos, o que é verdade. Não, eu não podia cortar ele antes da hora, mesmo.

As botas confortáveis alertaram minha entrada no salão de treinamento, completamente vazio comparado com os dias que passei ali. Nenhum instrutor e nenhum tributo me deixaram um pouco nervosa, até eu avistar o arco e flecha posicionados no centro do salão fechado – hoje chovia horrores e claro que os patrocinadores não iriam estragar suas roupas de grife feitas de açúcar e outras coisas estranhas que não me importavam... De verdade, eu não estava nem aí para esses egoístas, assassinos por tabela.

Slade brindava não vestido em suas roupas de malha para treinar os tributos, mas sim em um terno azul e laranja, com estampas em escamas e lembrando muito ao seu uniforme. Seu cabelo grisalho penteado para trás elegantemente e o tapa-olho bem mais formal do que aquele que usava para nos impressionar. Ele ria alto, brincando e conversando com os homens e mulheres na varanda, focados nos petiscos que chegavam aos minutos que eles aguardavam.

Ninguém prestava atenção em mim quando entrei e continuavam a não me olhar.

Eu respirei fundo, tentando controlar o meu temperamento hostil, porque Oliver tinha me falado pra me preocupar com isso, para causar uma impressão nos jurados que decidiriam se eu merecia ou não ganhar itens durante os Jogos...

Caminhei até o arco cromado, bem mais bonito do que aqueles que eu e Roy usamos nos treinos, com detalhes cravados de temas élficos como se eles realmente ligassem para mitologia ou religião – a única coisa que eles acreditavam era o dinheiro em suas contas e Sir Vandal Savage na presidência da Nação da Luz; cinco flechas a minha disposição, o alvo distante como os que estavam no treinamento, paradas com seus círculos vermelhos e brancos no formato de pessoa.

Minha mão envolveu o cabo da flecha, tão gelado, e meus olhos miraram nos infelizes rindo alto, fazendo o eco atingir meus ouvidos muito mais alto do que de fato o barulho que eles faziam. Senti minhas sobrancelhas se fincarem e minha cara se fechando no tempo inútil que eu esperava os cavalheiros me fazerem a cortesia de fecharem suas matracas e olhassem para meu próximo gesto, mas eles não se calavam.

Eu não ia ficar gastando meu penúltimo dia de regalias esperando a boa vontade dos senhorios, brincando com a vida dos outros.

-CAHAM! – eu limpei minha garganta e aproveitei para gritar durante o gesto, fazendo com que todos os olhos voltassem para mim, até chocados e me encarando com certo nojo. As mulheres franziram seus narizes quando me viram e os homens apenas me olharam feio – Artemis Crock, Zona Sete. – falei, aparafusando um falso sorriso.

-Olha só, ela fala... – eu ouvi uma das senhoras juradas rindo por de detrás de outra, fazendo com que elas dessem aquele risinho sem classe da elite e, logo, os outros homens também estavam me zombando.

Grandes pessoas, não?

-O que está esperando, Artemis? Uma música tema? – Slade me perguntou, rindo co os outros companheiros, descaradamente agora. Eu arfei minhas narinas e pequei as restantes quatro flechas, preparando-as numa fileira para acertar o corpo inteiro do alvo.

Os jurados riram, chamando-me de presunçosa e atrevida, falando que eu não ia conseguir. Mas, por algum motivo, Slade parou de falar e deixou apenas aquela risadinha irritante preencher o ar ao seu redor, como se ele fosse o único que realmente importava dentre todos os restantes patrocinadores que estavam ali.

As pessoas queriam que eu errasse para que eu pudesse ser humilhada mais uma vez perante a Capital.

Tudo o que eu me importava, entretanto, era com a sensação familiar de tantos penachos de flechas roçando em minha boca e da voz grossa e rouca do meu pai, até tenebrosa de vez em quando, me dizendo para manter ambos os olhos abertos. Ter o alvo em corpo inteiro a minha frente, a visão periférica complementando-o e me fazendo calcular a distância espacial entre eu e meu adversário.

-A única coisa a fazer é prevenir o movimento do seu alvo. – mas meu alvo dessa vez não era um grupo de pássaros indo para o sul, mas sim uma figura estática representando todos os tributos que me ameaçariam durante os Jogos.

Eu respirei fundo e as cinco flechas em minha mão se ajeitaram perfeitamente, como se já tivessem seus buracos feitos no arco para facilitar o manuseamento. Ambos os olhos abertos, para prevenir o movimento do alvo...

Eu ri para mim mesma, fechando uma de minhas vistas cinzas – isso daí é só um boneco.

As flechas cortaram o ar, cinco rápidas e afiadas flechas de cromo, zunindo entre as 20 jardas calculadas e se alinhando paralelamente e verticalmente com a principal seguindo para a cabeça do alvo, atravessando o centro e destruindo a madeira dura, enquanto as outras miravam os pontos vitais restantes, como na aula de anatomia: a garganta, o coração, o diafragma e o umbigo.

Na mosca!

Quando me voltei para a varanda, meu sorriso se alargou e Slade não possuía mais o dele em seu rosto, nem os outros patrocinadores e jurados mesquinhos, de boca aberta e olhos arregalados. Eles me olhavam chocados, balbuciando em suas risadinhas antigas, tentando disfarçar o fato de que me subestimaram.

Eu larguei o arco em seu estande e foquei em Slade, arqueando uma de minhas sobrancelhas e tornando o meu tom de voz alto o suficiente para agradecer pela atenção.

-Obrigada pelo gesto tão polido de vocês. – e fechei a cara, me retirando da sala, batendo os pés.

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Eu fiquei de bobeira mais tarde no nosso apartamento, esperando Oliver terminar de conversar com os patrocinadores e voltar pra conversar comigo e com Roy sobre nossas demonstrações. As notas seriam transmitidas pelo Gladiador Dourado no fim de tarde e eles ainda terminavam de avaliar os restantes tributos das zonas mais pobres.

-Como foi a sua apresentação? – Dinah perguntou para ninguém em especial, mas eu olhei meio envergonhada para Roy antes de responder e ele se manifestou primeiro, variando seu olhar entre eu, Helena, suas subordinadas e seus subordinados e Dinah, já que Oliver ainda estava atrasado.

Claro que já estávamos acomodados em nossas vestimentas confortáveis, eu em dourado e preto, porque Helena me disse que o verde em mim tinha que ser exibido para o mundo, e Roy em vermelho e amarelo, apesar de que suas roupas fora eram pretas e vermelhas. Dinah usava suas roupas elegantes e bufantes da Capital, ela certamente tinha saído dos nossos aposentos, e as subordinadas de Helena vestiam-se simples, apesar de eu achar um exagero elas virem com aquelas plataformas enormes e os cílios coloridos para fazer minha maquiagem. A mais bem vestida e rebelde era a própria estilista, deslumbrante em suas calças coladas no corpo, a blusa que só se fechava ousadamente com um tipo de broche no centro de seu torso, deixando bem pouco para a imaginação, o colete roxo de vinil brilhando com a luz e mostrando seu material peculiar, o cabelo negro num rabo de cavalo alto, uma franja nova caída sobre sua testa e o batom vermelho singular.

-Bem... Quando eu cheguei lá tinha um arco e flechas me esperando, então eu somente mostrei o que eu sabia com aquilo. – ele deu de ombros – Nada de mais.

-Eles reagiram bem? – Dinah sorria, entusiasmada.

-Na verdade, eles estavam meio atônitos quando eu entrei. Pareciam chocados. O único que estava mais acordado era o Slade e ele somente me mandou fazer o que eu tinha que fazer, sem mais nada.

Eu não esperava os olhares virem a mim antes de eu terminar de tomar o refrigerante que haviam me trazido. Eu corei com tantos pares de olhos em mim, prestando atenção no meu gargarejo e esperando que eu me manifestasse. Eu fingi que não era comigo, me voltando para a janela.

-Artemis Crock. – Dinah me chamou uma vez e Roy arqueava uma de suas sobrancelhas, Helena estava sorrindo divertida com o tom de voz mandão da amiga dela. Eu olhei para a loira, seus olhos azuis estavam sérios e uma de suas sobrancelhas desenhadas se arqueavam para mim – O que você fez? – ela dizia as palavras tão pausadamente que eu podia ver os receosos espaços entre elas.

Eu sorri sem jeito, largando o refrigerante sobre a mesa e juntando as minhas mãos: — Eu me apresentei também, oras! – respondi, mas ela nem se mexeu, claramente querendo mais do que aquilo – O que mais eu poderia ter feito? Atirado no porco assado deles?!

-VOCÊ FEZ ISSO?! – ela perguntou chocada e Roy cuspiu o refrigerante enquanto Helena se desmanchava em risadas, suas subordinadas chocadas.

-NÃO! CLARO QUE NÃO! – minhas bochechas ardiam com as risadas e eu realmente não sabia o que dizer – Eu só fiz o que eu devia fazer! Mostrei tudo o que eu tinha para eles!

-Você os deixou atônitos!

-Eu tinha que falar alguma coisa! Eles estavam me esnobando! – me defendi quando ela se levantou para brigar comigo de pé, questionando minhas maneiras.

-De todo jeito, você não pode encrencar com uma pessoa da elite! Ela pode te prejudicar nos Jogos! Pode até cancelar todos os seus patrocinadores!

-Ah, que legal você! Por que não me falou isso antes?! – eu perguntei chocada e preocupada com o meu futuro.

Helena estava no chão já e Roy não sabia se ria ou se chorava com aquilo tudo. Estava um verdadeiro caos, até Oliver entrar na sala e Dinah me apontava seu dedo, me avisando que ia me delatar. Entretanto, não fora necessário, porque o meu mentor entrou com toda sua glória loira, e sua barbicha penteada, sorrindo orgulhoso para mim, dando a volta no sofá e me cumprimentando com um beijo na bochecha.

-Sensacional, Artemis! – ele me incentivou, rindo divertido com aquilo tudo e eu arqueei uma de minhas sobrancelhas, sorrindo para ele também.

-Você aprova o que ela fez?! – Dinah perguntava irritada, com as mãos na cintura.

-Ela causou uma impressão! Tudo o que eu a mandei fazer, ela fez. Não precisamos nos importar mais com isso.

-Oliver Queen, saiba que sua pupila provocou a alta sociedade da Nação da Luz! Ela pode ficar sem patrocinadores por isso...

-Calma aí, amorzinho. – Oliver riu, sentando-se ao meu lado e pegando um licor debaixo da mesinha do café – A única coisa que ela fez foi usar as cinco flechas de uma vez.

Todos me olharam surpresos, com os orbes quase saltando das órbitas e me deixando envergonhada de meus atos. Eu não sabia mais, realmente, se devia ficar orgulhosa ou não.

-Você o que?! – Roy tremeu o queixo me perguntando, como se estivesse com ciúmes.

-Garota, você é sensacional! – Helena me incentivou e esticou seu copo de bebida alcoólica para brindar com o meu com refrigerante. Eu beberiquei só por educação.

-E como isso é possível?! Você não tem várias mãos para te ajudar! – uma das subordinadas de Helena argumentou.

-Quando se sabe usar o arco e flecha, tudo o que precisa fazer é usar a intuição. – Oliver disse e me apertou num abraço pelos meus ombros – Você foi ótima!

-E acertou o que?! As luzes dos patrocinadores? – Dinah perguntou, preocupada com as conseqüências que poderiam nos afetar mais para frente.

-Não! – eu me senti ofendida.

-O alvo em todos os pontos vitais. – Oliver continuou a me vangloriar e aquilo não estava dando certo.

Eu ia ficar acostumada com aquilo se ele continuasse assim.

-Como você conseguiu manusear as cinco flechas, Artemis? – Roy me perguntou, me admirando um pouco, mas com a mesma expressão de choque de antes, como se eu nunca fosse capaz de fazer algo assim.

-Bem, eu... – Dinah não me deixou falar.

-E isso os deixou sem palavras? Certamente que não foi o caso! O que ela fez, Oliver? – Dinah continuou de pé, batendo seu salto alto contra o chão de granito da sala.

-Além de acertar o alvo com cinco flechas e com um dos olhos fechados? – eu fiquei envergonhada de novo quando todo mundo me parabenizou, com exceção de Dinah e Roy que estavam mais chocados com o passar dos tempos – Ela agradeceu pela polidez dos jurados.

-O QUE?! – aquilo tirou Dinah do sério – VOCÊ QUESTIONOU A EDUCAÇÃO DELES?!

-Eles estavam me esnobando, eu te falei! – me defendi antes que ela pudesse fazer qualquer outra coisa.

-Não interessa Artemis! Isso terá grandes conseqüências para você! Refletindo-as seja em suas notas ou durante os Jogos! Devia ter pensado antes de ter dito qualquer coisa. – e ela saiu porta a fora do apartamento, batendo pés e procurando por sua bolsa antes de se retirar.

Eu recolhi meus ombros, meio incomodada por ter levado uma bronca dela a essa altura do campeonato – não que eu nunca tivesse tomado outra bronca antes, mas tudo o que ela dizia fazia completo sentido e eu não estava me afetando somente. A carreira dela, Oliver e Roy estavam sendo arriscados, junto com Helena e as pessoas que eram importantes pra mim, só porque eu não queria ser pisada pelos cabeças da Capital.

É. Eu merecia ser chamada de idiota com letra maiúscula, sem dúvidas.

Oliver tentou me animar, afagando meu braço e me lembrando de como eu tinha me saído ótima durante a prova; que eu não devia me preocupar com patrocinadores nem com essas coisas agora; que eu devia continuar a ser eu mesma, porque, incrivelmente, para mim – palavras dele – estava dando certo. Eu não via aquilo como lucro, porque quem tomava conta dessa parte era Dinah também e se eu não tenho 100% de certeza, não tenho nada.

Esse é o meu nível de insegurança.

Além disso, Roy estava com a cara fechada ao meu lado, pensando em algo distante porque seus olhos azuis estavam em um ponto fixo na parede de concreto armado oposta a ele e nós estávamos tão perto de fazer as pazes...

Eu não queria entrar naquela Arena com ele como inimigo... Ou pior, se é que há algo pior do que ser inimigo de alguém.

No fundo eu sabia que Dinah estava certa e que eu estava encurralada. Minha nota, bem... Se eu não fosse decapitada pelas elites da Nação da Luz no dia seguinte, seria um zero bem redondo e também zero chances de sobreviver nos Jogos.

Eu estava morta de todo jeito.

Notas finais
Zonas e Tributos codinomes (idade)
Zona 1 Klarion Bleak - Klarion (15) e Zatanna Zatara - Zatanna (14)
Zona 2 Cameron Mahkent Icicle Jr. (17) e Crystal Frost Killer Frost (18)
Zona 3 Mikron OJeneus - Gizmo (15) e Jinx (15)
Zona 4 Tommy Terror (17) e Tuppence Terror (17)
Zona 5 Billy Batson Captain Marvel (12) e Cassie Sandsmark Moça Maravilha (15)
Zona 6 Kaldur Ahm - Aqualad (18) e Tula Aquagirl (12)
Zona 7 Roy Harper Arqueiro Vermelho (18) e Artemis Crock (16)
Zona 8 Wally West Kid Flash (16) e Jesse Chambers Jesse Quick (17)
Zona 9 Dick Grayson Robin (13) e Barbara Gordon Batgirl (12)
Zona 10 Baran Flinders - Mamute (16) e Selinda Flinders - Shimmer (17)
Zona 11 Garfield Logan - Mutano (12) e Megan Morse Miss Marte (18)
Zona 12 Conner Kent Superboy (17) e Kara Kent Supergirl (14)